sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Um mês para a Bíblia


Deus falou muitas vezes e de muitos modos. Encontramos a sua Palavra no mundo criado, natural e humano, na Tradição e na Bíblia. A Palavra de Deus é sempre dirigida a nós, seus filhos, pois somos obra de suas mãos. Não se vive como filho de Deus ignorando a sua Palavra, luz que ilumina nossa vida, dá sentido à existência, introduzindo-nos na consciência e realização do sonho de Deus para nós.

A Palavra de Deus é viva e eficaz. Ela não é somente portadora de um conjunto de informações da História da Salvação, ou  sua memória. A Palavra de Deus realiza o que enuncia, por obra e graça do Divino Espírito Santo, é Palavra Salvadora, enquanto, pelo poder que lhe é próprio,  resgata a pessoa humana elevando-a e possibilitando-lhe viver como filho de Deus.

A Igreja Católica Apostólica Romana, no Brasil, dedica o mês de setembro à Bíblia, Palavra de Deus. É uma campanha para mostrar aos fiéis, e aos não fiéis, a natureza e a importância da Palavra de Deus na vida humana, no dinamismo da vida do Povo de Deus e na construção de uma sociedade justa e fraterna. Entre nós, persiste  um desconhecimento da Palavra de Deus, e ignorá-La é ignorar o próprio Jesus Cristo, nosso único e insubstituível Salvador.

Antes de tudo, é preciso colocar um exemplar da Bíblia na mão de cada  pessoa, pois é bom  que cada um tenha a sua. A Bíblia impressa é a mais usual, mas já está disponibilizada a versão eletrônica para uso no computador, tablet e em alguns tipos mais sofisticados de celulares.

Temos muitas traduções da Bíblia em português, todas boas. No entanto, sugiro a tradução publicada pela CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que é usada como referência para os textos litúrgicos. Há uma nova tradução da Bíblia na linguagem de hoje, com o método da Lectio Divina, aplicado a cada um dos livros, publicada pelas Sociedades Bíblicas Unidas, que merece nossa atenção e pode ser encontrada por um valor bem acessível.

A leitura da Bíblia pode ser feita de modo pessoal e comunitário. A leitura pessoal é mais cômoda, podemos escolher os momentos que nos são mais propícios e criar o ambiente próprio mais adequado. No entanto, uma vez ao mês seria interessante ler a Bíblia junto com outras pessoas: familiares, vizinhos, amigos ou ainda companheiros de escola ou trabalho. A leitura comunitária da Bíblia abre novos horizontes para a  compreensão e vivência da Palavra de Deus.

A atitude própria para a leitura da Bíblia é a orante, ler a Palavra de Deus em clima de oração, escuta ao que Deus fala, sendo interpelado por ela, deixando-a transformar-se em oração no nosso coração, mente e voz, acolhendo-a como norma de conduta. Para que isto ocorra, o que não vai dar-se de um dia para outro, é preciso sempre começar invocando o precioso auxílio do Espírito Santo. A disciplina e a fidelidade serão preciosas ferramentas que nos ajudarão a chegar onde Deus nos espera.

Faço uma sugestão de leitura da Bíblia para você neste mês de setembro: vamos ler o Evangelho de São Marcos. Ele é composto de dezesseis breves capítulos, se lermos um  a cada dois dias, ao final do mês teremos feito todo o evangelho. Topa esta parada? Posso garantir-lhe que valerá a pena. E se você o fizer em clima de oração, ao final a sua vida não será a mesma, terá mudado para melhor, pois se realizará em você o que ali está.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Leigos chamados aos Ministérios na Igreja e no mundo.


Somos uma Igreja ministerial, com ministros ordenados, bispos, padres e diáconos, e ministros não ordenados, alguns instituídos extraordinariamente, com tempo determinado, ao interno da vida eclesial. Mas não é tudo, temos ministérios suscitados pelo Espírito Santo, em resposta aos sinais dos tempos, que devem ser cultivados para a vida do mundo e para o bem da sociedade.

No Brasil, a Igreja é ágil em perceber os sinais dos tempos, interpretá-los e procurar responder a eles com propostas pastorais específicas, o que acaba por suscitar estruturas que exigem pessoas qualificadas para a sua viabilização.

