quarta-feira, 11 de julho de 2012

Deus é Pai


Durante muitos anos, como seminarista e depois como padre, tive a oportunidade de conviver com uma pessoa simples, empobrecida, que lutava diuturnamente para manter-se. Diante das dificuldades, que sempre partilhava comigo, sempre dizia: “Deus é Pai! Um dia o senhor vai ver, Deus é Pai!”. Com esta expressão ela exprimia, ao mesmo tempo, confiança na bondade e na justiça de Deus.

Estamos já vislumbrando o dia dos pais, no segundo domingo de agosto, dia 12, neste ano. E pensando nos pais, recordei-me desta expressão que ouvi tantas vezes daquela senhora, “Deus é Pai!”. Ela experimentara na sua família a beleza de ter um pai, certamente, para poder com tanta confiança afirmar a partir dele a bondade e a justiça de Deus Pai

“Não chameis a ninguém na terra de ‘pai’, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus”(Mt 23, 9). Esta palavra de Jesus Cristo pode desconcertar-nos, se não a compreendemos bem; mas também é iluminadora para entendermos a paternidade humana a partir da Paternidade de Deus.

Iniciamos a nossa profissão de fé rezando: “Creio em Deus Pai todo-poderoso”. Qual o significado desta afirmação? “Veneramos Deus, antes de mais, por ser Pai, porque Ele é o Criador e Se encarrega das suas criaturas cheio de amor. Além disso, Jesus, o Filho de Deus, ensinou-nos a considerar o Seu Pai como nosso Pai, e abordá-LO mesmo como Pai Nosso”(Youcat /37).

Encontramos no Catecismo da Igreja Católica a seguinte explicação: “Ao designar a Deus com o nome de ‘Pai’, a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é origem primeira de tudo e autoridade transcendente, e que ao mesmo tempo é bondade e solicitude de amor para todos os seus filhos. Esta ternura paterna de Deus pode também ser expressa pela imagem da maternidade, que indica mais a imanência de Deus, a intimidade entre Deus e a sua criatura. A linguagem da fé inspira-se assim na experiência humana dos pais (genitores), que são de certo modo os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência humana ensina também que os pais humanos são falíveis e que podem desfigurar o rosto da paternidade e da maternidade. Convém então lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Ele não é nem homem nem mulher, é Deus. Transcende também à paternidade e maternidade humanas, embora seja a sua origem e a medida: ninguém é pai como Deus o é”(CIC 239).

 Em Jesus Cristo contemplamos a expressão da Paternidade de Deus: “Jesus revelou que Deus éPai’ num sentido inaudito: não o é somente enquanto Criador, mas é eternamente Pai em relação a seu Filho único, que reciprocamente só é Filho em relação a seu Pai: ‘Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar(Mt 11, 27)”(CIC 240).

A paternidade humana encontra a sua verdadeira natureza e sentido a partir da Paternidade de Deus. Ao modo de Deus Pai, guardando a devida distância, a pessoa humana é chamada a viver a  paternidade. Deus Pai é criador, educador e santificador de seu povo. A paternidade humana participa, de algum modo, desta Paternidade Divina ao criar, educar e santificar os seus filhos. Os filhos contemplando a paternidade humana devem poder vislumbrar nela sinais seguros da Paternidade Divina e serem, pela recepção, educação e amadurecimento da fé, levados a almejar a comunhão plena com Deus Pai, através de Jesus Cristo e movidos pela graça do Espírito Santo.

Aos pais o nosso abraço e saudação. Com a nossa humilde oração, pedimos que Deus Pai fortaleça nossos pais para viverem na alegria a sua missão de cooperadores na criação, educação e santificação dos seus filhos. Nunca nos esqueçamos, Deus é Pai!


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar na Arquidiocese de São Paulo

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