sexta-feira, 4 de maio de 2012

Maternidade


Parabéns, mãe!

“Multiplicarei os sofrimento de tua gravidez. Entre dores darás à luz os filhos.”(Gn 3,16a). A maternidade é uma experiência de dor e sofrimento.

O sofrimento é humano, faz parte de nossa condição natural, revela nossa fragilidade. Ele pode ser físico, psicológico e espiritual. Enquanto o primeiro está indissociavelmente ligado ao nosso corpo, os dois outros vinculam-se à nossa alma e se relacionam também, não só, com as escolhas que fazemos ao longo da vida, podem ser frutos do uso que fazemos da liberdade. 

O homem nunca lidou bem com o sofrimento, sempre procurou meios para suprimi-lo ou amenizá-lo. O uso de elementos da natureza, produtos desenvolvidos ou aperfeiçoados em laboratório, terapias de todo tipo, a recorrência a elementos sobrenaturais, nada ainda foi capaz de livrar em definitivo a pessoa do ato de sofrer.

O sofrimento se manifesta também na dor, que também pode ser somática e psíquico-espiritual. Como fruto do sofrimento, também a dor não é suportada. Combater o sofrimento e a dor não é um mal em si, mas também não pode tornar-se uma obsessão, o que seria ignorar que são inerentes ao humano.

A maternidade, também a paternidade, está de algum modo associada ao sofrimento e à dor. Gerar, deixar nascer, criar e educar a prole não se faz sem experimentar o sofrimento e a dor, nas suas múltiplas manifestações.

A exacerbação da ojeriza contra o sofrimento e a dor pode levar à insensibilidade diante de outras pessoas que vivem e convivem conosco, independentemente de sua idade, isto é, da quantidade de sua existência no tempo.

A destruição do outro para preservar meu bem estar, ou para eliminar meu sofrimento e dor, é algo abominável, pois não é possível estabelecer uma hierarquia diante de duas existências, uma vida humana não vale mais do que outra.

O exercício da maternidade, também da paternidade, implica saber conviver com o sofrimento e a dor, sejam quais forem as suas manifestações concretas. A paciência é expressão do amor: “O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo.”(1Cor 13, 4-7)

Não saber esperar, não ter paciência com o desenrolar natural da vida de outra pessoa, é sinal da mais grave crise do humano, a falta de amor, pois ninguém é incapaz de amar. Não amar é doença gravíssima que atinge o corpo, a alma e o espírito e urge de premente tratamento para não deixar de ser humano. É possível tratar-se fundado na misericórdia de Deus que deseja não a morte, mas a conversão do pecador.

Obrigado às mães que sofrem e assumem a dor da maternidade. Obrigado às mães que são pacientes e sabem esperar, respeitando o outro que gera, traz ao mundo, cria e educa, independentemente do tempo do desenrolar de sua existência. Estas mães são profetisas do nosso tempo. Deus as abençoe!

+ Tomé Ferreira da Silva.
Bispo Auxiliar de São Paulo.  

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