Mudam-se os tempos e as necessidades, e a Igreja, ao que me parece, não tem tido a mesma agilidade para realizar alterações substanciais na sua ação pastoral. Tendo produzido tantas estruturas pastorais, acumuladas ao longo dos anos, algumas caducas, outras tendo como alvo o mesmo público, com escassez de pessoas para o trabalho, vê-se a Igreja compelida a pensar a conversão pastoral também em termos de simplicidade, o que exige coragem para colocar ponto final em algumas experiências que perderam a sua razão de ser.

A falta de pessoas qualificadas para trabalhos específicos, ao interno da Igreja, é decorrência da diminuição significativa do número de fiéis, mas também da falta de identificação dos fiéis leigos com as propostas realizadas pelos ministros ordenados. Às vezes, a não identificação não é tanto com a natureza do trabalho ou do ministério, mas com o modo como as questões são encaminhadas no dia a dia, em outras palavras, “falta de profissionalismo”, no bom sentido da expressão, pois muitas vezes somos pedantes, cheios de boa vontade, mas faltam-nos elementos que conduzam à eficiência da ação, ausências elementares como de inicio, meio e fim de cada trabalho, falta de objetividade e de compreensão da natureza da vida, que é sempre diferente do que é pensado nos escritórios pastorais.

Acredito que não faltam leigos para os ministérios ao interno da Igreja, ordenados ou não, ordinários ou extraordinários, mas sim vivemos um tempo, pelas razões acima especificadas, de dispersão de forças.

Para a formação da família como Igreja Doméstica, para o exercício da vida profissional como cristão, para a ação incisiva nas redes e estruturas sociais, temos sim falta de pessoas disponíveis e preparadas. “Jesus Cristo estará na sociedade se nós estivermos lá.” Com a nossa ausência, aumenta não só a distância entre os construtores da sociedade e a instituição eclesial, mas o que é mais grave,  o mundo e suas estruturas vão sendo privadas da iluminação da fé e deixam de apontar para o Mistério do Reino de Deus.

Tenho receio, e sou suspeito para afirmar, mas temo que vai-se fortalecendo uma distância entre as propostas dos ministros ordenados, a aspiração dos fiéis e as necessidades de um mundo renovado pela graça de Deus. Numa linguagem usual, cresce a distância entre a oferta e a procura,  o que oferecemos não é acolhido e não respondemos à procura. Para superar esta realidade é preciso cultivar a unidade dos filhos de Deus, de todos os fiéis, uma unidade existencial, suscitada pela graça de Jesus Cristo.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo.

Encontro Ecumênico do Regional Sul 1

Dom Tomé participou nos dias 25 e 26 do XVII Encontro Ecumênico do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em São Pedro, SP. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Dom Sérgio de Deus Borges


A Arquidiocese de São Paulo tem no Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer o seu Arcebispo Metropolitano. Esta única Arquidiocese, para permitir, do melhor modo possível, a ação pastoral, é dividida em seis regiões episcopais, denominadas de Sé, Santana, Brasilândia, Lapa, Belém e Ipiranga, que não são dioceses, mas integram a única Arquidiocese de São Paulo.

O Arcebispo, diante da multiplicidade das tarefas e do grande número de fiéis confiados aos seus cuidados, solicita à Santa Sé a ajuda de colaboradores bispos que possam contribuir para que leve a termo a missão a ele confiada.

O Santo Padre o Papa nomeia bispos auxiliares para a Arquidiocese de São Paulo, de acordo com a necessidade, em número de seis, nem todos ao mesmo tempo, correspondendo ao número das regiões episcopais, de tal modo que em cada uma delas tenha um bispo auxiliar como vigário episcopal que, por sua vez, age sempre e necessariamente em sintonia e comunhão com o Arcebispo Metropolitano.

No último dia 18 de agosto, aconteceu na cidade e diocese de Cornélio Procópio, no Paraná, a ordenação episcopal de Dom Sérgio de Deus Borges, egrégio membro do presbitério daquela diocese, nomeado pelo Papa Bento XVI como bispo auxiliar na Arquidiocese de São Paulo.

