terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Fé e Razão - Entrevista concedida ao Jornal São Judas


  1. Fé ou Razão?
Não é possível acolher a questão, fé ou razão, como está, pressupondo uma mútua exclusão, como se a pessoa devesse escolher entre uma ou outra.

A razão faz parte constitutiva da pessoa humana, da sua identidade enquanto tal, é algo recebido do Criador. A fé, por sua vez, é dom de Deus, situa-se no plano da Revelação, que tem o seu ponto alto na pessoa de Jesus Cristo.

Não há oposição ou exclusão entre fé e razão, mas distinção. Por isso, a questão não é escolher uma em detrimento da outra. Ambas são recebidas, passíveis de interação, necessárias na busca da Verdade. Elas são complementares na vida humana.

O Papa João Paulo II afirmou na Carta Apostólica “Fides et Ratio”, no parágrafo introdutório: “A Fé e a Razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio.”

A perene filosofia medieval nos ensinou que é preciso crer para entender e  entender para crer. A fé é “razoável”, transforma a razão, também ofuscada pelo pecado, permitindo a sua abertura para a transcendência.  A razão, por sua vez, é precioso auxílio para a explicitação da  fé, permitindo a sua compreensão através das categorias da inteligência humana, possibilitando a sua transmissão através da pregação e permitindo-nos justificá-la diante daqueles que  pedem explicações.


  1. É possível hoje o homem moderno crescer na fé, fazendo parte de um mundo altamente tecnológico onde Deus ( o transcendente ) parece irrelevante?

A tecnologia é um produto cultural, fruto da ação humana, que procura  trazer para a vida cotidiana os resultados obtidos pela ciência especulativa. È uma forma encontrada para proporcionar à pessoa usufruir do conhecimento, colocando à sua disposição a própria natureza. É a tradução dos princípios teóricos científicos em esquemas e estruturas que podem ser manipuladas. A tecnologia é fruto da aplicabilidade da ciência na busca da satisfação das necessidades humanas, é o resultado do conhecimento colocado a serviço da qualidade de vida.

A tecnologia é tão antiga quanto o homem. O uso do fogo, a criação da roda, a construção do arco e da flecha, são conquistas tecnológicas. A partir do renascimento, com o desenvolvimento do conhecimento, também a tecnologia desenvolve-se mais rápida e intensamente, o que continua acontecendo até os nossos dias.

A tecnologia é boa em si. Pode ser má a utilização que o homem faz dela ou a sua ideologização, manipulando-a indevidamente, subtraindo-a do influxo da ética e colocando-a a serviço de alguns e não de toda a humanidade. O que seria do mundo sem o avanço tecnológico da medicina,  da comunicação, dos meios de transportes, da agricultura, da produção de energia?

O “mundo tecnologizado” não afronta a Deus e à fé. Deus é transcendente, mas não um transcendente entre outros transcendentes. Ele é O Transcendente por excelência, situa-se não acima da tecnologia, mas para além dela e dos produtos culturais humanos, quaisquer que sejam eles. Ele não está no topo, mas para além do topo. Ele não está no cimo da montanha tecnológica, mas para além da própria montanha. De algum modo, Ele “situa-se fora do horizonte do conhecimento”, que não poderá aprisiona-LO jamais, Ele O MISTÉRIO.

O avanço tecnológico que experimentamos não torna a presença de Deus irrelevante para a pessoa humana. Ao contrário, ajuda, se bem usado, para devolver a Deus a sua natureza própria, muitas vezes assimilada inadequadamente pelo homem, sempre condicionado, o que limita o seu modo de compreensão e acolhimento dos mistérios da fé.

As dificuldades não estão em Deus ou nos avanços tecnológicos, mas em nós que somos continuamente tentados à excessiva admiração da obra humana  desviando-nos do próprio Deus. Admiramos tanto as criaturas, que esquecemos do Criador. Fixamo-nos tanto nas belezas, que esquecemos do Autor da beleza. O imanente é tão atrativo que, embevecidos por ele, não nos permitimos olhar para o horizonte da transcendência. É questão de foco, de alçar novos vôos, como a águia, é permitir-se a aventura de situar-se para além do humano, foi para isso que Jesus Cristo se fez homem e habitou entre nós.

