terça-feira, 28 de agosto de 2012

Leigos chamados aos Ministérios na Igreja e no mundo.


Somos uma Igreja ministerial, com ministros ordenados, bispos, padres e diáconos, e ministros não ordenados, alguns instituídos extraordinariamente, com tempo determinado, ao interno da vida eclesial. Mas não é tudo, temos ministérios suscitados pelo Espírito Santo, em resposta aos sinais dos tempos, que devem ser cultivados para a vida do mundo e para o bem da sociedade.

No Brasil, a Igreja é ágil em perceber os sinais dos tempos, interpretá-los e procurar responder a eles com propostas pastorais específicas, o que acaba por suscitar estruturas que exigem pessoas qualificadas para a sua viabilização.

Mudam-se os tempos e as necessidades, e a Igreja, ao que me parece, não tem tido a mesma agilidade para realizar alterações substanciais na sua ação pastoral. Tendo produzido tantas estruturas pastorais, acumuladas ao longo dos anos, algumas caducas, outras tendo como alvo o mesmo público, com escassez de pessoas para o trabalho, vê-se a Igreja compelida a pensar a conversão pastoral também em termos de simplicidade, o que exige coragem para colocar ponto final em algumas experiências que perderam a sua razão de ser.

A falta de pessoas qualificadas para trabalhos específicos, ao interno da Igreja, é decorrência da diminuição significativa do número de fiéis, mas também da falta de identificação dos fiéis leigos com as propostas realizadas pelos ministros ordenados. Às vezes, a não identificação não é tanto com a natureza do trabalho ou do ministério, mas com o modo como as questões são encaminhadas no dia a dia, em outras palavras, “falta de profissionalismo”, no bom sentido da expressão, pois muitas vezes somos pedantes, cheios de boa vontade, mas faltam-nos elementos que conduzam à eficiência da ação, ausências elementares como de inicio, meio e fim de cada trabalho, falta de objetividade e de compreensão da natureza da vida, que é sempre diferente do que é pensado nos escritórios pastorais.

Acredito que não faltam leigos para os ministérios ao interno da Igreja, ordenados ou não, ordinários ou extraordinários, mas sim vivemos um tempo, pelas razões acima especificadas, de dispersão de forças.

Para a formação da família como Igreja Doméstica, para o exercício da vida profissional como cristão, para a ação incisiva nas redes e estruturas sociais, temos sim falta de pessoas disponíveis e preparadas. “Jesus Cristo estará na sociedade se nós estivermos lá.” Com a nossa ausência, aumenta não só a distância entre os construtores da sociedade e a instituição eclesial, mas o que é mais grave,  o mundo e suas estruturas vão sendo privadas da iluminação da fé e deixam de apontar para o Mistério do Reino de Deus.

Tenho receio, e sou suspeito para afirmar, mas temo que vai-se fortalecendo uma distância entre as propostas dos ministros ordenados, a aspiração dos fiéis e as necessidades de um mundo renovado pela graça de Deus. Numa linguagem usual, cresce a distância entre a oferta e a procura,  o que oferecemos não é acolhido e não respondemos à procura. Para superar esta realidade é preciso cultivar a unidade dos filhos de Deus, de todos os fiéis, uma unidade existencial, suscitada pela graça de Jesus Cristo.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo.

2 comentários:

  1. Precisamos crescer na fé e ser mais participativo na evangelização, pois somos em grande maioria católicos de boca sem ao menos conhecer a igreja do bairro onde moramos.
    sou leigo e quero ser fiel em algum serviço da igreja.

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  2. Parabéns Dom Tomé!!!
    Muito bom texto, gostei da forma clara que o sr. demonstra uma realidade sem tampar o sol com a peneira.
    Suas palavras são de um bom lider!portanto não tenha receio; se mais lideres, tiverem a sua mesma visão e colocarem em pratica novas atitudes, os resultados serão visíveis.
    Graça e Paz!!!

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