sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

IMPLICAÇÕES ECONÔMICAS DA VIDA DE FÉ

Algum dualismo entre corpo e espírito, resquício de uma concepção platônica da vida, tem repercussão na vida de fé e afeta a vida do Povo de Deus. Nós, católicos apostólicos romanos, ordenados ou não, temos dificuldade para uma correta compreensão das implicações econômicas de nossa vida de fé; o bolso acaba se tornando o lugar mais sensível de nosso corpo, embora hoje não seja ele mais depositário de dinheiro, numa época em o mesmo em espécie está fora de moda.

O dinheiro, justo fruto do trabalho, deve propiciar a cada pessoa e família uma vida digna, respondendo às mais diversas necessidades de sobrevivência, cultura e lazer. Uma parte honesta do mesmo devemos aplicar no exercício da caridade, destinando-o aos empobrecidos. De acordo com o nosso coração, tendo em vista as necessidades, devemos oferecer à Igreja, livremente, a nossa contribuição na forma do dízimo, da oferta e das espórtulas.

Em algumas ocasiões do ano realizamos algumas coletas especiais com destinações específicas. Por ocasião da sexta feira santa recolhemos doações para a manutenção dos lugares santos, onde Jesus Cristo viveu. Na festa de São Pedro e São Paulo fazemos nossa oferta para as obras de caridade do Santo Padre o Papa, o chamado óbulo de São Pedro. No mês de outubro ajudamos as missões ad gentes, isto é, prover o sustento das missões em terras empobrecidas e ou não evangelizadas.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, criou a Coleta da Campanha da Fraternidade, sempre na quaresma, que reúne o fruto de nossa penitência, e cujo resultado é sempre aplicado nas obras sociais. No advento, em dezembro, tem a Coleta para a Evangelização, cujo resultado é usado nas obras de propagação do evangelho. Estas duas coletas são repartidas, ficando parte na diocese e a outra remetida à CNBB e ao Regional Sul 1 . Mensalmente, cada diocese também oferece uma parte do que possui para o sustento de dioceses brasileiras empobrecidas.

“A Coleta para a Evangelização foi criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em 1998, sendo realizada no terceiro domingo do advento, neste ano nos dias 15 e 16 de dezembro. O valor angariado constitui o fundo para a evangelização, que é administrado pela comissão de assuntos financeiros da CNBB, destinado a apoiar as estruturas da Igreja e a atividade evangelizadora em nível diocesano, regional e nacional.”

“A Coleta para a Evangelização significa a abertura de um caminho para canalizar a solidariedade de todos os católicos no sustento da missão da Igreja em nosso país. Com isso, segue o exemplo das primeiras comunidades, às quais Paulo recomendava que os que têm enriqueçam de boas obras, dêem com prodigalidade, repartam com os demais.(cf 2Cor 8 e 9)”

“Com esse espírito de solidariedade e testemunho, os recursos arrecadados por essa campanha são repartidos, seguindo critérios específicos, priorizando sempre as regiões mais carentes e as necessidades mais prementes nos diversos campos de evangelização. Destinação das coletas, a partir do valor total arrecadado em cada diocese: 45% para a diocese; 20% para o regional da CNBB; 35% para a CNBB nacional.”

“Não se deve esquecer que a Coleta para a Evangelização é um compromisso da Igreja Católica no Brasil com a sua auto-sustentação. Até hoje, muitas pastorais, paróquias e dioceses dependem de recursos da cooperação internacional, contribuições de cristãos de outros países do mundo, para manutenção de suas atividades e estrutura. Espera-se que a coleta de recursos nacionais possa cada vez mais levar as comunidades a assumirem, com seus próprios recursos ou de outras comunidades irmãs, as suas atividades pastorais.”

Rezemos: “Ó Deus, quisestes que a vossa Igreja fosse no mundo o sacramento da salvação para todas as nações, a fim de que a obra do Cristo que vem continuasse até o fim dos tempos. Derramai o Espírito prometido, para que aumente em nós o ardor da evangelização e faça brotar nos corações a resposta da fé. Por Cristo, nosso Senhor. Amém!”

Caro fiel, “Evangelização tem ação no nome. Doação também.” Doe! Neste 15 e 16 de dezembro, ao participar da santa Missa, faça uma justa e honesta contribuição para a Evangelização. O valor total arrecadado em sua paróquia será remetido pelo respectivo pároco ou administrador paroquial à Diocese de São José de São do Rio Preto, que fará a prevista distribuição. Também as capelas, oratórios, comunidades de vida, ou qualquer outro lugar onde houver celebração da santa Missa, devem realizar a coleta e encaminhar o valor para a Diocese.

Bom tempo do advento!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.



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