sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Santa do Ipiranga


O Bairro do Ipiranga foi palco de pessoas e fatos memoráveis para a história da cidade de São Paulo e para o Brasil. Para a Igreja Católica Apostólica Romana, o Ipiranga ofereceu acolhida a uma série de pessoas que transpiram santidade: Santa Paulina, Padre Marchetti e Madre Assunta, e o Conde Vicente de Azevedo.

No dia nove de julho, celebramos a festa de Santa Paulina(1865-1942), cujos restos mortais se encontram na Capela Sagrada Família, na Avenida Nazaré.

Santa Paulina foi beatificada pelo Papa João Paulo II aos 18 de outubro de 1991, em Florianópolis, SC, e canonizada pelo mesmo Papa em 19 de maio de 2002, na cidade de Roma, Itália.

Olhando para a vida e a obra de Santa Paulina, seja em Santa Catarina ou em São Paulo, verificamos as singelas manifestações de sua resposta de conduta moral ao dom da santidade que Deus lhe oferecera no batismo: amor a Jesus Cristo e a Nossa Senhora; sentido de pertença à Igreja e obediência aos bispos; serviço desinteressado aos doentes, órfãos, empobrecidos e idosos; cultivo da virtude da humildade em grau máximo.

Em Santa Paulina houve um sólido equilíbrio entre as dimensões vertical e horizontal  da fé, entre relação com Deus e vida de fraternidade. A conjunção destes elementos, do divino e do humano, permitiu-lhe uma configuração heróica com a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado para a salvação dos homens, do mundo e da história. Nela a fé floresceu vicejante e produziu frutos de qualidade e em abundância.

Vivemos tempos de crise da fé que animou a vida de Santa Paulina. O Papa Bento XVI conclama o Povo de Deus a fazer um ano da fé, a começar em outubro de 2012 e encerrar em novembro de 2013, um período para acolher, fundamentar, professar e transmitir o dom da fé derramado em nossos corações pelo Divino Espírito Santo.

Em nossos dias, o revigoramento da vida da fé no Povo de Deus, com as devidas repercussões no mundo e na história, passa pela recuperação da simplicidade da vida de fé, tal como encontramos em Santa Paulina. Ao longo do tempo, a título de explicitação e enriquecimento, muitos elementos foram acrescidos à vida de fé, tornando-a demasiadamente complexa e pesada para os fiéis.

Na sociedade, vivemos o tempo da objetividade, do funcional, da linguagem direta e das indicações precisas. Estas são também exigências humanas atuais para a vida e a linguagem da fé, que precisaria ser menos prolixa e mais direta, menos conceitual e mais existencial, menos pastoralista e mais pastoral, valorizando a vida ordinária iluminada pelos valores oriundos da fé em Jesus Cristo.

Em Santa Paulina, a vida de fé é complexa sem ser complicada, é simples sem ser simplória, é teológica sem ser ideológica, é divina sem deixar de ser humana, é cristológica e mariana sem deixar de ser moral, é fundada na Palavra de Deus sem esquecer os sinais dos tempos.

Para acolher, conhecer, viver, aprofundar, professar e transmitir a nossa fé, a vida dos santos nos ajuda, pois são exemplos vivos de pessoas que viveram da e na fé. Olhemos nesta semana para Santa Paulina, a Santa do Ipiranga, e deixemos que ela nos ajude com seu exemplo e intercessão a sermos firmes e fortes na fé, deixando que ela, a fé, nos rejuvenesça sempre.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

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