terça-feira, 31 de julho de 2012

Há vagas para moças


“Grande número de mulheres estava ali, observando de longe. Elas haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia, prestando-lhe serviços”(Mt 27, 55).

A presença da mulher na vida da Igreja Católica Apostólica Romana remonta às suas origens, está naturalmente na sua constituição e natureza. Grande número de mulheres acompanhava Nosso Senhor Jesus Cristo durante a sua vida pública, prestando-lhe serviços. Algumas delas são nomeadas no evangelho: “Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu”(Mt 27,56).

A missão da Igreja requer necessariamente a atuação da mulher, desde a família, Igreja Doméstica, até às mais diversas instituições eclesiásticas, sempre com uma presença diferenciada em cada dimensão. A presença de mulheres santas ao longo da história da Igreja é uma demonstração palpável de como elas assumiram e assumem os mais diversos ministérios a serviço do Povo de Deus.

uma presença singular da mulher na vida da Igreja, como religiosa, consagrada, freira ou irmã de caridade. Os nomes usados são vários, mas a realidade é uma só: conhecimento, amor e seguimento a Jesus Cristo pobre, casto e obediente, tendo como referência Maria, a Mãe de Jesus, bem como as mulheres que O acompanharam durante a sua vida.

São muitas as congregações religiosas femininas, surgidas ao longo da história, como respostas aos sinais dos tempos, sempre inspiradas pelo Divino Espírito Santo, semeadas, nascidas e cultivadas no contexto da Igreja, Mãe e Mestra. Ainda hoje, o Divino Espírito Santo suscita novas formas de consagração e de vida religiosa que vão lançando raízes, criando estruturas e produzindo também bons e generosos frutos.

Cada congregação religiosa tem um carisma próprio, desenvolvido por um fundador ou fundadora, que orienta a vida espiritual e a ação pastoral de seus membros. As congregações religiosas têm sempre algo em comum, mas são diferentes entre si, o que mostra modos diversos de realização da ação pastoral da Igreja, Corpo Místico de Cristo, sempre no desejo de responder à sua missão recebida de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A variedade das congregações religiosas mostra também a riqueza e o dinamismo do Divino Espírito Santo, que faz a Graça de Deus, infinita, manifestar-se de modos diversos na história, diante da impossibilidade humana de acolhê-la na sua totalidade e de imediato. São como diversas manifestações de um único e indizível mistério, que não se contrapõem, mas se complementam.

As mulheres, jovens moças, são chamadas por Jesus Cristo para a vida religiosa e consagrada na Igreja, dentro de uma congregação religiosa específica, seguindo um carisma próprio amadurecido ao longo do tempo da Igreja. O Povo de Deus, o Corpo Místico de Cristo, precisa de mulheres que deixem a família, o trabalho, o mundo, para viverem um seguimento de amor a Jesus Cristo, a exemplo da Virgem Maria, de dedicação total e exclusiva a Deus.

Querida jovem, pense bem, olhe para o seu coração: Nosso Senhor Jesus Cristo deseja-a santa e feliz como religiosa e consagrada. Ele precisa de você para mostrar o amor de Deus às crianças, aos jovens, aos estudantes, aos enfermos, aos que se encontram em região de missão, aos empobrecidos e esquecidos pela sociedade, para ajudar na difusão do evangelho e na promoção da dignidade humana, ou ainda para viver no silêncio do claustro na imolação diária através da oração. Não tenha medo de dizer sim a Nosso Senhor Jesus Cristo, pois vale a pena!

Na Igreja e nas congregações religiosas femininas vagas, e muitas, para moças que sejam corajosas e ousadas para seguirem Nosso Senhor Jesus Cristo pobre, casto e obediente, como fez Nossa Senhora. Venha você também! Para conhecer algumas congregações religiosas femininas, entre no site da Região Episcopal Ipiranga, www.regiaoipiranga.com.br, no menu principal clique em religiosas. 


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

"A Obra de Deus é para que acrediteis naquele que me enviou" Jo 6, 29


A experiência cotidiana de viver à luz da fé é mais próxima de um drama, nunca uma comédia, um romance, um documentário, um suspense, um terror ou uma tragédia. Um drama onde estão envolvidos diversos atores e onde não sou o ator principal, mas um coadjuvante singular, e nunca estou entre os figurantes. Também não sou o produtor e nem o diretor, mas minhas decisões, como coadjuvante insubstituível, determinam a alteração do rumo da trama.

