sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ANO NOVO!?


Ano novo, uma afirmação e uma interrogação. A dinâmica do início e fim do ano civil carrega consigo uma magia singular, natural ou obrigatoriamente: para uns, momento de festa e confraternização, numa decorrência natural do processo e da personalidade; para outros, hora de associação compulsória ao primeiro grupo, sob o risco de ficar alienado. Um novo ano não significa necessariamente um ano novo, o que poderá ser comprovado apenas ao seu término.

Os primeiros e últimos dias do ano são ocasião propícia para uma série de atitudes que podem fazer bem à vida pessoal e à sociedade, talvez mais à primeira e menos à segunda, uma vez que esta está necessariamente vinculada a estruturas regidas por princípios e organizações com interesses próprios e muito determinados que não são influenciáveis. Por isso, o novo ano pode ser um ano novo para as pessoas, enquanto motivação, mas poderá não sê-lo de fato  para a sociedade.

Pensar e viver o ano de 2013 à luz da fé na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, tal como é apresentado pela Igreja Católica Apostólica Romana, é um modo de inovar o novo ano fazendo dele um ano novo. Nosso Senhor Jesus Cristo, único e insubstituível Salvador, é o caminho para Deus, sem outras alternativas; Ele é a última palavra, e encarnada, da revelação divina, n’Ele Deus comunicou de si o que desejava; Ele é o portador da vida de Deus para a humanidade, o mundo e a história. Só Ele pode renovar e inovar fundamentalmente a pessoa e a sociedade. Tudo o mais será remendo em roupa velha, cuidados paliativos.

Uma atitude simples e preliminar pode e deve ocupar nossa atenção nestes dias: uma boa revisão de vida, passando em nossa mente e coração os capítulos da novela da qual participamos ao longo do ano que finda, na qual certamente não fomos atores coadjuvantes ou figurantes, mas atores principais. Responder ponderadamente a perguntas simples e complexas pode ajudar na elaboração de um projeto ou perspectivas para o ano vindouro: O que fiz? O que deixei de fazer? O que foi bom? O que poderia ter sido melhor?

As decisões e propósitos que ajudam a delinear e podem fazer o novo ano ser um ano novo devem estar fundadas no que fomos e fizemos no ano anterior, pois o contrário seria edificar a  casa de nossa vida em terreno movediço e sem os fundamentos necessários para uma existência consistente e substanciosa. Elaborar projetos, estabelecer metas, buscar estratégias para alcançar objetivos são atitudes necessárias e imprescindíveis para a pessoa e a sociedade. Estas projeções não podem ser imediatistas, desconsiderando o passado ou ignorando os sinais dos tempos que descortinam o horizonte futuro. 

Ações pessoais acabam por influenciar, pouco ou muito, a vida em sociedade, embora esta, na sua complexidade, não seja o somatório de ações individuais, mas é também resultante de forças ocultas e ações estruturais e globais que fogem ao controle das pessoas singulares. Valores como verdade, integridade, honestidade, justiça, solidariedade, laboriosidade, entre outros, não devem faltar nos propósitos para que o novo ano seja um ano novo, em âmbito pessoal e a influenciar a vida social. Como o Brasil precisa de agentes públicos decentes e estruturas que não estejam a serviço de interesses privados e corporativos, mas voltados para o conjunto da sociedade.

É preciso olhar com carinho para a juventude, que aspira por boas e bem constituídas famílias,  por educação de qualidade que a capacite para o mercado de trabalho, por chances de integração ativa e efetiva na sociedade sendo corresponsável  pela sua consolidação. É grande o número de jovens que não possuem acesso ao ensino profissionalizante e universitário. É significativa a quantidade de jovens que não estudam e não trabalham. O que será de uma nação que não cuida de seus jovens?

Formulo votos de que iluminados pela luz que é Jesus Cristo sejamos construtores de um novo ano que seja um ano novo, único, singular,  que corresponda ao que precisamos como filhos e filhas de Deus e cidadãos do Brasil, um país em construção que deve oferecer aos jovens o que eles precisam e têm direito.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.      

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

No Natal você é o endereço de Deus!



Que bom, é Natal! Chegou a solenidade, festa grande do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo! Missa, confissão, muita reza de louvor, glória e gratidão! Sons, luzes, cores odores e sabores! Alegria! Deus conosco! Vamos "festar"!

Dia desses vi num vídeo, no "you tube", uma meditação feita por um jovem leigo, poeta e cantor, paulista de Santa Bárbara d’Oeste, Abner Santos, que me levou às lágrimas, pois dizia nas palavras e na canção o que também experimento ser o Natal.

Vou tentar usar e combinar as palavrinhas, sem ser poeta nem cantor, para exprimir a você e aos que ama meu voto de Feliz Natal.

Às vezes nos sentimos, e pode ser que sejamos, como uma casa destelhada, de portas arrombadas e de paredes em ruína, com o mato crescendo no coração, com alguma coruja agourenta aninhada no cimo do que restou, mas confiantes no amor misericordioso de Deus.

Sentir-se destelhado é sentir-se desprotegido e requisitado a proteger, sem amparo e tendo que cuidar. Ter as portas arrombadas é sentir-se usado, explorado sem critérios, sem direito a ser querido tendo que querer.

Sentir-se com as paredes em ruínas é ter perdido a capacidade de resistir, de disciplinar a vida, de preservar a sagrada intimidade, onde só eu posso entrar, e onde até Deus respeita o meu sim e o meu não.

Sentir-se espiado pela coruja agourenta é não conseguir apreciar os elogios, os abraços e beijos e ser dominado pelos críticos negativistas de plantão que fazem da vida uma noite escura sem aurora.

Somos precários, caducos, frágeis, vulneráveis, franzinos, delicados como um cristal; porém belos, muito belos; bons, muito bons! Como diz a frase de pára-choque de caminhão: "Não sou dono do mundo, mas filho do Dono!"

Mesmo sentindo-se precário assim, ou assim sendo, você é o endereço de Deus no Natal: Jesus Cristo vem a você, vem morar em mim, casa destelhada, de portas arrombadas, de paredes em ruínas e com coruja de atalaia.

