sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O melhor da festa é esperar por ela



De cinco a oito de abril de 2012 celebraremos o Solene Tríduo Pascal, o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a maior entre todas as celebrações litúrgicas cristãs, sobretudo da Igreja Católica Apostólica Romana, que se prepara para ela com o tempo da quaresma, que iremos começar no dia vinte e dois de fevereiro, quarta-feira de cinzas.

A quaresma é um tempo penitencial, de conversão, marcado por três obras que ajudam a responder ao dom da santidade e da perfeição da vida cristã: a oração, o jejum e a caridade. É um tempo de recolhimento, de silêncio, de sobriedade no viver, uma pausa restauradora.

Olhando para a natureza, verificamos que ela vive ciclicamente através das estações: primavera, verão, outono e inverno, cada fase com características próprias, apesar das mudanças climáticas e das sempre possíveis intervenções humanas. Também o dia alterna-se com a noite. A vida humana, embora em outros ritmos, também se organiza em “ciclos”.

De algum modo, conservando as distâncias de toda analogia, o que é o inverno para a natureza, é a quaresma para a vida cristã. Os simbolismos próprios da vida litúrgica sinalizam para o que deve ocorrer na vida cotidiana: a ausência das flores, o toque grave e espaçado dos sinos, o uso da cor roxa nos paramentos litúrgicos, a supressão do canto do aleluia e da oração do “Glória” nas missas e o silêncio dos instrumentos musicais, apontam para um tempo de silêncio e reflexão.

Convido-o para preparar-se para o Tríduo Pascal, a celebração do Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, durante a quaresma, fazendo destes quarenta dias um tempo de silêncio, que possa facilitar a sua  reflexão e conseqüente resposta positiva ao dom da conversão, auxiliado pela prática da oração, do jejum e da caridade.

A prática do silêncio que propomos não acontece facilmente, mas implica nossa força de vontade e nossa disciplina. É um silêncio abrangente que pressupõe muitos elementos como: calar-se, externa e internamente; ouvir mais e falar menos; modéstia no olhar, quem sabe suprimindo temporariamente alguns programas em vídeo, televisivos, do cinema, do teatro, ou sendo mais criterioso na escolha dos mesmos; moderação no comer, até mesmo privando-se de algo que gosta, para transformar o seu fruto em caridade, por exemplo, deixar de consumir bebida alcoólica, drogas, doces; vestir-se com modéstia e moderação no uso dos cosméticos; abster-se de festas, folguedos, bailes e saraus.

As práticas mencionadas poderão ajudar no silêncio interior, que facilitará a reflexão e  conduzirá a uma mais intensa consciência de nossa filiação divina e da resposta amorosa que Deus, nosso Pai, espera de nós, a conversão, a mudança de vida, a santidade e a perfeição da vida cristã.

Para o dia vinte e dois de fevereiro, quarta-feira de cinzas, somos convocados à prática do jejum e da penitência: “Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiveram completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade ( quem completou 18 anos ) até os sessenta anos começados.”

“No Brasil, toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis nesse dia se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade”.

“A Quarta-feira de cinzas e a Sexta-feira santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia”. 


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

Um comentário:

  1. A BENÇAO DOM TOMÉ,
    O escrito é simples e esclarecedor, peço licença para usa lo como uma das fontes inspiradoras para a minha homilia, Deus o Abençoe.
    A vossa bençao, Pe. Sidnei Barbosa de Amorim, Diocese de Mogi das Cruzes.

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