O drama da experiência da vida de fé pode ser detectado em todos os tempos da história da salvação, seja na antiga ou na nova aliança. O evangelho selecionado para o domingo 05 de agosto relata uma experiência concreta da dramaticidade da fé vivida pela multidão e discípulos que seguiam Jesus Cristo.

À multidão que o seguia, depois da multiplicação dos pães, Jesus Cristo diz: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo.”(Jo 6, 26s)

Há uma singularidade única da pessoa de Jesus Cristo: “Este é quem o Pai marcou com seu selo.” Por isso, diante da pergunta da multidão “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?” (Jo 6, 28), Jesus Cristo responde: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que Ele enviou”(Jo 6, 29).

É diante da pessoa de Jesus Cristo que definimos e construímos a nossa vida de fé. Nesta construção, contamos com o protagonismo e a antecedência da ação da pessoa do Divino Espírito Santo. O ato de fé em Jesus Cristo é sempre um ato divino e humano, suscitado pelo próprio Deus e resposta da pessoa humana singular, ainda que esteja condicionado pelo contexto social e eclesial.

Nossa vida de fé em Jesus Cristo será sempre constituída por atos condicionados pelo espaço e pelo tempo, somos pessoas inseridas no mundo e na história, caminhamos na esperança. Será uma rede de atos interligados, autoimplicantes e comunicantes entre si, embora nem sempre percebidos desta forma, mas a conexão entre eles é sempre assegurada pela ação do próprio Deus na pessoa do Divino Espírito Santo, o que talvez só perceberemos ao término da peregrinação ou em momentos determinados de revisão de vida e determinação de novos horizontes.

Não tem como a vida de fé em Jesus Cristo não ser dramática, diante da opacidade da vida pessoal, do mundo, da história e da Igreja, todos marcados, de algum modo, pelas conseqüências dos  pecados que ainda realizamos. A vida de fé não é diáfana, transparente, objetiva, não se desenvolve linearmente, sempre em linha reta sem percalços na sua trajetória. Ela é muito mais exigente e empenhativa do que pensamos e imaginamos, e assim também era para os contemporâneos de Jesus Cristo.

É fundamental para o início, o desenvolvimento e a consolidação de nossa vida de fé o conhecimento, o amor e o seguimento a Jesus Cristo, o Filho de Deus Salvador, em quem colocamos a nossa confiança.
A centralidade de nossa missão no mundo e na história é dar a conhecer a Jesus Cristo às pessoas com quem convivemos, nos mais diversos ambientes em que desenvolvemos a nossa vida, seja na família, na escola, no trabalho, na rua, no prédio, no clube, na balada, na praia ou no campo.

Para que as pessoas conheçam Jesus Cristo, é preciso que as conduzamos  a Ele, pois será Ele próprio a apresentar-se a elas. Neste processo seremos apenas facilitadores, introdutores, novamente coadjuvantes, testemunhas. Os meios para realizarmos isso, encontraremos através de nossa criatividade, sem dúvida.

Estimulantes são estas palavras de São Paulo: “O Espírito vem em socorro de nossa fraqueza”(Rm 8,26). “É Deus que nos confirma, a nós e a vós, em nossa adesão a Cristo, como também é Deus que nos ungiu. Foi ele que nos marcou com o seu selo e nos adiantou como sinal o Espírito derramado em nossos corações”(2 Cor 1, 21s). “A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”(Rm 5, 5).


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Há vagas, muitas vagas, venha!


Não faz muito tempo, circulou na Espanha, por iniciativa da Igreja Católica Apostólica Romana, uma incisiva propaganda vocacional, partindo do contexto do desemprego reinante naquele País, convidando os jovens a pensarem na vocação sacerdotal e religiosa. A repercussão não foi só local, mas chegou até nós, alguns achando que a Igreja tinha ido longe demais ao associar o desemprego dos jovens à carência de padres, religiosos e religiosas.

Agosto está chegando, o mês das vocações, ocasião em que recordamos algumas vocações na vida da Igreja: sacerdotal, à paternidade, à vida religiosa e consagrada e aos ministérios leigos, de modo singular o catequista. Também entre nós temos vagas para todas as vocações e ministérios.