Porque sou o endereço de Deus no Natal? O Menino Jesus nasceu em um espaço empobrecido, onde tinha o mínimo do mínimo, mas não faltou  dignidade. As condições de seu nascimento não foram improvisadas, a solicitude e o zelo de José e Maria prepararam o possível, enquanto possível, para uma família itinerante em viagem de recenseamento, para oferecer ao Menino todo o amor do mundo, não foram uns "desmazelados".

O Menino deitado na manjedoura, envolto em panos, é o retrato da contingência humana. Bendita precariedade humana que suscitou o desejo de Deus de fazer-se precário e vir saciar a sua e a nossa saudade.

O corpo do Menino envolto em faixas no presépio, é o corpo do Crucificado com a faixa na cintura, é o corpo do Ressuscitado que deixou no sepulcro os lençóis dobrados. Inaudita continuidade entre a Encarnação, a Morte e a Ressurreição, o mistério da fé, Deus Criador e Salvador.

No Natal, em nossa precariedade, Deus faz-se precário e vem habitar em nós e entre nós! No Natal, você, eu, nós, somos o endereço de Deus!

Feliz Natal! Receba meu abraço, bem, bem apertado! Acolha meu ósculo no seu coração, e o transmito a pedido de Deus! Em espírito, não mal assombrado, sento-me à sua mesa com os seus e alegro-me com a alegria que a todos contagia neste tempo de Natal.

Não me esqueço dos que nestes dias estão imersos na solidão, no sofrimento, na tristeza e no luto. Permita-me enxugar-lhes as lágrimas, ainda que por uma horinha! É Natal! Tem esperança! Um bispo, pecador na sucessão dos apóstolos, reza com e por você.

Amplexo e todo bem!!!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

HOMILIA DA ORDENAÇÃO SACERDOTAL DO DIÁCONO VICENTE


HOMILIA DA ORDENAÇÃO SACERDOTAL DO DIÁCONO VICENTE – SOMASCO
SÃO FRANCISCO XAVIER, 16 DE DEZEMBRO DE 2012.

INTRODUÇÃO:
Como é bom, nesta manhã de 16 de dezembro, ser acolhido nesta Igreja dedicada a São Francisco Xavier, o grande missionário jesuíta que missionou parte da Ásia, China e Japão, por amor a Jesus Cristo, proclamando o seu evangelho de salvação. Acolhe a singela igreja, a cidade, simples e bela como a Nazaré da Sagrada Família, ou como Betânia, a cidadela de Lázaro, Marta e Maria.  Nossa cidade de São Francisco Xavier é uma preciosa jóia escondida por entre estas serras que repousam o corpo e encantam o coração.

“Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!”,  nesta Páscoa semanal, o domingo, dia do Senhor, o glorificado pela cruz e ressurreição. Hoje somos também motivados pela ordenação sacerdotal do filho desta terra, nosso amigo e irmão, Diácono Vicente, religioso somasco, testemunho de que Deus continua a suscitar-nos pastores segundo o seu coração.

Estamos celebrando a santa Missa à sombra do advento, estamos no terceiro domingo, o da alegria, precedido pelo da vigilância e o da conversão. Estamos alegres, muito alegres, pois o Senhor virá glorificar-nos, ao seu modo de ressuscitado; alegres, mui alegres,  vislumbrando no horizonte a celebração do Natal de Jesus Cristo; alegres, alegríssimos, pela resposta positiva e propositiva de nosso irmão e amigo, Diácono Vicente, ao chamado da Igreja  que o convida para ser ordenado sacerdote a serviço do Povo de Deus.

1.0 O EVANGELHO: PROTAGONISMO DE JESUS CRISTO E DO ESPÍRITO SANTO.
No Evangelho proclamado, João Batista recorda três virtudes fundantes da amizade com Jesus Cristo: a caridade, a justiça e a paz. É imperativo para nós, apaixonados por Jesus Cristo, como exigência interior, viver no amor, promover a justiça e construir a paz. Antes de serem realidades fruto de nossa ação e esforço próprio, são dons de Deus, aos quais respondemos com nosso assentimento e cooperação, no âmbito moral da vida cristã.

Deus é amor e nos capacita a amá-Lo e ao próximo, graças ao dom do Divino Espírito Santo. Deus é Justo, nos justifica em Jesus Cristo e nos faz capazes de agir justamente. Deus é fonte da paz que recebemos como presente de Jesus Cristo ressuscitado.

São João Batista reconhece o protagonismo de Jesus Cristo na obra salvadora de Deus, de quem ele é um humilde servidor. Em Jesus Cristo, o Pai derrama profusamente sobre o seu Povo Novo, a graça do Divino Espírito Santo, o fogo instaurador da nova realidade do Reino de Deus.

Como compreender nossa vida sem Jesus Cristo e sem  o Divino Espírito Santo? Como viver sem o amor, a justiça e a paz?

Se assim o é, na vida Cristã, igualmente o será na vida do sacerdote: Nosso Senhor Jesus Cristo e o Divino Espírito Santo são os protagonistas da vida e da ação sacerdotal. O sacerdote é fruto e instrumento do amor de Deus. O sacerdote é santificado para santificar. O sacerdote vive da paz de Deus para tornar-se pacificador. “Como são belos sobre os montes os pés dos que anunciam a paz”, canta o profeta.

2.0 SEGUDA LEITURA: UM CATÓLICO TRISTE, SERÁ UM TRISTE CATÓLICO.

“Alegrai-vos sempre no Senhor! Alegrai-vos!”(Fl 4,4).  A alegria em Deus é elemento constitutivo da vida cristã, nasce da vida nova batismal, de inseridos em Jesus Cristo, de filhos e discípulos na Igreja. É uma alegria que nasce no coração e se expressa nos lábios, no olhar, nos gestos, no modo de viver.
A alegria dos filhos  de Deus é fruto da consciência de que somos sustentados pela providência de Deus que aquieta e serena o nosso coração. “A paz de Deus guarda nossos corações e pensamentos, em Cristo Jesus.”( Fl 4, 7)

A vida e o agir do sacerdote são marcados por semelhante alegria, ainda mais singular, pois ele participa do ser e do agir sacerdotal do próprio Jesus Cristo, nosso sumo e eterno sacerdote. Poderia haver alegria maior do que ser sacerdote da Igreja de Jesus Cristo? Podemos afirmar que um padre triste, será sem dúvida um triste padre.