A presidência da celebração da ordenação episcopal de Dom Sérgio foi do Ordinário Local, Dom Getúlio, tendo como co-ordenantes Dom Odilo Pedro Scherer e Dom Edmar Perón. Vários bispos presentes, muitos sacerdotes, religiosas e seminaristas e um grande número de leigos. Tudo aconteceu na quadra poliesportiva do Colégio Santa Teresinha, das Irmãs Dominicanas, que se transformou num espaço sagrado e celebrativo.

Dom Sérgio é então o mais novo Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, em idade e em ordenação. Além de sua formação filosófico-teológica, é mestre e doutorando em Direito Canônico. Além de Pároco, era professor da Faculdade de Teologia em Londrina, Paraná, bem como presidente do Tribunal Eclesiástico daquela Província Eclesiástica. É o atual presidente da Associação dos Canonistas no Brasil.

Dom Sérgio de Deus Borges tomará posse do seu ofício canônico na Arquidiocese de São Paulo no dia dois de setembro, na Catedral da Sé, em solene Concelebração Eucarística presidida pelo Digníssimo Arcebispo Metropolitano Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer. No mesmo dia, às 19 horas, na Igreja de Santana, em Santana, será acolhido pelos fiéis leigos, religiosos e presbíteros como o Vigário Episcopal daquela Região.

Agradecemos a Deus a escolha e a ordenação de Dom Sérgio para o episcopado. Reconhecimento ao Santo Padre o Papa pela sua designação para a Arquidiocese de São Paulo.  Somos gratos a Dom Sérgio pela sua prontidão em responder sim ao chamado da Igreja para o exercício deste ministério como membro do Colégio Episcopal. Muito obrigado à Igreja de Cornélio Procópio que o gerou e educou na fé, que esculpiu o seu coração sacerdotal e o levou à maturidade e agora o oferece à Igreja em um horizonte mais amplo, partilhando da riqueza de seu presbitério.

Unamo-nos na oração e na amizade a Dom Sérgio de Deus Borges, acolhendo-o com alegria na Arquidiocese de São Paulo e prestando-lhe nossa amizade e obediência, reconhecendo nele um Sucessor dos Apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. 

Santa Missa no Amparo Maternal

O Amparo Maternal, na Vila Mariana, celebrou neste 20 de Agosto, 73 anos de existência dedicados ao atendimento das mães grávidas empobrecidas. Ali nascem aproximadamente, 25 crianças por dia, quase 700 ao mês. Ele está sob os cuidados das Irmãs de Santa Catarina de Alexandria.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Paróquia Mãe de Jesus - Santa Missa

Dom Tomé celebra a solenidade da Assunção de Nossa Senhora na Paróquia Nossa Senhora Mãe de Jesus. Nesta ocasião, ele acompanhou o trabalho de finalização do presbitério.

Paróquia Mãe de Jesus - Oração do Terço

A Paróquia Mãe de Jesus realiza terço nas intenções da JMJ Rio 2013, reunindo diversos fiéis da Região Episcopal Ipiranga, na Arquidiocese de São Paulo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Não é questão de terminologia


As palavras evoluem, adquirem novos sentidos, são polissêmicas. Muitas palavras são analógicas, identificam realidades diferentes, mas que possuem algo em comum. É o caso da palavra família. Ao longo da história ela identificou realidades diferentes, como hoje, quando encontramos uma diversidade de nucleação de pessoas, todas denominadas de família.

Há tempos atrás se falava que os jovens paqueravam, namoravam, casavam e constituíam família. De alguns anos para cá, a paquera e o namoro assumiram novas roupagens e foram identificados com a expressão “to ficando”. Nas redes sociais, na página do perfil, a pessoa coloca alguns elementos para que seja identificada, na grande maioria aparece a expressão “ estou em um relacionamento sério”.

O que é um “relacionamento sério?" Seria o namoro, o noivado, o casamento, o estar ficando, estar morando juntos, uma “amizade colorida”, estar tendo uma vida sexual ativa, mesmo sem o casamento civil e ou religioso? Não é apenas uma questão de terminologia, mas ocorre de fato uma nova compreensão da família e do modo de preparar-se para a sua formação.