Na Arquidiocese de São Paulo, neste ano de 2012, estão sendo acompanhados 40 jovens em fase de discernimento vocacional inicial. Nos nossos quatro seminários temos neste ano 65 seminaristas, distribuídos nos seminários Santo Antônio de S’Antana Galvão, Nossa Senhora da Assunção, Cura D’Ars e Bom Pastor. Olhando a imensidade da Arquidiocese e a extensão do trabalho a ser desenvolvido, precisamos de mais gente, temos vagas, muitas vagas!

O que podemos fazer para promover as vocações sacerdotais? Antes de tudo, conhecer a natureza e a missão da vida sacerdotal na Igreja, pois somos uma Igreja que conta com ministros ordenados na sua constituição, tal como desejou Nosso Senhor Jesus Cristo. Este conhecimento desperta em nós uma reverência sagrada diante da pessoa do sacerdote, que se traduz em amor, amizade, respeito e obediência, pois são participantes de modo singular da ação pastoral de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Bom Pastor.

Somos chamados a rezar continuamente pelas vocações sacerdotais, exortados pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita”(Mt 9, 37). A oração diária pelas vocações sacerdotais e religiosas, feita só, em  grupo ou na comunidade, deve constituir-se um hábito, respondendo ao apelo do próprio Senhor da Messe..

Em família, com os colegas de escola ou trabalho, com os amigos e com quem convivemos, podemos e devemos sempre conversar sobre a beleza e dignidade da vocação sacerdotal. Assim, busquemos estimular e apoiar nossos filhos, parentes, amigos e conhecidos jovens para que não tenham medo de responder afirmativamente ao chamado de Nosso Senhor Jesus Cristo para esta vocação especial na Igreja como sacerdote.

Criar nas comunidades e paróquias um grupo de pastoral vocacional e ministérios ajudaria a dar solidez à promoção vocacional, pois não só suscitaria e apoiaria jovens vocacionados, pessoalmente e em grupo, mas promoveria ações para levar os jovens a uma reflexão orientada no discernimento vocacional, bem como aproveitaria os momentos possíveis para incrementar a oração pública pelas vocações, suscitando assim uma cultura vocacional nas paróquias, comunidades, movimentos, pastorais e novas comunidades.  

Caro jovem, nunca é tarde ou cedo demais para no silêncio e na oração escutar o desejo e projeto de Deus para você e sua felicidade. Não tenha medo de perguntar-se: Deus pensa em mim como sacerdote? Deus me quer santo como sacerdote? Há vinte e cinco anos fui ordenado padre, sou e sempre fui feliz. E você? Pense também em ser padre, há vagas, e muitas! Precisamos de padres que sejam padres bons e santos, e você pode ser um!


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Deus é Pai


Durante muitos anos, como seminarista e depois como padre, tive a oportunidade de conviver com uma pessoa simples, empobrecida, que lutava diuturnamente para manter-se. Diante das dificuldades, que sempre partilhava comigo, sempre dizia: “Deus é Pai! Um dia o senhor vai ver, Deus é Pai!”. Com esta expressão ela exprimia, ao mesmo tempo, confiança na bondade e na justiça de Deus.

Estamos já vislumbrando o dia dos pais, no segundo domingo de agosto, dia 12, neste ano. E pensando nos pais, recordei-me desta expressão que ouvi tantas vezes daquela senhora, “Deus é Pai!”. Ela experimentara na sua família a beleza de ter um pai, certamente, para poder com tanta confiança afirmar a partir dele a bondade e a justiça de Deus Pai

“Não chameis a ninguém na terra de ‘pai’, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus”(Mt 23, 9). Esta palavra de Jesus Cristo pode desconcertar-nos, se não a compreendemos bem; mas também é iluminadora para entendermos a paternidade humana a partir da Paternidade de Deus.

Iniciamos a nossa profissão de fé rezando: “Creio em Deus Pai todo-poderoso”. Qual o significado desta afirmação? “Veneramos Deus, antes de mais, por ser Pai, porque Ele é o Criador e Se encarrega das suas criaturas cheio de amor. Além disso, Jesus, o Filho de Deus, ensinou-nos a considerar o Seu Pai como nosso Pai, e abordá-LO mesmo como Pai Nosso”(Youcat /37).