3.0  PRIMEIRA LEITURA: A SEGURANÇA EM DEUS.

Da leitura que ouvimos da profecia de Sofonias, aprendemos que do perdão dos pecados e da paz com Deus nasce a alegria da pessoa temente a Deus. A este, Deus afasta os adversários, expulsa os inimigos e protege do mal, pois Ele é o salvador que nos renova com o seu amor. Se esta é a realidade da vida cristã, quanto mais é a verdade da vida do sacerdote: Deus está no sacerdote, se alegra por ele, por isso o renova com o seu amor; e não é alegria pouca, mas alegria de dia de festa.

4.0 NÚCLEO CENTRAL: VIDA E MISSÃO DO SACERDOTE.

Sofonias vive num tempo de miséria moral para o Povo de Deus. Ele anuncia não só o castigo, mas o perdão de Deus e o auxílio divino para uma vida nova. Realidade não muito distante viveu São João Batista, o Precursor, que ofereceu aos seus contemporâneos um batismo de conversão, como sinal de acolhida a Jesus Cristo, o Divino Salvador, de quem não se considerava digno de desatar as sandálias. Os dois profetas acenam para  a dimensão profética da vida e missão do sacerdote.

Em tempos tão difíceis, quando impera o relativismo religioso e moral, onde cresce a distância entre empobrecidos e enriquecidos, em um momento em que o universo religioso se multiplica em tantas opções, a pescaria de homens, como deseja Jesus Cristo, não se faz mais com redes, mas com anzol. O sacerdote é um profeta, um solitário profeta, embora na comunhão da Igreja,  a pescar homens na praia do mundo, um a um, para constituir o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O profetismo do sacerdote não é o mesmo do antigo testamento, que anunciava o Salvador. O sacerdote profeta dá Jesus Cristo às pessoas, suscitando a fé nos corações através do anúncio explícito e insistente do Evangelho, conduzindo-as ao Divino Salvador.

O protagonismo de Jesus Cristo e do Divino Espírito Santo na vida sacerdotal nos coloca, a nós sacerdotes, no lugar que nos é devido no Povo de Deus: estamos a serviço da constituição e santificação do Povo de Deus, devendo sustentá-lo através da caridade pastoral para que viva na paz de Deus e em paz com os homens de boa vontade.

Configurados por graça, não por merecimento, a Jesus Cristo sumo e eterno sacerdote, deve o padre, tem mesmo a obrigação, de não mais viver para si, mas existir oblativamente até a medida e intensidade do amor oblativo que encontramos em Jesus Cristo Crucificado. Assim, santificado e consagrado, o padre torna-se agente de santificação do Povo de Deus. Quanto mais santo for, mais eficiente será a sua ação sacerdotal santificante.

A alegria do sacerdote é seqüência natural do modo como vive a sua vida. Quanto mais o padre for sacerdote, mais feliz será; consequentemente, mais alegre viverá.

CONCLUSÃO: O PADRE VICENTE

Há anos passados Deus pousou o seu olhar sobre estas terras encantadas de São Francisco Xavier; no deleite divino da contemplação, Deus encantou-se com o coração do menino e jovem Vicente, filho desta terra, filho desta Igreja, e chamou-o para mais perto de si, desejoso de compartilhar com ele a sua missão, uma vez que já compartilhara com ele a sua vida.

Os anos passaram. O jovem Vicente foi-se a seguir as sendas que Jesus Cristo lhe mostrava, acolhido e ajudado pela Congregação dos Padres Somascos. Hoje ele volta à sua terra e à sua gente. Quis que sua ordenação sacerdotal fosse aqui, junto ao seu povo, escondido entre as serras, onde nascem as fontes, na origem, onde tudo começou com o batismo, a confissão, a Eucaristia, com a escuta da Palavra de Deus e com a vida de fé em comunidade. Voltar às origens nos momentos cruciais da vida, nos faz forte, encoraja, serena o coração, inspira confiança e restaura.

Daqui o Diácono Vicente novamente partirá, agora como sacerdote, como Padre Vicente, para missões outras que Deus lhe confiará, através da Igreja, pelas indicações dos superiores dos Padres Somascos.

Obrigado povo de São Francisco Xavier pela sua vida de fé, dentro da qual foi gerado este novo sacerdote. Obrigado familiares do Diácono Vicente, que fizeram dele um homem de bem e um cristão maduro. Obrigado Padres Somascos que fizeram do homem e cristão Vicente, um religioso, um consagrado, ajudando o Espírito Santo a esculpir o seu coração sacerdotal.

Obrigado Diácono Vicente por ter dito sim a viver esta indizível alegria de ser sacerdote de Jesus Cristo, na sua Igreja, para servir o Povo de Deus. Com uma vida sacerdotal santa e operosa, seja o Senhor causa de alegria, satisfação e orgulho para seus familiares, para a cidade e paróquia de São Francisco Xavier, e para a Congregação dos Padres Somascos. Deus o abençoe!

E nós? Em nosso percurso a caminho do Natal do Senhor, rezemos pelas vocações sacerdotais, religiosas e missionárias! Sejamos amigos dos padres, rezemos com eles e por eles para que sejam bons sacerdotes, a serviço de Deus e servidores de seu povo.

E que ao Padre Vicente, daqui a pouco o será, não falte o terno e materno amor de Nossa Senhora, Mãe dos Sacerdotes.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Missa presidida por D. Tomé - Paróquia Santa Luzia em Rio Preto






IMPLICAÇÕES ECONÔMICAS DA VIDA DE FÉ

Algum dualismo entre corpo e espírito, resquício de uma concepção platônica da vida, tem repercussão na vida de fé e afeta a vida do Povo de Deus. Nós, católicos apostólicos romanos, ordenados ou não, temos dificuldade para uma correta compreensão das implicações econômicas de nossa vida de fé; o bolso acaba se tornando o lugar mais sensível de nosso corpo, embora hoje não seja ele mais depositário de dinheiro, numa época em o mesmo em espécie está fora de moda.