O Cristianismo, no seguimento dos passos e do ensinamento de Jesus Cristo, compreende a família humana como realidade sagrada que, em última instância, sinaliza no mundo a vida da Santíssima Trindade, bem como a relação de amor entre Deus e a pessoa humana, que tem o seu ponto máximo no Mistério da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. A natureza da família não é uma construção histórica, mas é dom de  Deus.

Veja o ensino de Jesus Cristo: “Nunca lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse: Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois formarão uma só carne? De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”(Mt 19, 3-6). Na compreensão de Jesus Cristo, dois elementos fazem parte do casamento: unidade no amor e indissolubilidade. É dentro deste contexto que deveriam nascer os filhos.

A vida em família é uma vocação. E como vocação, a família pode não ser compreendida e vivida ao modo de Jesus Cristo por todos, pois pressupõe a vida de fé: conhecimento, amor e seguimento a Ele e ao que nos ensinou e deixou nos sacramentos. Se aplica também à vida em família a sua palavra: “Nem todos são capazes de entender isso, mas só aqueles a quem é concedido”(Mt 19, 11).

A proposta da vida em família Deus a oferece a todos. Mas nem todos podem acolhê-la, pois não a conhecem e não a experimentaram seja na infância ou na juventude. Há uma premente necessidade de ajudar as crianças, adolescentes e jovens na compreensão da natureza da família e a darem os passos adequados para a sua formação que, apesar da antiguidade dos nomes, continuam sendo a paquera, o namoro, o noivado e o casamento, este civil e religioso.

As novas terminologias não designam realidades sinônimas da família cristã. Não é só mudança de termos, mas elas carregam consigo a proposição de outros paradigmas familiares.
No encerramento da Semana da Família, somos convidados a tornar pública, numa ação missionária ininterrupta, a família cristã como paradigma, referência, para nossas crianças, adolescentes e jovens. Este é um pressuposto para que tenhamos famílias que sejam de fato “Igreja Doméstica”, concepção teológica esquecida hoje da própria teologia e da ação pastoral.

Somente na família como Igreja Doméstica pode ocorrer a primeira experiência de transmissão e vida comunitária da fé, antes que seja tarde, núcleo basilar para compreender o Povo de Deus, o Corpo Místico de Cristo e a paróquia como comunidade de comunidades. Do contrário, estaremos construindo sem bases sólidas, construção que não resiste aos tempos neomodernos.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Celebração na Paróquia Nossa Senhora da Saúde

Dom Tomé presidiu a Eucaristia, no dia 12 de agosto, na Paróquia de Nossa Senhora da Saúde, na Vila Mariana, celebrando a Padroeira: Nossa Senhora, Saúde dos enfermos.

Santa Missa com Coroinhas

Na memória de São Tarcísio, a Arquidiocese reuniu na Catedral da Sé os coroinhas das Paróquias, em Missa presidida pelo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer e concelebrada por Dom Tomé.

Celebração na Paróquia São Luiz Gonzaga - Avenida Paulista

No dia 10 de agosto, na Paróquia São Luis Gonzaga, na Avenida Paulista, Dom Tomé concelebra a Eucaristia, na memória de São Lourenço, reunindo Diáconos Permanentes da Arquidiocese.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

10º Encontro Anual de Atualização Teológica

Entre os dias 6 e 9 de agosto, em Itaici, SP, os sacerdotes do presbitério da Arquidiocese de São Paulo estiveram reunidos para o 10º Encontro Anual de Atualização Teológica, tendo como tema central a Doutrina Social da Igreja, e como professor o Padre Toninho, da Diocese de São José dos Campos, SP. Também esteve presente em uma tarde a Professora Rosana, de Mogi das Cruzes, SP. Nossa gratidão ao Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo, aos professores e ao Secretariado de Pastoral da Arquidiocese.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Festa de Nossa Senhora das Neves

Na noite de domingo, 5, Dom Tomé celebrou a Santa Missa na Paróquia Nossa Senhora das Neves com o Padre Claudinei em São Paulo. Uma bela festa com a Missa, procissão, músicas, danças, comidas e alegria!

Santa Missa na Catedral da Sé

No domingo pela manhã, Dom Tomé concelebrou a Santa Missa na Catedral da Sé, juntamente com o Arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer na instituição de seminaristas como leitores e acólitos.