segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Nhá Chica



“Francisca de Paula de Jesus, Nhá Chica, nasceu em Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno – São João del-Rei (MG). É filha de mãe escrava e, supostamente, pai branco. Aos 26 de abril de 1810, recebeu o Sacramento do Batismo, na capela do distrito onde nasceu. Foram seus padrinhos: Ângelo Alves e Francisca Maria Rodrigues.

Com 8 anos de idade, veio para Baependi (MG) acompanhada da mãe, dona Maria Isabel, e do irmão Theotônio Pereira do Amaral, morando, assim, os três em uma casinha no alto da colina. O referido lugar, alguns anos mais tarde, ganhou o nome de Rua da Conceição e a casa, onde viveu Nhá Chica, foi conservada através das décadas, até os dias atuais e tem o nº 165.

Quando a pequena Francisca tinha apenas 10 anos de idade, sua mãe faleceu deixando aos cuidados de Deus e da Virgem Maria aquelas duas crianças: Nhá Chica com 10 anos e Theotônio com 12. Órfãos de mãe, sozinhos no mundo, aqueles meninos cresceram sob os cuidados e a proteção de Nossa Senhora que, pouco a pouco, foi conquistando o coração de Nhá Chica. Esta a chamava carinhosamente de “Minha Sinhá” que quer dizer: “Minha Senhora”, e nada fazia sem primeiro consultá-la.

Nhá Chica soube administrar muito bem e fazer prosperar a herança espiritual que recebera da mãe. Nunca se casou. Rejeitou com liberdade todas as propostas de casamento que lhe apareceram. Foi toda do Senhor. Se dava bem com os pobres, ricos e com os mais necessitados. Atendia todos os que a procuravam, sem discriminar ninguém e para cada um tinha uma palavra de conforto, um conselho ou uma promessa de oração. Ainda muito jovem, era procurada para dar conselhos, fazer orações e dar sugestões para pessoas que lidavam com negócios. Muitos não tomavam decisões sem primeiro consultá-la e, para tantas pessoas, ela era considerada uma “santa”, todavia, em resposta para quem quis saber quem realmente era, respondeu com tranquilidade: “...nunca fiz milagres: eu rezo à Nossa Senhora, que me ouve e me responde; é por isso que posso responder com acerto quando me consultam e afirmo o que digo.” As coisas acontecem “...porque eu rezo com fé”.

Sua fama de santidade foi se espalhando de tal modo que pessoas de muito longe começaram a frequentar Baependi para conhecê-la, conversar com ela, falar-lhe de suas dores e necessidades e, sobretudo, para pedir-lhe orações. Atendia a todos com a mesma paciência e dedicação, mas nas sextas-feiras não atendia a ninguém. Era o dia que lavava as próprias roupas e se dedicava mais à oração e à penitência. Isso porque sexta-feira é o dia que se recorda a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo para a salvação de todos nós. Às três horas da tarde, intensificava suas orações e mantinha uma particular veneração à Virgem da Conceição, com a qual tratava familiarmente como a uma amiga.

Nhá Chica era analfabeta, pois não aprendeu a ler nem a escrever. Desejava somente ler as Escrituras Sagradas, mas alguém as lia para ela e a fazia feliz. Compôs uma Novena à Mãe de Deus e em Sua honra construiu, ao lado de sua casa, uma capela, onde era venerada uma pequena Imagem de Nossa Senhora da Conceição, que era de sua mãe e diante da qual rezava piedosamente por todos aqueles que a ela se recomendavam. Essa imagem, ainda hoje, se encontra na casinha onde ela viveu, sobre o altar da antiga Capela.

(...)

Ao longo dos anos, a “Igreja de Nhá Chica” passou por algumas reformas e, atualmente, é o “Santuário Nossa Senhora da Conceição” que acolhe peregrinos de todo o Brasil e de diversas partes do mundo. Muitos fiéis que o visitam fazem seus pedidos e, depois de um tempo, voltam para agradecer e registrar as graças recebidas.
Nhá Chica morreu no dia 14 de junho de 1895, aos 87 anos de idade, mas foi sepultada somente no dia 18, no interior da Capela por ela construída. As pessoas que ali estiveram sentiram exalar de seu corpo um misterioso perfume de rosas durante os quatro dias de seu velório. Tal perfume foi novamente sentido no dia 18 de junho de 1998, 103 anos depois, por autoridades eclesiásticas e por membros do Tribunal Eclesiástico pela Causa da Beatificação de Nhá Chica e, também, pelos pedreiros, por ocasião da exumação do seu corpo. Seus restos mortais se encontram ainda hoje no mesmo lugar, no interior do Santuário Nossa Senhora da Conceição, em Baependi, protegidos por uma urna de acrílico, colocada no interior de uma outra urna de granito, onde são venerados pelos fiéis.”
(Texto da Irmã Gertrudes das Candêias)
+ Tomé Ferreira da Silva

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