Encontramos no Catecismo da Igreja Católica a seguinte explicação: “Ao designar a Deus com o nome de ‘Pai’, a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é origem primeira de tudo e autoridade transcendente, e que ao mesmo tempo é bondade e solicitude de amor para todos os seus filhos. Esta ternura paterna de Deus pode também ser expressa pela imagem da maternidade, que indica mais a imanência de Deus, a intimidade entre Deus e a sua criatura. A linguagem da fé inspira-se assim na experiência humana dos pais (genitores), que são de certo modo os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência humana ensina também que os pais humanos são falíveis e que podem desfigurar o rosto da paternidade e da maternidade. Convém então lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Ele não é nem homem nem mulher, é Deus. Transcende também à paternidade e maternidade humanas, embora seja a sua origem e a medida: ninguém é pai como Deus o é”(CIC 239).

 Em Jesus Cristo contemplamos a expressão da Paternidade de Deus: “Jesus revelou que Deus éPai’ num sentido inaudito: não o é somente enquanto Criador, mas é eternamente Pai em relação a seu Filho único, que reciprocamente só é Filho em relação a seu Pai: ‘Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar(Mt 11, 27)”(CIC 240).

A paternidade humana encontra a sua verdadeira natureza e sentido a partir da Paternidade de Deus. Ao modo de Deus Pai, guardando a devida distância, a pessoa humana é chamada a viver a  paternidade. Deus Pai é criador, educador e santificador de seu povo. A paternidade humana participa, de algum modo, desta Paternidade Divina ao criar, educar e santificar os seus filhos. Os filhos contemplando a paternidade humana devem poder vislumbrar nela sinais seguros da Paternidade Divina e serem, pela recepção, educação e amadurecimento da fé, levados a almejar a comunhão plena com Deus Pai, através de Jesus Cristo e movidos pela graça do Espírito Santo.

Aos pais o nosso abraço e saudação. Com a nossa humilde oração, pedimos que Deus Pai fortaleça nossos pais para viverem na alegria a sua missão de cooperadores na criação, educação e santificação dos seus filhos. Nunca nos esqueçamos, Deus é Pai!


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar na Arquidiocese de São Paulo

terça-feira, 10 de julho de 2012

Revisão da Semana Missionária dos seminaristas

Na manhã do dia 10/07, Dom Tomé esteve presente na revisão da Semana Missionária dos seminaristas da Arquidiocese de São Paulo.

Crisma Paróquia Nossa Senhora de Lourdes

No domingo, 08/07, Dom Tomé administrou o sacramento da Crisma na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, no Planalto Paulista.

Missa no CDP de Pinheiros

Deus permitiu-me, na sexta, 06/07, a graça de ir celebrar a Missa no Centro de Detenção Provisória, em Pinheiros, na cidade de São Paulo, dentro da programação da Semana Missionária dos Seminaristas da Arquidiocese.

Rezamos no CDP 3, na Raia 4. Depois dos protocolos de entrada, fomos recebidos pelo responsável, que nos conduziu ao espaço onde se encontram os detentos.

Súbito, me vi cercado por centenas de detentos, em um espaço impecavelmente limpo, preparado por eles para a Missa. 

O primeiro e grande susto: jovens, centenas de jovens.

Ao final, o clamor: bispo precisamos e queremos mais presença da Igreja aqui!

Confesso que estou com o coração partido. O que fazer? Quem enviar?

Lembrei-me que quando jovem seminarista visitava a cadeia em Campanha/MG; depois, como padre, as visitas periódicas à penitenciária em Três Corações, onde tivemos um bom grupo de católicos que ali marcavam presença.

No coração, a palavra de Jesus: "Estive preso e me visitastes".

Pense, Deus não o chama para ser profeta nos presídios e similares em São Paulo?


Jubileu das Irmãs Carlistas

Na tarde de sábado, 07/07, em Jundiaí, SP, Dom Tomé celebrou a Eucaristia com as Irmãs de São Carlos Borromeu/Scalabrinianas, no ano jubilar de sete Irmãs, com 25, 50 e 60 anos de vida religiosa.


Concelebraram: Dom Jacyr Braido, Bispo de Santos; Pe. Carlos, Carlista, e Júlio César, Claretiano.

Missa de Santa Paulina

Na tarde do dia 09/07, Dom Tomé concelebrou a Missa no dia de Santa Paulina.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Santa do Ipiranga


O Bairro do Ipiranga foi palco de pessoas e fatos memoráveis para a história da cidade de São Paulo e para o Brasil. Para a Igreja Católica Apostólica Romana, o Ipiranga ofereceu acolhida a uma série de pessoas que transpiram santidade: Santa Paulina, Padre Marchetti e Madre Assunta, e o Conde Vicente de Azevedo.

