quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ordenação Diaconal Irmão Vicente


INTRODUÇÃO.
Vislumbramos no horizonte o Tríduo Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para ele  caminharemos  com o tempo da quaresma, que iremos começar nesta quarta-feira, de cinzas; para nós, um dia de jejum e abstinência. Será também o início da Campanha da Fraternidade, no Brasil, com o tema “ Fraternidade e Saúde Pública”, e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”(Eclo 38,8).

Em pleno carnaval brasileiro, aqui nos encontramos na aprazível “Paróquia Mãe de Deus e dos Órfãos”, neste bairro Vila Rica, na simpática e promissora cidade e diocese de Santo André, para rezarmos a Eucaristia Dominical, no Dia do Senhor, e nela realizar a Ordenação Diaconal de nosso Irmão Vicente, religioso da Congregação dos Clérigos Somascos.

Deus seja louvado!

EVANGELHO
A página do Evangelho de São Marcos que ouvimos apresenta Jesus Cristo Ressuscitado no momento que antecede a sua ascensão ao céu. Nesta oportunidade, Ele confia aos discípulos o mandato missionário “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa  Nova a toda criatura”(Mc 16, 15).

Falando com os discípulos, Jesus Cristo aponta o batismo e a fé como fontes de salvação. Ao mesmo tempo, explicita os sinais que acompanharão a atividade dos missionários: expulsarão demônios, falarão novas línguas, serão protegidos  dos animais e de venenos, curarão os doentes.

Ao mesmo tempo, o evangelista, encerrando o seu Evangelho, afirma: “Então os discípulos foram anunciar a Boa Nova por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra pelos sinais que a acompanhavam”(Mc 16, 20).

No relato do Evangelho que ouvimos há uma clara comprovação da eficácia da Palavra de Deus, Ela realiza o que enuncia.


PRIMEIRA LEITURA
O texto da Primeira Leitura apresenta-nos a vocação do Profeta Jeremias, destacando três elementos: a ação de Deus que chama e envia o profeta, uma história com início antes de seu próprio nascimento; a reação do profeta que recorda a sua juventude e a sua falta de fluência no falar; a promessa da assistência de Deus que virá em socorro da fragilidade do profeta.


SEGUNDA LEITURA
Os versículos lidos na segunda leitura, da Primeira Carta de Pedro, falam da vigilância, da oração, da caridade e do perdão dos pecados, da hospitalidade, da necessidade de colocar a serviço dos outros os dons recebidos de Deus.


O FUNDADOR: SÃO JERÔNIMO EMILIANO.
O Fundador dos Padres Somascos, São Jerônimo Emiliano(1486-1537), patrono dos órfãos e da infância abandonada, viveu um tempo de desafios para a Igreja, era tempo de reconstruir, de realizar a Reforma Católica. Militar, convertido na prisão, ajudado pela proteção de Nossa Senhora, torna-se um seu servidor, na assistência aos enfermos, aos jovens abandonados e às mulheres convertidas.


REFLEXÃO.
Pelo batismo, a graça maior, somos Filhos de Deus, amigos de Jesus Cristo, seus discípulos e missionários do século XXI. A missão outrora confiada aos discípulos, de ir ao mundo inteiro anunciar a Boa Nova a todas as pessoas, é minha, é sua, é nossa.

Embora nos sintamos como Jeremias, despreparados para a Missão, Jesus Cristo nos garante a assistência do Espírito Santo. É por Ele que temos assegurado o êxito do empenho que nos é solicitado. Não estou sozinho, Deus está comigo, Ele me assiste na realização de sua Vontade.

Os dons com os quais Deus nos cumula são para o bem do seu povo, da Igreja. Nada do que somos e temos nos pertence, somos apenas administradores das riquezas que Deus coloca em nossa vida.

Como São Jerônimo Emiliano, que não se ateve a dizer o que os outros deviam fazer, mas fez, devemos ser fiéis de ação, pragmáticos, com menos palavras e teorias, com mais obras que demonstrem a presença do Reino de Deus no mundo e na história.


