sexta-feira, 26 de outubro de 2012

São Paulo, obrigado!


Depois do susto do anúncio do episcopado, dos transtornos para liberar-me das tarefas diocesanas como padre, da correria da ordenação, cheguei em São Paulo nos últimos dias de maio de 2005. Juntamente com Dom Joaquim Justino Carreira, Dom Cláudio Cardeal Hummes, ofm, nos acolheu.

São Paulo não era desconhecida, freqüentava-a desde o fim da adolescência, vinha embebedar-me de cultura, ao encontro das livrarias, dos museus, dos cinemas e dos teatros. No entanto, naquele fim de maio, aqui chegava como bispo auxiliar e para morar por tempo indeterminado.

Fui designado para trabalhar como bispo auxiliar na Região Episcopal Ipiranga, uma das menores das seis regiões episcopais da Arquidiocese. Deveria residir no bairro do Ipiranga, o que de fato aconteceu: primeiro, na Casa São Paulo, na Xavier de Almeida; depois, em um apartamento alugado na Agostinho Gomes; finalmente, em apartamento adquirido pela Arquidiocese na Clemente Pereira.

Em 16 de setembro do ano em curso, recebi a informação de que a Nunciatura Apostólica no Brasil  transferia-me para a Diocese de São José do Rio Preto, neste mesmo estado de São Paulo, e que teria sessenta dias para efetuar a mudança. Acolhi na obediência da fé a missão que me estava sendo confiada. Chegou a hora de partir.

São Paulo, cidade encantadora, plural e bela, acolheu-me maternalmente, pródiga em propiciar-me anos de vida intensa e prazeirosa. Não perdi tempo, embrenhei-me pelas suas vísceras, sabendo que por aqui não ficaria por muito tempo. Valeu a pena, saio profundamente agradecido.

Por São Paulo passarei sempre, enquanto a vida me permitir, será meu “caminho da roça” quando me deslocar para o Sul das Gerais em visita à família. Pretendo voltar algumas vezes, ao menos, para fazer o que antes fazia, e que não foi possível realizar  nestes anos: freqüentar as livrarias, os museus, os cinemas, os teatros e, agora, abraçar os amigos.

Minha gratidão ao bairro do Ipiranga, que acolheu também Madre Paulina, Madre Assunta, Padre Marchetti, espaço lindo e bom de se viver, singelo e nobre, de gente culta, trabalhadora e de fé.

Será impossível esquecer da beleza da Avenida Nazaré, do Museu Paulista e do Parque da Independência, do burburinho da Silva Bueno, do restaurante do Magrão, do Convento da Madre Paulina, da beleza da Igreja São José, do Instituto Padre Chico, da Fundação Nossa Senhora Auxiliadora, entre tantas outras realidades belas e boas.

Na lembrança, permanecerá o canto dos sabiás, o cheiro de panetone que  perfumava o ar nas madrugadas do segundo semestre, até um ano atrás, das pitangueiras, abacateiros, amoreiras, bananeiras, romanzeiras, todas espalhadas folgadamente pelas calçadas.

Gratidão ao Senhor Domingos Dissei pela amizade e relação fraterna, bem como pela iniciativa em viabilizar na Câmara Municipal o título a mim concedido de cidadão paulistano. Reconheço o bem que fez pelas nossas igrejas, enquanto vereador. Deus lhe pague e o proteja em sua nova vida.

Meu reconhecimento e gratidão imorredouros ao Senhor Matteo Buccoleri, por permitir-me, semanalmente, conversar com vocês através do Jornal O Patriota. Escrever esta crônica semanal foi um aprendizado, um aprender a olhar, a sentir e expressar realidades tão próximas e tão caras.

No próximo dia 16 de novembro inicio minha missão na Diocese de São José do Rio Preto, com a Santa Missa, as 19h00, na Catedral de São José. Convido-os a celebrarem-na comigo. Doravante, quando curvar-me em oração, saibam que estarão no meu coração. Muito obrigado! Deus lhes pague!


+ Tomé Ferreira da Silva.
Bispo Auxiliar de São Paulo. 

Um comentário:

  1. Dom Tomé, que lindas palavras de amor e reconhecimento à cidade que o acolheu com tanto carinho! Sente-se, ao ler seu texto,o quanto o Ipiranga cativou seu coração. Essa relação me lembrou Saint-Exupéry "Tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas!"
    As bençãos de Deus sobre a nova missão!
    Um forte braço do Giovani, dos nossos filhos e meu.

    ResponderExcluir