quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

HOMILIA DA ORDENAÇÃO SACERDOTAL DO DIÁCONO VICENTE


HOMILIA DA ORDENAÇÃO SACERDOTAL DO DIÁCONO VICENTE – SOMASCO
SÃO FRANCISCO XAVIER, 16 DE DEZEMBRO DE 2012.

INTRODUÇÃO:
Como é bom, nesta manhã de 16 de dezembro, ser acolhido nesta Igreja dedicada a São Francisco Xavier, o grande missionário jesuíta que missionou parte da Ásia, China e Japão, por amor a Jesus Cristo, proclamando o seu evangelho de salvação. Acolhe a singela igreja, a cidade, simples e bela como a Nazaré da Sagrada Família, ou como Betânia, a cidadela de Lázaro, Marta e Maria.  Nossa cidade de São Francisco Xavier é uma preciosa jóia escondida por entre estas serras que repousam o corpo e encantam o coração.

“Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!”,  nesta Páscoa semanal, o domingo, dia do Senhor, o glorificado pela cruz e ressurreição. Hoje somos também motivados pela ordenação sacerdotal do filho desta terra, nosso amigo e irmão, Diácono Vicente, religioso somasco, testemunho de que Deus continua a suscitar-nos pastores segundo o seu coração.

Estamos celebrando a santa Missa à sombra do advento, estamos no terceiro domingo, o da alegria, precedido pelo da vigilância e o da conversão. Estamos alegres, muito alegres, pois o Senhor virá glorificar-nos, ao seu modo de ressuscitado; alegres, mui alegres,  vislumbrando no horizonte a celebração do Natal de Jesus Cristo; alegres, alegríssimos, pela resposta positiva e propositiva de nosso irmão e amigo, Diácono Vicente, ao chamado da Igreja  que o convida para ser ordenado sacerdote a serviço do Povo de Deus.

1.0 O EVANGELHO: PROTAGONISMO DE JESUS CRISTO E DO ESPÍRITO SANTO.
No Evangelho proclamado, João Batista recorda três virtudes fundantes da amizade com Jesus Cristo: a caridade, a justiça e a paz. É imperativo para nós, apaixonados por Jesus Cristo, como exigência interior, viver no amor, promover a justiça e construir a paz. Antes de serem realidades fruto de nossa ação e esforço próprio, são dons de Deus, aos quais respondemos com nosso assentimento e cooperação, no âmbito moral da vida cristã.

Deus é amor e nos capacita a amá-Lo e ao próximo, graças ao dom do Divino Espírito Santo. Deus é Justo, nos justifica em Jesus Cristo e nos faz capazes de agir justamente. Deus é fonte da paz que recebemos como presente de Jesus Cristo ressuscitado.

São João Batista reconhece o protagonismo de Jesus Cristo na obra salvadora de Deus, de quem ele é um humilde servidor. Em Jesus Cristo, o Pai derrama profusamente sobre o seu Povo Novo, a graça do Divino Espírito Santo, o fogo instaurador da nova realidade do Reino de Deus.

Como compreender nossa vida sem Jesus Cristo e sem  o Divino Espírito Santo? Como viver sem o amor, a justiça e a paz?

Se assim o é, na vida Cristã, igualmente o será na vida do sacerdote: Nosso Senhor Jesus Cristo e o Divino Espírito Santo são os protagonistas da vida e da ação sacerdotal. O sacerdote é fruto e instrumento do amor de Deus. O sacerdote é santificado para santificar. O sacerdote vive da paz de Deus para tornar-se pacificador. “Como são belos sobre os montes os pés dos que anunciam a paz”, canta o profeta.

2.0 SEGUDA LEITURA: UM CATÓLICO TRISTE, SERÁ UM TRISTE CATÓLICO.

“Alegrai-vos sempre no Senhor! Alegrai-vos!”(Fl 4,4).  A alegria em Deus é elemento constitutivo da vida cristã, nasce da vida nova batismal, de inseridos em Jesus Cristo, de filhos e discípulos na Igreja. É uma alegria que nasce no coração e se expressa nos lábios, no olhar, nos gestos, no modo de viver.
A alegria dos filhos  de Deus é fruto da consciência de que somos sustentados pela providência de Deus que aquieta e serena o nosso coração. “A paz de Deus guarda nossos corações e pensamentos, em Cristo Jesus.”( Fl 4, 7)

A vida e o agir do sacerdote são marcados por semelhante alegria, ainda mais singular, pois ele participa do ser e do agir sacerdotal do próprio Jesus Cristo, nosso sumo e eterno sacerdote. Poderia haver alegria maior do que ser sacerdote da Igreja de Jesus Cristo? Podemos afirmar que um padre triste, será sem dúvida um triste padre.