O dinheiro, justo fruto do trabalho, deve propiciar a cada pessoa e família uma vida digna, respondendo às mais diversas necessidades de sobrevivência, cultura e lazer. Uma parte honesta do mesmo devemos aplicar no exercício da caridade, destinando-o aos empobrecidos. De acordo com o nosso coração, tendo em vista as necessidades, devemos oferecer à Igreja, livremente, a nossa contribuição na forma do dízimo, da oferta e das espórtulas.

Em algumas ocasiões do ano realizamos algumas coletas especiais com destinações específicas. Por ocasião da sexta feira santa recolhemos doações para a manutenção dos lugares santos, onde Jesus Cristo viveu. Na festa de São Pedro e São Paulo fazemos nossa oferta para as obras de caridade do Santo Padre o Papa, o chamado óbulo de São Pedro. No mês de outubro ajudamos as missões ad gentes, isto é, prover o sustento das missões em terras empobrecidas e ou não evangelizadas.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, criou a Coleta da Campanha da Fraternidade, sempre na quaresma, que reúne o fruto de nossa penitência, e cujo resultado é sempre aplicado nas obras sociais. No advento, em dezembro, tem a Coleta para a Evangelização, cujo resultado é usado nas obras de propagação do evangelho. Estas duas coletas são repartidas, ficando parte na diocese e a outra remetida à CNBB e ao Regional Sul 1 . Mensalmente, cada diocese também oferece uma parte do que possui para o sustento de dioceses brasileiras empobrecidas.

“A Coleta para a Evangelização foi criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em 1998, sendo realizada no terceiro domingo do advento, neste ano nos dias 15 e 16 de dezembro. O valor angariado constitui o fundo para a evangelização, que é administrado pela comissão de assuntos financeiros da CNBB, destinado a apoiar as estruturas da Igreja e a atividade evangelizadora em nível diocesano, regional e nacional.”

“A Coleta para a Evangelização significa a abertura de um caminho para canalizar a solidariedade de todos os católicos no sustento da missão da Igreja em nosso país. Com isso, segue o exemplo das primeiras comunidades, às quais Paulo recomendava que os que têm enriqueçam de boas obras, dêem com prodigalidade, repartam com os demais.(cf 2Cor 8 e 9)”

“Com esse espírito de solidariedade e testemunho, os recursos arrecadados por essa campanha são repartidos, seguindo critérios específicos, priorizando sempre as regiões mais carentes e as necessidades mais prementes nos diversos campos de evangelização. Destinação das coletas, a partir do valor total arrecadado em cada diocese: 45% para a diocese; 20% para o regional da CNBB; 35% para a CNBB nacional.”

“Não se deve esquecer que a Coleta para a Evangelização é um compromisso da Igreja Católica no Brasil com a sua auto-sustentação. Até hoje, muitas pastorais, paróquias e dioceses dependem de recursos da cooperação internacional, contribuições de cristãos de outros países do mundo, para manutenção de suas atividades e estrutura. Espera-se que a coleta de recursos nacionais possa cada vez mais levar as comunidades a assumirem, com seus próprios recursos ou de outras comunidades irmãs, as suas atividades pastorais.”

Rezemos: “Ó Deus, quisestes que a vossa Igreja fosse no mundo o sacramento da salvação para todas as nações, a fim de que a obra do Cristo que vem continuasse até o fim dos tempos. Derramai o Espírito prometido, para que aumente em nós o ardor da evangelização e faça brotar nos corações a resposta da fé. Por Cristo, nosso Senhor. Amém!”

Caro fiel, “Evangelização tem ação no nome. Doação também.” Doe! Neste 15 e 16 de dezembro, ao participar da santa Missa, faça uma justa e honesta contribuição para a Evangelização. O valor total arrecadado em sua paróquia será remetido pelo respectivo pároco ou administrador paroquial à Diocese de São José de São do Rio Preto, que fará a prevista distribuição. Também as capelas, oratórios, comunidades de vida, ou qualquer outro lugar onde houver celebração da santa Missa, devem realizar a coleta e encaminhar o valor para a Diocese.

Bom tempo do advento!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI para a JMJ 2013


XXVIII Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, em Julho de 2013

“Ide e fazei discípulos entre as nações!” (cf. Mt 28,19)

Queridos jovens, Desejo fazer chegar a todos vós minha saudação cheia de alegria e afeto. Tenho a certeza que muitos de vós regressastes a casa da Jornada Mundial da Juventude em Madri mais “enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé” (cf. Col 2,7). Este ano, inspirados pelo tema: “Alegrai-vos sempre no Senhor” (Fil 4,4) celebramos a alegria de ser cristãos nas várias dioceses. E agora estamos nos preparando para a próxima Jornada Mundial, que será celebrada no Rio de Janeiro, Brasil, em julho de 2013.

Desejo, em primeiro lugar, renovar a vós o convite para participardes nesse importante evento. A conhecida estátua do Cristo Redentor, que se eleva sobre àquela bela cidade brasileira, será o símbolo eloquente deste convite: seus braços abertos são o sinal da acolhida que o Senhor reservará a todos quantos vierem até Ele, e o seu coração retrata o imenso amor que Ele tem por cada um e cada uma de vós. Deixai-vos atrair por Ele! Vivei essa experiência de encontro com Cristo, junto com tantos outros jovens que se reunirão no Rio para o próximo encontro mundial! Deixai-vos amar por Ele e sereis as testemunhas de que o mundo precisa.

Convido a vos preparardes para a Jornada Mundial do Rio de Janeiro, meditando desde já sobre o tema do encontro: “Ide e fazei discípulos entre as nações” (cf. Mt 28,19). Trata-se da grande exortação missionária que Cristo deixou para toda a Igreja e que permanece atual ainda hoje, dois mil anos depois. Agora, este mandato deve ressoar fortemente em vosso coração. O ano de preparação para o encontro do Rio coincide com o Ano da Fé, no início do qual o Sínodo dos Bispos dedicou os seus trabalhos à “nova evangelização para a transmissão da fé cristã”. Por isso, me alegro que também vós, queridos jovens, sejais envolvidos neste impulso missionário de toda a Igreja: fazer conhecer Cristo é o dom mais precioso que podeis fazer aos outros.