No dia nove de julho, celebramos a festa de Santa Paulina(1865-1942), cujos restos mortais se encontram na Capela Sagrada Família, na Avenida Nazaré.

Santa Paulina foi beatificada pelo Papa João Paulo II aos 18 de outubro de 1991, em Florianópolis, SC, e canonizada pelo mesmo Papa em 19 de maio de 2002, na cidade de Roma, Itália.

Olhando para a vida e a obra de Santa Paulina, seja em Santa Catarina ou em São Paulo, verificamos as singelas manifestações de sua resposta de conduta moral ao dom da santidade que Deus lhe oferecera no batismo: amor a Jesus Cristo e a Nossa Senhora; sentido de pertença à Igreja e obediência aos bispos; serviço desinteressado aos doentes, órfãos, empobrecidos e idosos; cultivo da virtude da humildade em grau máximo.

Em Santa Paulina houve um sólido equilíbrio entre as dimensões vertical e horizontal  da fé, entre relação com Deus e vida de fraternidade. A conjunção destes elementos, do divino e do humano, permitiu-lhe uma configuração heróica com a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado para a salvação dos homens, do mundo e da história. Nela a fé floresceu vicejante e produziu frutos de qualidade e em abundância.

Vivemos tempos de crise da fé que animou a vida de Santa Paulina. O Papa Bento XVI conclama o Povo de Deus a fazer um ano da fé, a começar em outubro de 2012 e encerrar em novembro de 2013, um período para acolher, fundamentar, professar e transmitir o dom da fé derramado em nossos corações pelo Divino Espírito Santo.

Em nossos dias, o revigoramento da vida da fé no Povo de Deus, com as devidas repercussões no mundo e na história, passa pela recuperação da simplicidade da vida de fé, tal como encontramos em Santa Paulina. Ao longo do tempo, a título de explicitação e enriquecimento, muitos elementos foram acrescidos à vida de fé, tornando-a demasiadamente complexa e pesada para os fiéis.

Na sociedade, vivemos o tempo da objetividade, do funcional, da linguagem direta e das indicações precisas. Estas são também exigências humanas atuais para a vida e a linguagem da fé, que precisaria ser menos prolixa e mais direta, menos conceitual e mais existencial, menos pastoralista e mais pastoral, valorizando a vida ordinária iluminada pelos valores oriundos da fé em Jesus Cristo.

Em Santa Paulina, a vida de fé é complexa sem ser complicada, é simples sem ser simplória, é teológica sem ser ideológica, é divina sem deixar de ser humana, é cristológica e mariana sem deixar de ser moral, é fundada na Palavra de Deus sem esquecer os sinais dos tempos.

Para acolher, conhecer, viver, aprofundar, professar e transmitir a nossa fé, a vida dos santos nos ajuda, pois são exemplos vivos de pessoas que viveram da e na fé. Olhemos nesta semana para Santa Paulina, a Santa do Ipiranga, e deixemos que ela nos ajude com seu exemplo e intercessão a sermos firmes e fortes na fé, deixando que ela, a fé, nos rejuvenesça sempre.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

Semana Missionária

Dom Tomé preside celebração da Eucaristia, na Capela Santa Isabel, na Paróquia Santa Paulina, na noite do dia 05/07/12.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Apascenta minhas ovelhas



No dia 29 de junho recordamos São Pedro e São Paulo. No Brasil, a solenidade litúrgica é transferida para o dia primeiro de julho, neste ano. Os fiéis católicos apostólicos romanos recordam neste dia a pessoa do Papa, “vigário de Cristo na terra, Cabeça da Santa Igreja Católica”.

O Prefácio da Missa da solenidade litúrgica de São Pedro e São Paulo, dirigindo-se a Deus Pai, reza assim: “Hoje, vós nos concedeis a alegria de festejar os apóstolos São Pedro e São Paulo. Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o evangelho da salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração.”

Há muito em comum entre São Pedro e São Paulo: por diferentes modos, conheceram, amaram e seguiram a Jesus Cristo; d’Ele se tornaram discípulos e apóstolos; grandes missionários da Igreja primitiva; por amor a Jesus Cristo, experimentaram a prisão, a tortura e o sofrimento; foram mortos por causa da fé e da ação evangelizadora. Tornaram-se colunas da Igreja, referências da vida de fé e apostolado para o Povo de Deus.