3.0  PRIMEIRA LEITURA: A SEGURANÇA EM DEUS.

Da leitura que ouvimos da profecia de Sofonias, aprendemos que do perdão dos pecados e da paz com Deus nasce a alegria da pessoa temente a Deus. A este, Deus afasta os adversários, expulsa os inimigos e protege do mal, pois Ele é o salvador que nos renova com o seu amor. Se esta é a realidade da vida cristã, quanto mais é a verdade da vida do sacerdote: Deus está no sacerdote, se alegra por ele, por isso o renova com o seu amor; e não é alegria pouca, mas alegria de dia de festa.

4.0 NÚCLEO CENTRAL: VIDA E MISSÃO DO SACERDOTE.

Sofonias vive num tempo de miséria moral para o Povo de Deus. Ele anuncia não só o castigo, mas o perdão de Deus e o auxílio divino para uma vida nova. Realidade não muito distante viveu São João Batista, o Precursor, que ofereceu aos seus contemporâneos um batismo de conversão, como sinal de acolhida a Jesus Cristo, o Divino Salvador, de quem não se considerava digno de desatar as sandálias. Os dois profetas acenam para  a dimensão profética da vida e missão do sacerdote.

Em tempos tão difíceis, quando impera o relativismo religioso e moral, onde cresce a distância entre empobrecidos e enriquecidos, em um momento em que o universo religioso se multiplica em tantas opções, a pescaria de homens, como deseja Jesus Cristo, não se faz mais com redes, mas com anzol. O sacerdote é um profeta, um solitário profeta, embora na comunhão da Igreja,  a pescar homens na praia do mundo, um a um, para constituir o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O profetismo do sacerdote não é o mesmo do antigo testamento, que anunciava o Salvador. O sacerdote profeta dá Jesus Cristo às pessoas, suscitando a fé nos corações através do anúncio explícito e insistente do Evangelho, conduzindo-as ao Divino Salvador.

O protagonismo de Jesus Cristo e do Divino Espírito Santo na vida sacerdotal nos coloca, a nós sacerdotes, no lugar que nos é devido no Povo de Deus: estamos a serviço da constituição e santificação do Povo de Deus, devendo sustentá-lo através da caridade pastoral para que viva na paz de Deus e em paz com os homens de boa vontade.

Configurados por graça, não por merecimento, a Jesus Cristo sumo e eterno sacerdote, deve o padre, tem mesmo a obrigação, de não mais viver para si, mas existir oblativamente até a medida e intensidade do amor oblativo que encontramos em Jesus Cristo Crucificado. Assim, santificado e consagrado, o padre torna-se agente de santificação do Povo de Deus. Quanto mais santo for, mais eficiente será a sua ação sacerdotal santificante.

A alegria do sacerdote é seqüência natural do modo como vive a sua vida. Quanto mais o padre for sacerdote, mais feliz será; consequentemente, mais alegre viverá.

CONCLUSÃO: O PADRE VICENTE

Há anos passados Deus pousou o seu olhar sobre estas terras encantadas de São Francisco Xavier; no deleite divino da contemplação, Deus encantou-se com o coração do menino e jovem Vicente, filho desta terra, filho desta Igreja, e chamou-o para mais perto de si, desejoso de compartilhar com ele a sua missão, uma vez que já compartilhara com ele a sua vida.

Os anos passaram. O jovem Vicente foi-se a seguir as sendas que Jesus Cristo lhe mostrava, acolhido e ajudado pela Congregação dos Padres Somascos. Hoje ele volta à sua terra e à sua gente. Quis que sua ordenação sacerdotal fosse aqui, junto ao seu povo, escondido entre as serras, onde nascem as fontes, na origem, onde tudo começou com o batismo, a confissão, a Eucaristia, com a escuta da Palavra de Deus e com a vida de fé em comunidade. Voltar às origens nos momentos cruciais da vida, nos faz forte, encoraja, serena o coração, inspira confiança e restaura.

Daqui o Diácono Vicente novamente partirá, agora como sacerdote, como Padre Vicente, para missões outras que Deus lhe confiará, através da Igreja, pelas indicações dos superiores dos Padres Somascos.

Obrigado povo de São Francisco Xavier pela sua vida de fé, dentro da qual foi gerado este novo sacerdote. Obrigado familiares do Diácono Vicente, que fizeram dele um homem de bem e um cristão maduro. Obrigado Padres Somascos que fizeram do homem e cristão Vicente, um religioso, um consagrado, ajudando o Espírito Santo a esculpir o seu coração sacerdotal.

Obrigado Diácono Vicente por ter dito sim a viver esta indizível alegria de ser sacerdote de Jesus Cristo, na sua Igreja, para servir o Povo de Deus. Com uma vida sacerdotal santa e operosa, seja o Senhor causa de alegria, satisfação e orgulho para seus familiares, para a cidade e paróquia de São Francisco Xavier, e para a Congregação dos Padres Somascos. Deus o abençoe!

E nós? Em nosso percurso a caminho do Natal do Senhor, rezemos pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias! Sejamos amigos dos padres, rezemos com eles e por eles para que sejam bons sacerdotes, a serviço de Deus e servidores de seu povo.

E que ao Padre Vicente, daqui a pouco o será, não falte o terno e materno amor de Nossa Senhora, Mãe dos Sacerdotes.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

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