1. UMA CHAMADA URGENTE


A história mostra-nos muitos jovens que, através do dom generoso de si mesmos, contribuíram grandemente para o Reino de Deus e para o desenvolvimento deste mundo, anunciando o Evangelho. Com grande entusiasmo, levaram a Boa Nova do Amor de Deus manifestado em Cristo, com meios e possibilidades muito inferiores àqueles de que dispomos hoje em dia. Penso, por exemplo, no Beato José de Anchieta, jovem jesuíta espanhol do século 16, que partiu em missão para o Brasil quando tinha menos de 20 anos e se tornou um grande apóstolo do Novo Mundo. Mas penso também em tantos de vós que se dedicam generosamente à missão da Igreja: disto mesmo tive um testemunho surpreendente na Jornada Mundial de Madri, em particular na reunião com os voluntários.

Hoje, não poucos jovens duvidam profundamente que a vida seja um bem, e não veem com clareza o próprio caminho. De um modo geral, diante das dificuldades do mundo contemporâneo, muitos se perguntam: E eu, que posso fazer? A luz da fé ilumina esta escuridão, nos fazendo compreender que toda existência tem um valor inestimável, porque é fruto do amor de Deus. Ele ama mesmo quem se distanciou ou esqueceu d’Ele: tem paciência e espera; mais que isso, deu o seu Filho, morto e ressuscitado, para nos libertar radicalmente do mal. E Cristo enviou os seus discípulos para levar a todos os povos este alegre anúncio de salvação e de vida nova.

A Igreja, para continuar esta missão de evangelização, conta também convosco. Queridos jovens, vós sois os primeiros missionários no meio dos jovens da vossa idade! No final do Concílio Ecumênico Vaticano II, cujo cinquentenário celebramos neste ano, o Servo de Deus Paulo VI entregou aos jovens e às jovens do mundo inteiro uma mensagem que começava com estas palavras: “É a vós, rapazes e moças de todo o mundo, que o Concílio quer dirigir a sua última mensagem, pois sereis vós a recolher o facho das mãos dos vossos antepassados e a viver no mundo no momento das mais gigantescas transformações da sua história, sois vós quem, recolhendo o melhor do exemplo e do ensinamento dos vossos pais e mestres, ides constituir a sociedade de amanhã: salvar-vos-eis ou perecereis com ela”. E concluía com um apelo: “Construí com entusiasmo um mundo melhor que o dos vossos antepassados!” (Mensagem aos jovens, 8 de dezembro de 1965).

Queridos amigos, este convite é extremamente atual. Estamos passando por um período histórico muito particular: o progresso técnico nos deu oportunidades inéditas de interação entre os homens e entre os povos, mas a globalização destas relações só será positiva e fará crescer o mundo em humanidade se estiver fundada não sobre o materialismo, mas sobre o amor, a única realidade capaz de encher o coração de cada um e unir as pessoas. Deus é amor. O homem que esquece Deus fica sem esperança e se torna incapaz de amar seu semelhante. Por isso é urgente testemunhar a presença de Deus para que todos possam experimentá-la: está em jogo a salvação da humanidade, a salvação de cada um de nós. Qualquer pessoa que entenda essa necessidade, não poderá deixar de exclamar com São Paulo: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1 Cor 9,16).


2. TORNAI-VOS DISCÍPULOS DE CRISTO

Esta chamada missionária vos é dirigida também por outro motivo: é necessário para o nosso caminho de fé pessoal. O Beato João Paulo II escrevia: “É dando a fé que ela se fortalece” (Encíclica “Redemptoris missio”, 2). Ao anunciar o Evangelho, vós mesmos cresceis em um enraizamento cada vez mais profundo em Cristo, vos tornais cristãos maduros. O compromisso missionário é uma dimensão essencial da fé: não se crê verdadeiramente, se não se evangeliza. E o anúncio do Evangelho não pode ser senão consequência da alegria de ter encontrado Cristo e ter descoberto n’Ele a rocha sobre a qual construir a própria existência. Comprometendo-vos no serviço aos demais e no anúncio do Evangelho, a vossa vida, muitas vezes fragmentada entre tantas atividades diversas, encontrará no Senhor a sua unidade; construir-vos-eis também a vós mesmos; crescereis e amadurecereis em humanidade.

Mas, que significa ser missionário? Significa acima de tudo ser discípulo de Cristo e ouvir sem cessar o convite a segui-Lo, o convite a fixar o olhar n’Ele: “Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). O discípulo, de fato, é uma pessoa que se põe à escuta da Palavra de Jesus (cf. Lc 10,39), a quem reconhece como o Mestre que nos amou até o dom de sua vida. Trata-se, portanto, de cada um de vós deixar-se plasmar diariamente pela Palavra de Deus: ela vos transformará em amigos do Senhor Jesus, capazes de fazer outros jovens entrar nesta mesma amizade com Ele.

Aconselho-vos a guardar na memória os dons recebidos de Deus, para poder transmiti-los ao vosso redor. Aprendei a reler a vossa história pessoal, tomai consciência também do maravilhoso legado recebido das gerações que vos precederam: tantos cristãos nos transmitiram a fé com coragem, enfrentando obstáculos e incompreensões. Não o esqueçamos jamais! Fazemos parte de uma longa cadeia de homens e mulheres que nos transmitiram a verdade da fé e contam conosco para que outros a recebam. Ser missionário pressupõe o conhecimento deste patrimônio recebido que é a fé da Igreja: é necessário conhecer aquilo em que se crê, para podê-lo anunciar. Como escrevi na introdução do YouCat, o Catecismo para jovens que vos entreguei no Encontro Mundial de Madri, “tendes de conhecer a vossa fé como um especialista em informática domina o sistema operacional de um computador. Tendes de compreendê-la como um bom músico entende uma partitura. Sim, tendes de estar enraizados na fé ainda mais profundamente que a geração dos vossos pais, para enfrentar os desafios e as tentações deste tempo com força e determinação” (Prefácio).