Um livro apócrifo do século II, Atos de Paulo e Tecla, descreve o perfil físico de São Paulo: “Era um homem de baixa estatura, com a fronte calva e as pernas arqueadas, de corpo forte e sobrancelhas unidas, o nariz um tanto longo, cheio de amabilidade; ora tinha um semblante de homem, ora o aspecto de um anjo.”  O próprio São Paulo afirma de si: “As cartas são severas e enérgicas, mas a presença física é fraca e o discurso, desprezível”(2Cor 10,10). Provavelmente, em 29 de junho do ano 67 ele foi decapitado fora dos muros de Roma.

Vale a pena lembrar algumas frases programáticas de São Paulo: “Ai de mim se eu não anunciar o evangelho!”(1Cor 9,16); “Sei em quem acreditei”(2Tm 1,12); “Tudo posso naquele que me dá força”(Fl 4,13); “Para mim o viver é Cristo e o morrer, lucro”(Fl 1,21); “Considero tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo”(Fl 3,8); “Para todos eu me fiz tudo, para certamente salvar alguns”(1Cor 9,22); “Tudo suporto, por causa dos eleitos”(2Tm 2,10); “Eu vivo, mas não eu; é Cristo que vive em mim”(Gl 2,20).

Segundo o testemunho de Tertuliano, no século II, São Pedro era um pescador de Betsaida, situada próxima ao lago de Genesaré, seu nome judaico era Simão. É seu irmão André quem  o apresenta à Jesus. Segundo Orígenes, ele morreu crucificado de cabeça para baixo, modo como os romanos crucificavam os escravos, próximo ao ano 67, na colina do Vaticano, onde foi construída a basílica constantiniana.

Santo Agostinho, falando de São Pedro e São Paulo, afirma: “Um mesmo dia da paixão para os dois apóstolos; mas esses dois eram uma só coisa, embora tenham sofrido em dias diferentes. Pedro foi primeiro; depois Paulo. Celebramos o dia festivo dos apóstolos, consagrado para nós pelo sangue deles. Amemos a fé, a vida, as fadigas, as paixões, as confissões, as pregações.”

“Por determinação da VII Assembléia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em todas as igrejas e oratórios, mesmo dos mosteiros, conventos, colégios e casas religiosas, comemora-se o Dia do Papa, com pregações e orações que traduzam amor, veneração, respeito e obediência ao Vigário de Cristo na terra, Cabeça da Santa Igreja Universal.”

À Deus, nas intenções do Santo Padre, as nossas orações e gratidão, por ter-nos oferecido um Papa que nos apascenta com o cuidado de Jesus Cristo, o Bom Pastor, com caridosa solicitude pela Igreja. Manifestemos ao Papa Bento XVI o nosso amor, sobretudo através de nossa obediência ao que nos propõe em matéria de fé e de moral. Não deixemos de ler os seus escritos e ouvir as suas pregações.

Nas missas dos dias trinta de junho e primeiro de julho, somos convidados a fazer uma significativa oferta em dinheiro que será enviada ao Santo Padre o Papa Bento XVI. É com esta doação, dos católicos de todo o mundo, que o Papa faz os gestos de caridade da Igreja para com os empobrecidos e as vítimas de catástrofes naturais. No Brasil, recebemos mais do Papa do que o total que ofertamos nesta ocasião. Entre nós, a ajuda do Papa é destinada sobretudo às dioceses do norte e nordeste do Brasil.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

Crisma na Paróquia Nossa Senhora Aparecida

No domingo, 01/07, Dom Tomé administrou o sacramento da Crisma na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Ipiranga.

Crisma na Paróquia São José

No domingo, 01/07, Dom Tomé administrou o sacramento da Crisma para jovens da Paróquia São José, no Ipiranga.

Comissão Executiva Semana Missionária 2013

Dom Tomé reuniu-se com a Comissão Executiva da Região Episcopal Ipiranga da Semana Missionária 2013, preparando a JMJ Rio2013.

Missão de férias dos Seminaristas

Dom Tomé presidiu a Missa na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, sinalizando o início da missão de férias dos Seminaristas da Arquidiocese de São Paulo.