PALAVRA AO CANDIDATO A DIÁCONO.
Irmão Vicente, hoje a Igreja, confiando na palavra de sua congregação, dos Padres Somascos, e na formação que ela lhe ofereceu, chama-o para o sacramento da ordem, no grau do diaconato.

A vocação ao ministério ordenado é sempre um mistério. Viveremos cinqüenta, sessenta anos de ministério e ainda não teremos 100% de clareza da graça de Deus que nos envolve. Tudo é graça, tudo é mistério, seja na vida do diácono, do padre ou do bispo.

Agora, como um fiel diácono, o Senhor deverá viver a missão outrora confiada por Jesus Cristo aos discípulos, antes de sua ascensão ao céu: ir a todos os lugares do mundo para levar a salvação de Deus. E São Jerônimo assinala-lhe que, entre todas as pessoas destinatárias desta salvação, você deverá dar uma atenção singular para os doentes, as crianças, os jovens abandonados e aos convertidos.

A Igreja no mundo, hoje, vive em estado de missão, basta recordar os resultados da Vª Conferência Geral dos Bispos da América Latina e Caribe acontecida em Aparecida. Nossos ministérios ordenados, dos quais somos apenas administradores, e não donos, só serão plenificados se formos missionários, não de palavra, mas como São Jerônimo, agindo, indo ao encontro dos que Deus coloca ao longo do nosso caminho.

Como Diácono, no serviço do Altar, na administração dos Sacramentos, no exercício da Caridade, na pregação da Palavra, o Senhor possa inspirar-se na vida dos Diáconos São Lourenço e Santo Efrém, figuras ímpares que fazem o diaconato transluzir na Igreja.

No seguimento a Jesus Cristo, casto, pobre e obediente, o celibato vivido na fé, o empobrecimento voluntário e a obediência ao bispo e aos seus superiores, se constituirão em caminho de santidade e a melhor preparação possível para ser padre, se para esta graça a Igreja chama-lo daqui a algum tempo, e é o que esperamos em nosso coração.


CONCLUSÃO
Em nossos dias, em qualquer lugar que estivermos, não faltam pessoas sedentas da Palavra de Deus que precisam e esperam para serem missionadas; não faltam empobrecidos e enfermos a serem amados; crianças e jovens abandonados a serem assistidos e conduzidos ao conhecimento, ao amor e seguimento de Jesus Cristo. Não há maior caridade possível para com nossas crianças e jovens do que dar-lhes Jesus Cristo; ou, se preferirmos, conduzi-los a Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

Muitos, muitíssimos destes jovens e crianças esperam agora pela vida e ação do Diácono Vicente. Deus não o quer, e a Igreja não o faz diácono, para que fique alguns meses esperando para ser ordenado padre, na comodidade da sacristia, da igreja, da meia dúzia de pessoas que nos cercam ordinariamente. Você é enviado ao mundo, às pessoas, para mostrar a todos o amor e a misericórdia de Deus, que transbordam para nós na pessoa de Jesus Cristo. E como Ele, você também não é feito diácono hoje para ser servido, mas para servir.

São especialmente para você o último versículo da segunda leitura: “Se alguém tem o dom de falar, fale como se fossem palavras de Deus. Se alguém tem o dom do serviço, exerça-o como capacidade proporcionada por Deus, a fim de que, em todas as coisas, Deus seja glorificado, por Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém”(1Pe 4, 11).

Que Nossa Senhora, Mãe de Deus e dos Órfãos, e São Jerônimo Emiliano, estejam ao seu lado na vivência do ministério diaconal que hoje lhe é confiado pela Igreja. Um dia o Senhor poderá ser padre, mas a mística do diaconato não deverá desaparecer. Caso isto venha a ocorrer, correr-se-á o risco de uma vida sacerdotal sem unção.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

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