3. IDE!

Jesus enviou os seus discípulos em missão com este mandato: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo” (Mc 16,15-16). Evangelizar significa levar aos outros a Boa Nova da salvação, e esta Boa Nova é uma pessoa: Jesus Cristo. Quando O encontro, quando descubro até que ponto sou amado por Deus e salvo por Ele, nasce em mim não apenas o desejo, mas a necessidade de fazê-lo conhecido pelos demais. No início do Evangelho de João, vemos como André, depois de ter encontrado Jesus, se apressa em conduzir a Ele seu irmão Simão (cf. 1,40-42). A evangelização sempre parte do encontro com o Senhor Jesus: quem se aproximou d’Ele e experimentou o seu amor, quer logo partilhar a beleza desse encontro e a alegria que nasce dessa amizade. Quanto mais conhecemos a Cristo, tanto mais queremos anunciá-lo. Quanto mais falamos com Ele, tanto mais queremos falar d’Ele. Quanto mais somos conquistados por Ele, tanto mais desejamos levar outras pessoas para Ele.

Pelo Batismo, que nos gera para a vida nova, o Espírito Santo vem habitar em nós e inflama a nossa mente e o nosso coração: é Ele que nos guia para conhecer a Deus e entrar em uma amizade sempre mais profunda com Cristo. É o Espírito que nos impulsiona a fazer o bem, servindo os outros com o dom de nós mesmos. Depois, através do sacramento da Confirmação, somos fortalecidos pelos seus dons, para testemunhar de modo sempre mais maduro o Evangelho. Assim, o Espírito de amor é a alma da missão: Ele nos impele a sair de nós mesmos para “ir” e evangelizar. Queridos jovens, deixai-vos conduzir pela força do amor de Deus, deixai que este amor vença a tendência de fechar-se no próprio mundo, nos próprios problemas, nos próprios hábitos; tende a coragem de “sair” de vós mesmos para “ir” ao encontro dos outros e guiá-los ao encontro de Deus.

4. ALCANÇAI TODOS OS POVOS

Cristo ressuscitado enviou os seus discípulos para dar testemunho de sua presença salvífica a todos os povos, porque Deus, no seu amor superabundante, quer que todos sejam salvos e ninguém se perca. Com o sacrifício de amor na Cruz, Jesus abriu o caminho para que todo homem e toda mulher possa conhecer a Deus e entrar em comunhão de amor com Ele. E constituiu uma comunidade de discípulos para levar o anúncio salvífico do Evangelho até os confins da terra, a fim de alcançar os homens e as mulheres de todos os lugares e de todos os tempos. Façamos nosso esse desejo de Deus!

Queridos amigos, estendei o olhar e vede ao vosso redor: tantos jovens perderam o sentido da sua existência. Ide! Cristo precisa também de vós. Deixai-vos envolver pelo seu amor, sede instrumentos desse amor imenso, para que alcance a todos, especialmente aos “afastados”. Alguns encontram-se geograficamente distantes, enquanto outros estão longe porque a sua cultura não dá espaço para Deus; alguns ainda não acolheram o Evangelho pessoalmente, enquanto outros, apesar de o terem recebido, vivem como se Deus não existisse. A todos abramos a porta do nosso coração; procuremos entrar em diálogo com simplicidade e respeito: este diálogo, se vivido com uma amizade verdadeira, dará seus frutos. Os “povos”, aos quais somos enviados, não são apenas os outros países, mas também os diversos âmbitos de vida: as famílias, os bairros, os ambientes de estudo ou de trabalho, os grupos de amigos e os locais de lazer. O jubiloso anúncio do Evangelho se destina a todos os âmbitos da nossa vida, sem exceção.

Gostaria de destacar dois campos, nos quais deve fazer-se ainda mais solícito o vosso empenho missionário. O primeiro é o das comunicações sociais, em particular o mundo da internet. Como tive já oportunidade de dizer-vos, queridos jovens, “senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida! [...] A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da evangelização deste “continente digital” (Mensagem para o XLIII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24 de maio de 2009). Aprendei, portanto, a usar com sabedoria este meio, levando em conta também os perigos que ele traz consigo, particularmente o risco da dependência, de confundir o mundo real com o virtual, de substituir o encontro e o diálogo direto com as pessoas por contatos na rede.

O segundo campo é o da mobilidade. Hoje são sempre mais numerosos os jovens que viajam, seja por motivos de estudo ou de trabalho, seja por diversão. Mas penso também em todos os movimentos migratórios, que levam milhões de pessoas, frequentemente jovens, a se transferir e mudar de região ou país, por razões econômicas ou sociais. Também estes fenômenos podem se tornar ocasiões providenciais para a difusão do Evangelho. Queridos jovens, não tenhais medo de testemunhar a vossa fé também nesses contextos: para aqueles com quem vos deparareis, é um dom precioso a comunicação da alegria do encontro com Cristo.


5. FAZEI DISCÍPULOS!

Penso que já várias vezes experimentastes a dificuldade de envolver os jovens da vossa idade na experiência da fé. Frequentemente tereis constatado que em muitos deles, especialmente em certas fases do caminho da vida, existe o desejo de conhecer a Cristo e viver os valores do Evangelho, mas tal desejo é acompanhado pela sensação de ser inadequados e incapazes. Que fazer? Em primeiro lugar, a vossa solicitude e a simplicidade do vosso testemunho serão um canal através do qual Deus poderá tocar seu coração. O anúncio de Cristo não passa somente através das palavras, mas deve envolver toda a vida e traduzir-se em gestos de amor. A ação de evangelizar nasce do amor que Cristo infundiu em nós; por isso, o nosso amor deve conformar-se sempre mais ao d’Ele. Como o Bom Samaritano, devemos manter-nos solidários com quem encontramos, sabendo escutar, compreender e ajudar, para conduzir quem procura a verdade e o sentido da vida, à casa de Deus que é a Igreja, onde há esperança e salvação (cf. Lc 10,29-37). Queridos amigos, nunca esqueçais que o primeiro ato de amor que podeis fazer ao próximo é partilhar a fonte da nossa esperança: quem não dá Deus, dá muito pouco. Aos seus apóstolos, Jesus ordena: “Fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei” (Mt 28,19-20). Os meios que temos para “fazer discípulos” são principalmente o Batismo e a catequese. Isto significa que devemos conduzir as pessoas que estamos evangelizando ao encontro com Cristo vivo, particularmente na sua Palavra e nos Sacramentos: assim poderão crer n’Ele, conhecerão a Deus e viverão da sua graça. Gostaria que cada um de vós se perguntasse: Alguma vez tive a coragem de propor o Batismo a jovens que ainda não o receberam? Convidei alguém a seguir um caminho de descoberta da fé cristã? Queridos amigos, não tenhais medo de propor aos jovens da vossa idade o encontro com Cristo. Invocai o Espírito Santo: Ele vos guiará para entrardes sempre mais no conhecimento e no amor de Cristo, e vos tornará criativos na transmissão do Evangelho.


6. FIRMES NA FÉ

Diante das dificuldades na missão de evangelizar, às vezes sereis tentados a dizer como o profeta Jeremias: “Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo”. Mas, também a vós, Deus responde: “Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar, irás” (Jr 1,6-7). Quando vos sentirdes inadequados, incapazes e frágeis para anunciar e testemunhar a fé, não tenhais medo. A evangelização não é uma iniciativa nossa nem depende primariamente dos nossos talentos, mas é uma resposta confiante e obediente à chamada de Deus, e portanto não se baseia sobre a nossa força, mas na d’Ele. Isso mesmo experimentou o apóstolo Paulo: “Trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós” (2 Cor 4,7).

Por isso convido-vos a enraizar-vos na oração e nos sacramentos. A evangelização autêntica nasce sempre da oração e é sustentada por esta: para poder falar de Deus, devemos primeiro falar com Deus. E, na oração, confiamos ao Senhor as pessoas às quais somos enviados, suplicando-Lhe que toque o seu coração; pedimos ao Espírito Santo que nos torne seus instrumentos para a salvação dessas pessoas; pedimos a Cristo que coloque as palavras nos nossos lábios e faça de nós sinais do seu amor. E, de modo mais geral, rezamos pela missão de toda a Igreja, de acordo com a ordem explícita de Jesus: “Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” (Mt 9,38). Sabei encontrar na Eucaristia a fonte da vossa vida de fé e do vosso testemunho cristão, participando com fidelidade na missa ao domingo e sempre que possível também durante a semana. Recorrei frequentemente ao sacramento da Reconciliação: é um encontro precioso com a misericórdia de Deus que nos acolhe, perdoa e renova os nossos corações na caridade. E, se ainda não o recebestes, não hesiteis em receber o sacramento da Confirmação ou Crisma, preparando-vos com cuidado e solicitude. Junto com a Eucaristia, esse é o sacramento da missão, porque nos dá a força e o amor do Espírito Santo para professar sem medo a fé. Encorajo-vos ainda à prática da adoração eucarística: permanecer à escuta e em diálogo com Jesus presente no Santíssimo Sacramento, torna-se ponto de partida para um renovado impulso missionário.

Se seguirdes este caminho, o próprio Cristo vos dará a capacidade de ser plenamente fiéis à sua Palavra e de testemunhá-Lo com lealdade e coragem. Algumas vezes sereis chamados a dar provas de perseverança, particularmente quando a Palavra de Deus suscitar reservas ou oposições. Em certas regiões do mundo, alguns de vós sofrem por não poder testemunhar publicamente a fé em Cristo, por falta de liberdade religiosa. E há quem já tenha pagado com a vida o preço da própria pertença à Igreja. Encorajo-vos a permanecer firmes na fé, certos de que Cristo está ao vosso lado em todas as provas. Ele vos repete: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5,11-12).


7. COM TODA A IGREJA

Queridos jovens, para permanecer firmes na confissão da fé cristã nos vários lugares onde sois enviados, precisais da Igreja. Ninguém pode ser testemunha do Evangelho sozinho. Jesus enviou em missão os seus discípulos juntos: o mandato “fazei discípulos” é formulado no plural. Assim, é sempre como membros da comunidade cristã que prestamos o nosso testemunho, e a nossa missão torna-se fecunda pela comunhão que vivemos na Igreja: seremos reconhecidos como discípulos de Cristo pela unidade e o amor que tivermos uns com os outros (cf. Jo 13,35). Agradeço ao Senhor pela preciosa obra de evangelização que realizam as nossas comunidades cristãs, as nossas paróquias, os nossos movimentos eclesiais. Os frutos desta evangelização pertencem a toda a Igreja: “um é o que semeia e outro o que colhe”, dizia Jesus (Jo 4,37).

A propósito, não posso deixar de dar graças pelo grande dom dos missionários, que dedicam toda a sua vida ao anúncio do Evangelho até os confins da terra. Do mesmo modo bendigo o Senhor pelos sacerdotes e os consagrados, que ofertam inteiramente as suas vidas para que Jesus Cristo seja anunciado e amado. Desejo aqui encorajar os jovens chamados por Deus a alguma dessas vocações, para que se comprometam com entusiasmo: “Há mais alegria em dar do que em receber!” (At 20,35). Àqueles que deixam tudo para segui-Lo, Jesus prometeu o cêntuplo e a vida eterna (cf. Mt 19,29).

Dou graças também por todos os fiéis leigos que se empenham por viver o seu dia a dia como missão, nos diversos lugares onde se encontram, tanto em família como no trabalho, para que Cristo seja amado e cresça o Reino de Deus. Penso particularmente em quantos atuam no campo da educação, da saúde, do mundo empresarial, da política e da economia, e em tantos outros âmbitos do apostolado dos leigos. Cristo precisa do vosso empenho e do vosso testemunho. Que nada – nem as dificuldades, nem as incompreensões – vos faça renunciar a levar o Evangelho de Cristo aos lugares onde vos encontrais: cada um de vós é precioso no grande mosaico da evangelização!


8. “AQUI ESTOU, SENHOR!”

Em suma, queridos jovens, queria vos convidar a escutar no íntimo de vós mesmos a chamada de Jesus para anunciar o seu Evangelho. Como mostra a grande estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o seu coração está aberto para amar a todos sem distinção, e seus braços estendidos para alcançar a cada um. Sede vós o coração e os braços de Jesus. Ide testemunhar o seu amor, sede os novos missionários animados pelo seu amor e acolhimento. Segui o exemplo dos grandes missionários da Igreja, como São Francisco Xavier e muitos outros.

No final da Jornada Mundial da Juventude em Madri, dei a bênção a alguns jovens de diferentes continentes que partiam em missão. Representavam a multidão de jovens que, fazendo eco às palavras do profeta Isaías, diziam ao Senhor: “Aqui estou! Envia-me” (Is 6,8). A Igreja tem confiança em vós e vos está profundamente grata pela alegria e o dinamismo que trazeis: usai os vossos talentos generosamente ao serviço do anúncio do Evangelho. Sabemos que o Espírito Santo se dá a quantos, com humildade de coração, se tornam disponíveis para tal anúncio. E não tenhais medo! Jesus, Salvador do mundo, está conosco todos os dias, até o fim dos tempos (cf. Mt 28,20).

