sexta-feira, 27 de abril de 2012

As Vocações, Dom do Amor de Deus


O 49º Dia Mundial pelas Vocações é celebrado no IV Domingo da Páscoa, 29 de abril de 2012, e tem como tema: “As vocações, dom do amor de Deus”. Ele nos impele a prosseguir no empenhativo trabalho de suscitar na Igreja uma cultura vocacional.

A expressão “cultura” possui muitos significados, é uma palavra polissêmica. Antes de tudo, ela designa toda atividade propriamente humana, ou seja, a cultura é produto humano. Por outro lado, é palavra usada para identificar a atividade do campo, agrária, o cultivo dos produtos necessários para a sobrevivência humana.

Retomamos estes dois sentidos do termo “cultura” para mostrar a necessidade premente de suscitar uma cultura vocacional na Igreja, de modo especial na Arquidiocese de São Paulo.

A nossa Igreja Católica Apostólica Romana é uma Igreja Ministerial, naturalmente também de ministros ordenados. Estes não são um adendo à Igreja, mas fazem parte da sua natureza e estrutura. Ela é o que é e faz o que faz, também com seus ministros ordenados, isto é, com os bispos, sacerdotes e diáconos.

Do Sacerdócio de Jesus Cristo nasce o sacerdócio na Igreja. Somos uma Igreja Sacerdotal, formamos um Povo Sacerdotal. Somos o Corpo Místico de Cristo, Ele é a Cabeça deste Corpo, dele nasce o sacerdócio ministerial. Jesus Cristo deseja sua Igreja como Igreja Sacerdotal, também de ministros ordenados.

Compassivo e solícito na  percepção do povo que o procura, Jesus Cristo o vê como um rebanho disperso e desorientado. Por isso, solicita categoricamente: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita” (Lc 10, 2).

O sacerdócio ministerial só tem sentido na moldura da Igreja que o sustenta. Na Igreja, o sacerdócio ministerial é dom e resposta. Dom de Deus, do seu amor ao seu povo. “É Ele que realiza o primeiro passo, e não o faz por uma particular bondade que teria vislumbrado em nós, mas em virtude da presença do seu próprio amor derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (cf Rm 5,5). Na origem do chamamento divino está a iniciativa do amor infinito de Deus, que se manifesta em Jesus Cristo.”(Papa Bento XVI)

O sacerdócio ministerial é também resposta do vocacionado, sustentado pelo Espírito Santo, à Igreja, que o chama ao Sacramento da Ordem, para servir o Povo de Deus na identificação e seguimento a Jesus Cristo casto, pobre e obediente. Não é o jovem que deseja ser padre, num primeiro momento, mas é Deus que o chama, na Igreja, para o sacerdócio. A consciência deste dinamismo é um sinal da autenticidade da vocação e do discernimento vocacional..

Tenho vinte e cinco anos de ordenação sacerdotal. Sou um padre feliz! É bom ser padre! O padre é um homem feliz! Felicidade enraizada na vida de fé, na alegria do conhecimento, do amor e do seguimento a Jesus Cristo, único e eterno Sacerdote.

É preciso interpelar diretamente as crianças, adolescentes e jovens para responderem afirmativamente ao chamado à vocação sacerdotal. Uma provocação pode ser o primeiro passo de um processo de discernimento vocacional: você não escuta o chamado de Deus para ser padre? Devemos olhar para eles e perguntar-nos: quais deles são desejados e chamados por Deus para o sacerdócio? Podemos não ter os vocacionados e padres que queremos, mas não podemos nos dar ao luxo de desprezar as vocações e sacerdotes que são enviados por Deus.

Cada fiel católico deve ser um promotor vocacional  na família, na escola, nos lugares de encontro da juventude, nas paróquias, comunidades, movimentos, novas comunidades e associações religiosas. A vinculação de um vocacionado à estrutura eclesial é natural, mas não descarta-se a possibilidade do chamado de Deus a jovens batizados, mas não ainda plenamente integrados às instituições da Igreja nas suas mais diversas expressões.

A Arquidiocese de São Paulo precisa de padres, de bons padres, fiéis e santos. Ela precisa de você e de seu trabalho para a criação de uma cultura vocacional. Seja agente da Pastoral Vocacional onde você se encontra.

+ Tomé Ferreira da Silva.
Bispo Auxiliar de São Paulo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário