sexta-feira, 16 de março de 2012

O Sacramento da Confissão



No texto passado mostramos a íntima conexão entre o tempo da quaresma, o convite à conversão e o sacramento da confissão. À luz do Catecismo da Igreja Católica, veremos  alguns elementos deste sacramento de cura, precioso dom dado por Deus, através de Jesus Cristo, ao seu povo, que recebe também os nomes de sacramento da conversão, sacramento da penitência, sacramento do perdão e sacramento da reconciliação.


O Concílio Vaticano II enuncia em poucas palavras a natureza do sacramento da Confissão:“Aqueles que se aproximam do sacramento da Confissão obtêm da misericórdia divina o perdão da ofensa feita a Deus e ao mesmo tempo são reconciliados com a Igreja que feriram pecando, e cada qual colabora para sua conversão com caridade, exemplo e orações ( LG 11).

Mesmo batizados, filhos de Deus, experimentamos as manifestações do pecado em nossa vida. Por isso, Santo Ambrósio afirma: “Na Igreja existem a água e as lágrimas: a água do batismo e as lágrimas da penitência”. Como batizados pecadores, pecadores arrependidos, temos necessidade do perdão de Deus ao longo de nossa vida, pois nos encontramos em uma segunda conversão permanente.

Só Deus perdoa os pecados. Jesus Cristo, “em virtude de sua autoridade divina, transmite este poder aos homens para que o exerçam em seu nome”(CIC 1441s). Ele confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico (cf 2 Cor 5, 18.20). “Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: Recebei o Espírito Santo; aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes, ser-lhes-ão retidos”(Jo 20, 22s). “Somente os sacerdotes que receberam da autoridade da Igreja a faculdade de absolver podem perdoar os pecados em nome de Cristo”( CIC 1495).

“O sacramento da confissão é constituído de três atos do penitente, e da absolvição dada pelo sacerdote. Os atos do penitente são: o arrependimento, a confissão ou declaração dos pecados ao sacerdote e o propósito de cumprir a penitência e as obras de reparação”(CIC 1491).

“Aquele que quiser obter a reconciliação com Deus e com a Igreja deve confessar ao sacerdote todos os pecados graves que ainda não confessou e de que se lembra depois de examinar cuidadosamente sua consciência. Mesmo sem ser necessária em si a confissão das faltas veniais, a Igreja não deixa de recomendá-la vivamente” ( CIC 1493).

“Os efeitos espirituais do sacramento da confissão são: a reconciliação com Deus, pela qual o penitente recobra a graça; a reconciliação com a Igreja; a remissão da pena eterna devida aos pecados mortais; a remissão, pelo menos em parte, das penas temporais, seqüelas do pecado; a paz e a serenidade da consciência, e a consolação espiritual; o acréscimo de forças espirituais para o combate cristão” (CIC 1496).

“A confissão individual e integral dos pecados graves, seguida da absolvição, continua sendo o único meio ordinário de reconciliação com Deus e com a Igreja” (CIC 1497).

A fórmula para a absolvição, que deve ser usada necessariamente pelo padre, é esta: “Deus, Pai de misericórdia, que, pela Morte e Ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo.

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