Dirigido aos jovens de toda a Terra, este apelo assume uma importância particular para vós, queridos jovens da América Latina. De fato, na V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Aparecida, no ano de 2007, os bispos lançaram uma “missão continental”. E os jovens, que constituem a maioria da população naquele continente, representam uma força importante e preciosa para a Igreja e para a sociedade. Por isso sede vós os primeiros missionários. Agora que a Jornada Mundial da Juventude retorna à América Latina, exorto todos os jovens do continente: transmiti aos vossos coetâneos do mundo inteiro o entusiasmo da vossa fé.

A Virgem Maria, Estrela da Nova Evangelização, também invocada sob os títulos de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Guadalupe, acompanhe cada um de vós em vossa missão de testemunhas do amor de Deus. A todos, com especial carinho, concedo a minha bênção apostólica.


VATICANO, 18 DE OUTUBRO DE 2012

A mulher incrivelmente bela, belíssima!

Quando temos alguém belo e ou bom na família, queremos condividir a alegria com os outros. Em oito de dezembro temos uma solenidade na Igreja Católica Apostólica Romana, a imaculada conceição de Nossa Senhora.

No início da história, quando o homem tomou consciência de sua imperfeição moral, recebeu de Deus uma promessa de restauração de sua condição. A realização desta profecia passaria pela cooperação de uma mulher, que seria inimiga do autor do mal e esmagaria a sua cabeça(cf Gn 3,1-20).

A promessa de Deus realiza-se na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. A mulher não é outra senão, a sua mãe, a Virgem Maria, a quem carinhosa e respeitosamente chamamos de Nossa Senhora. Ela é a Mulher do Novo Testamento, como Eva foi do Antigo, mas indizivelmente superior a esta.

Para o mistério da encarnação do Menino Jesus, Deus preparou a pessoa de Maria, desde o momento de seu nascimento, ocorrido quando seus pais, Joaquim e Ana, acreditavam não mais ser possível ter filhos. Deus preserva-a do pecado e de suas consequências para torná-la  participante do mistério de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ao rezar uma das invocações a Nossa Senhora, dizemos: "Ó Maria concebida sem pecado, (...)"; assim recordamos a condição singular de sua vinda ao mundo, privilégio concedido por Deus em vista do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. O que Maria é, o é por causa de seu Filho.

Dizer que Maria foi concebida sem pecado é afirmar que é bela, belíssima, formosa,  plenamente conforme ao que Deus pensou para ela, por isso agrada ao nosso olhar e ao nosso coração. Nela resplandece sem sombra ou opacidade a vontade de Deus, ela é diáfana.

Nossa Senhora é parte da Igreja, uma participante eminente, modelo ímpar e singular do que podemos e devemos ser por obra e graça de Deus. Em oito de dezembro exaltamos a Virgem Maria, mostramos com santo orgulho ao mundo o que temos de bom e belo, a sua imaculada conceição.

A afirmação da imaculada conceição de Nossa Senhora é um dogma de fé, proclamado pelo Papa Pio IX, em 1854, pela bula Ineffabilis Deus,  respondendo a um clamor do Povo de Deus, já explicado por Santo Anselmo, Duns Scoto e assumido no Concílio de Basiléia, em 1439, como uma verdade de fé. Aos dogmas damos o nosso assentimento de fé, que não dispensa a razão.

Vivemos um intenso processo de exaltação da beleza, do cultivo do corpo, da busca da perfeição física. Em si, não há nada de mal nesta busca, desde que não se torne uma obsessão e não se perca de vista outras dimensões da pessoa humana. Ocorre também uma desproporcional erotização da sociedade que não promove igualmente o amor de amizade e a caridade.

Na moldura do advento, como expectativa da parusia e memória do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, a solenidade da imaculada conceição de Nossa Senhora propõe um caminho na  busca da beleza que tem na intimidade da pessoa a sua origem e na moralidade o seu limite. Uma beleza transcendente que resplandece na pessoa por obra e graça de Deus.

A beleza de Maria é participação na beleza de Nosso Senhor Jesus Cristo, não só o autor da beleza, mas o Belo. Na beleza de Jesus Cristo, a beleza de Deus. Na beleza de Maria, a beleza de Jesus Cristo. Chamados a participar desta beleza, podemos e devemos, por obra e graça de Deus, acolher em nós a beleza de Maria.

A beleza de Nossa Senhora tem uma feição escatológica. "Maria Santíssima, subtraída ao pecado original é também a garantia de que, no mundo, o bem é mais forte e mais contagioso que o mal. Com ela, a primeira redimida, tem início  uma história de graça contagiosa."

O Prefácio da Missa desta solenidade afirma em concisas palavras: "A fim de preparar para o vosso Filho mãe que fosse digna dele, preservastes a Virgem Maria da mancha do pecado original, enriquecendo-a com a plenitude da vossa graça. Nela nos destes as primícias da Igreja, esposa de Cristo sem ruga e sem mancha, resplandecente de beleza. Puríssima, na verdade, devia ser a Virgem, que nos daria o Salvador, o Cordeiro sem mancha que tira os nossos pecados. Escolhida entre todas as mulheres, modelo de santidade e advogada nossa, ela intervém constantemente em favor do vosso povo."

O dia oito de dezembro é dia santo de guarda, embora não seja feriado nacional. Podemos e devemos santificá-lo com nossa participação na santa Missa, de preceito, com nossa caridade e realizando dignamente nosso trabalho, se necessário.  Podemos acrescentar uma saudável oração, quem sabe a recitação do santo Rosário, ou uma parte dele.

Rezemos juntos: "Ó Deus que preparastes uma digna habitação para o vosso Filho pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo o pecado em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chegar até vós purificados também de toda culpa por sua materna intercessão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!"

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto.

Crisma Paróquia São Sebastião em Ipigua dia 08/12/2012




Crisma Paróquia Senhor Bom Jesus em Monte Aprazivel Dia 07/12/2012