Pode ser que nós, “os agentes do Sagrado”,  não estejamos conseguindo apresentá-Lo adequadamente aos nossos contemporâneos. E não é só uma questão de linguagem, há elementos outros e mais profundos envolvidos, sobretudo de ordem existencial, mas também metafísica.

  1. Como alguém que está perdendo tudo: riqueza, saúde, família, pode ainda conservar a sua fé em Deus?

Um olhar sobre o mundo  mostra que as sociedades que sofrem  o decrescimento da vida religiosa em geral é justamente onde ocorre a abundância dos bens; no ocidente, sobretudo na Europa e América do Norte. Nas sociedades empobrecidas há, ao contrário, crescimento das manifestações religiosas, até mesmo onde eram proibidas por governos ideologicamente ateus.

O enriquecimento e o empobrecimento não são fatores que por si só levam ao ateísmo ou ao agnosticismo, militante ou não. Ao mesmo tempo, não é da natureza genuína da fé ser uma fuga para situações de empobrecimento, como foi dito no passado, um “ópio do povo”. Ao contrário, a relação de fé com Jesus Cristo, a acolhida do Mistério do Reino de Deus, leva o fiel à transformação da realidade, também embebida pelo Mistério da Salvação, que deve fazer dela uma História da Salvação.

Da fé nasce a esperança, que não se reduz a expectativas. Ambas encontram a sua plenitude na caridade, expressão do Amor de Deus no coração humano e na história. O empobrecido encontra naturalmente na fé, na esperança e na caridade, o apoio que precisa para viver a sua vida, não circunscrita ao momento atual que vive, mas para além dele, abrindo-o à comunhão com o Mistério de Deus, que começa aqui e se prolonga na eternidade, através da sua imortalidade.


  1. A frase do filósofo francês Blaise Pascal: “O coração tem razões que a própria razão desconhece” ainda hoje é atual?

O risco do reducionismo é sempre uma tentação. Reduzir o homem à racionalidade é vê-lo “desfocado” da sua integralidade, que implica também o sentimento, a corporeidade e a sua espiritualidade. O pensamento de Pascal é um convite para uma antropologia mais abrangente, não só imanente e iluminista.

Uma  compreensão adequada da filosofia pascaliana não pode reduzir-se a este pensamento expresso, que tornou-se muito divulgado. Blaise Pascal é mais do que este pensamento que expressa os limites da razão e mostra que ela não é dimensão única da existência humana.  Neste sentido, sim, o pensamento é atual, mas deve ser compreendido no contexto ampliado da sua filosofia, devidamente contextualizada.


  1. Gilberto Gil em uma música cantava: “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”. É realmente assim?

A fé não é poesia, nem música, embora, algumas de suas expressões possam até ser poetizadas ou musicadas, como esforço da inteligência humana para traduzir em linguagem humana o intraduzível; um trabalho que segue a via negativa, diante dos limites da própria linguagem, uma forma de dizer o que uma realidade não é, para deixar transluzir, ainda que opacamente, o que é. O campo lingüístico da fé não se identifica com o campo lingüístico da música e da poesia. São jogos lingüísticos diferentes.

A fé cantada por Gil não é a fé em Jesus Cristo e no seu Reino. Mas é uma fé de expectativa histórica, intra-mundana. Mas isto não impede de que olhemos a sua música como um sinal que aponta e sinaliza.

A linguagem, uma vez expressa, torna-se autônoma, não depende mais do seu autor, podendo até mesmo virar-se contra ele. Este fato permite não só a compreensão, mas também a interpretação, o redirecionamento. Por isso posso aplicar, legitimamente, o verso de Gil como assinalador de uma outra realidade. A fé genuína não falha, nunca. Se falhasse, Deus não seria fiel.


  1. O que espera o Santo Padre Bento XVI ao inaugurar o Ano da Fé?

O Ano da Fé terá início no dia 11 de outubro de 2012 e terá a sua conclusão em 24 de novembro de 2013, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Ele deve ser compreendido no contexto das celebrações dos 50 anos do Concílio Vaticano II e da Assembléia Ordinária do Sínodo dos Bispos, que se realizará em outubro deste ano, com o tema “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”.

O centro das preocupações do Ano da Fé não está na fé em si mesma, sempre imutável e nova, mas no modo da sua vivência, compreensão e transmissão. O Papa assinala em sua mensagem que redescobrir o caminho da fé é necessário para fazer brilhar a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo. A porta da fé está sempre aberta para nós, atravessá-la é uma ação que dura toda a vida, começa com o batismo e se concluirá com a experiência pessoal da morte que nos abre a vida eterna.

O Papa afirma textualmente: “Sucede não poucas vezes que os cristãos sintam maior preocupação com as conseqüências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como pressuposto óbvio da vida diária. Ora um tal pressuposto não só deixou de existir, mas frequentemente acaba até negado. Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas”(2).

O desejo do Santo Padre é que neste Ano da Fé “suscite em cada crente o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança”(9). Que as comunidades religiosas, paroquiais e todas as realidades eclesiais encontrem forma de fazer publicamente a profissão do Credo(cf 8). 

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

Encontro Vocacional da Arquidiocese

Aconteceu no domingo, 26 de fevereiro, o primeiro encontro vocacional da Arquidiocese de São Paulo, para jovens que pretendem aprofundar o discernimento vocacional em vista do Seminário Propedêutico no ano de 2013. Dom Tomé rezou a missa com os encontristas e equipe responsável pelo encontro.

Missa da abertura da Campanha da Fraternidade 2012 - Arquidiocese de São Paulo / Região Episcopal Ipiranga


INTRODUÇÃO
Ecoa na  memória o colorido, o som e os passos do carnaval; para uns evocando saudade, para outros alívio. Sem anunciar-se, embora  esperada, a quarta-feira de cinzas sinalizou o fim da folia, persistente, à revelia, em alguns lugares.

A quaresma deve ser uma ruptura no modo de viver o tempo,  propõe uma ruptura na vida. Está em tempo de falar da quaresma, de propô-la e repropô-la como propedêutico do Tríduo Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo; um kairós, tempo dado por Deus para nossa conversão, pois eu sou, tu és, nós somos pecadores.

Que bom, como membros da Arquidiocese de São Paulo, na Região Episcopal Ipiranga,  nos encontrarmos na Paróquia - Santuário São Judas Tadeu que, de algum modo, é  um reflexo da cidade de São Paulo na diversidade, pluralidade e  acolhida aos fiéis provenientes de todos os lugares.

Unidos à Igreja Católica Apostólica Romana, no Brasil, em sintonia com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, como fiéis desta plural e bela Arquidiocese de São Paulo, queremos marcar o início oficioso da 48ª Campanha da Fraternidade, com o tema “Fraternidade e Saúde Pública”, e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”(Eclo 38,8).


EVANGELHO
A proclamação de dois versículos, quatorze e quinze, do nono capítulo do Evangelho de São Mateus, coloca-nos diante de  uma riqueza temática extraordinária, unindo na resposta a uma pergunta dos discípulos de João, o Batista, a pessoa de Jesus Cristo- esposo, o mistério de sua Cruz e a realidade do jejum.

A prática do jejum parece tão antiga quanto a humanidade, sempre presente nas grandes religiões. Era recomendada pelo judaísmo, e por seu intermédio foi assimilada pelos discípulos do Batista, que assumiram, a seu modo, a austeridade do mestre.

Na pergunta dos austeros discípulos de João, “Por que razão nós e os fariseus jejuamos, enquanto os teus discípulos não jejuam? ”, parece estar escondido um  estranhamento ao comportamento habitual de Jesus Cristo e de seus discípulos, que se sentiam livres das prescrições do judaísmo, diante da liberdade dos novos filhos e filhas de Deus, inaugurada pelo próprio Divino Salvador.

A pergunta foi uma ocasião propícia para Jesus Cristo revelar-se. Eis a sua resposta:  “Por acaso podem os amigos do noivo estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão, quando o noivo lhes será tirado; então, sim, jejuarão.”

Na resposta que brota dos lábios de Jesus Cristo, várias realidades teológicas: Ele é o esposo no novo Povo de Deus, prolongando o tema profético de “Deus esposo de Israel”(Jo 3, 29, Mt 22, 2, Ap 19, 7.9); anuncia o mistério da Cruz que o aguarda, prospecta o tempo escatológico da Igreja, colocando-a no horizonte da parusia.

REFLEXÃO
Você, eu, nós formamos a Igreja. Estamos no tempo escatológico, intermédio entre a ascensão de Jesus Cristo e o seu retorno glorioso, no fim dos tempos, a parusia, que aguardamos na fé e na esperança.

Iluminados pela fé e esperança na parusia, clamamos continuamente: Maranathá! Vem Senhor Jesus! É o que rezamos continuamente após a consagração das espécies eucarísticas, durante a missa: “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda!” Ou ainda: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”

O jejum não é apenas um sinal de purificação interior ou expressão de um desejo de conversão. É também um sinal escatológico que aponta para a glória de Jesus Cristo, da sua Igreja e do mundo que virá.

“O jejum torna-se, então, expressão de tristeza pela separação do esposo e privação de sua presença física, meio para ter o coração livre de vaidades que o impedem de ser disponível aos apelos de Deus, participação nos sofrimentos dos irmãos, nos quais perdura o sofrimento de Cristo”.

O jejum que nos é proposto pela quaresma tem uma dimensão essencialmente eclesial, “está ligado aos dias que a Igreja na terra dedica à espera e à preparação”. É um brado de esperança diante da promessa da volta de Jesus Cristo, “quando será então possível gozar plenamente dos bens criados”.

Alguns, por conta e responsabilidade própria, mas não em nome da Igreja, relativizam as práticas penitenciais e assim, também o jejum. Eles problematizam a distinção entre o tempo da presença física de Jesus Cristo e o tempo posterior à sua ressurreição. A fé na ressurreição assegura a presença perene de Jesus Cristo entre os seus, de acordo com sua promessa. Assim, segundo estes, o tempo novo inaugurado por Jesus Cristo é de alegria e salvação, sem necessidade de ficar triste, de práticas penitenciais e sem espera. Entre a audácia dos pseudo-teólogos, e a prudência da Igreja, Mãe e Mestra, é preferível confiar nela.

A leitura que ouvimos do profeta Isaías  faz pensar no risco da inautenticidade do jejum, quando não há coerência entre convicção e comportamento, quando não nasce do coração, mas fica formalizado externamente no cumprimento do preceito, não tornando-se  expressão de amor a Deus presente nos irmãos empobrecidos.

“Jejum, penitência e oração são destituídos de valor e de sentido se não forem vivificados pela caridade e acompanhados das obras de justiça. O jejum agradável a Deus consiste em libertar-se do egoísmo e prestar alívio e ajuda ao próximo.”

A prática da caridade está numa relação umbilical com o jejum. O foco da vida cristã não é o jejum, mas volta-se para a caridade, sempre importante e agradável a Deus. Na quaresma, o jejum ajuda a apaziguar as paixões do coração para torná-lo próximo dos irmãos através da caridade.



CONCLUSÃO
Os versículos sete e oito da primeira leitura do Profeta Isaías nos remetem à Campanha da Fraternidade deste ano. Eles dizem que  se repartimos o pão com o faminto, se praticamos a hospitalidade, se vestimos o nu, a nossa “luz brilhará como a aurora e a nossa saúde há de recuperar-se mais depressa.” Invocaremos a Deus e ele prestamente responderá: “Eis-me aqui!”

Na mensagem que nos dirige, o Papa Bento XVI sintetiza o objetivo da Campanha da Fraternidade: “Suscitar, a partir de uma reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil, um maior espírito fraterno e comunitário na atenção aos enfermos e levar a sociedade a garantir a mais pessoas o direito de ter acesso aos meios necessários para uma vida saudável”.

O lema bíblico “Que a saúde se difunda sobre a terra” recorda que “a cura perfeita é o perdão dos pecados, e a saúde por excelência é a da alma, pois que ‘adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua alma?’(Mt 16, 26).”

Lembrando a palavra de Jesus Cristo “Eu estava doente e cuidaste de mim”(Mt 25,36), “segundo o verdadeiro espírito quaresmal, possa esta Campanha da Fraternidade inspirar no coração dos fiéis e das pessoas de boa vontade uma solidariedade cada vez mais profunda para com os enfermos, tantas vezes sofrendo mais pela solidão e abandono do que pela doença”.

Não nos esqueçamos que “se por um lado, a doença é prova dolorosa, por outro, pode ser, na união com Cristo crucificado e ressuscitado, uma participação no mistério do sofrimento d’Ele para a salvação do mundo. Pois, ‘oferecendo o nosso sofrimento a Deus por meio de Cristo, nós podemos colaborar na vitória do bem sobre o mal, porque Deus torna fecunda a nossa oferta, o nosso ato de amor’”.

Que Nossa Senhora da Saúde, titular da igreja mais antiga e bela desta Região Episcopal, nos ajude a viver bem este tempo da quaresma e a Campanha da Fraternidade.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Campanha da Fraternidade 2012


A Igreja Católica Apostólica Romana, no Brasil, realiza de vinte e dois de fevereiro a primeiro de abril do ano em curso, a quadragésima oitava Campanha da Fraternidade, este ano com o tema “Fraternidade e Saúde Pública”, e com o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”(Eclo 38,8).

“A saúde integral é o que mais se deseja. Há muito tempo, ela vem sendo considerada a principal preocupação e pauta reivindicatória da população brasileira, no campo das políticas públicas”.

O objetivo geral desta Campanha da Fraternidade é “Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde”.

Os objetivos específicos podem ser assim apresentados: “Disseminar o conceito de bem viver e sensibilizar para a prática de hábitos de vida saudável; sensibilizar as pessoas para o serviço aos enfermos, o suprimento de suas necessidades e a integração na comunidade; alertar para a importância da organização da pastoral da saúde nas comunidades: criar onde não existe, fortalecer onde está incipiente e dinamizá-la onde ela já existe; difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil e seus desafios, como sua estreita relação com os aspectos sócio-culturais de nossa sociedade; despertar nas comunidades a discussão sobre a realidade da saúde pública, visando à defesa do SUS e a reivindicação de seu justo financiamento; qualificar a comunidade para acompanhar as ações da gestão pública e exigir a aplicação dos recursos públicos com transparência, especialmente na saúde”.

Durante este tempo, somos convidados a rezar a seguinte oração: “Senhor Deus de amor, Pai de bondade, nós vos louvamos e agradecemos pelo dom da vida, pelo amor com que cuidais de toda a criação. Vosso Filho Jesus Cristo, em sua misericórdia, assumiu a cruz dos enfermos e de todos os sofredores, sobre eles derramou a esperança de vida em plenitude. Enviai-nos, Senhor, o Vosso Espírito. Guiai a vossa Igreja, para que ela, pela conversão, se faça sempre mais solidária às dores e enfermidades do povo, e que a saúde se difunda sobre a terra. Amém!”

Não é a primeira vez que a Igreja aborda a temática da saúde na Campanha da Fraternidade. Em 1981, com o tema “Saúde e Fraternidade” e o lema: “Saúde para todos”; em 1984, com o lema “Fraternidade e vida” e o lema “Para que todos tenham vida”.

“A Igreja, nessa quaresma, à luz da Palavra de Deus, deseja iluminar a dura realidade da saúde pública e levar os discípulos-missionários a serem consolo na doença, na dor, no sofrimento e na morte. E, ao mesmo tempo, exigir que os pobres tenham um atendimento digno em relação à saúde. Que ela se difunda sobre a terra, pois a salvação já nos foi alcançada pelo Crucificado”(Dom Leonardo Ulrich Steiner, Secretário Geral da CNBB)

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Reunião do Clero da Arquidiocese de São Paulo com Dom Odilo Pedro Scherer

Na manhã do dia 23 de fevereiro, na PUC-SP, Dom Odilo Pedro Scherer fez o seu encontro anual de abertura do Ano Pastoral com os padres que trabalham na Arquidiocese de São Paulo. Estavam presentes 400 padres, entre religiosos e seculares.

Ordenação Diaconal Irmão Vicente


INTRODUÇÃO.
Vislumbramos no horizonte o Tríduo Pascal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para ele  caminharemos  com o tempo da quaresma, que iremos começar nesta quarta-feira, de cinzas; para nós, um dia de jejum e abstinência. Será também o início da Campanha da Fraternidade, no Brasil, com o tema “ Fraternidade e Saúde Pública”, e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”(Eclo 38,8).

Em pleno carnaval brasileiro, aqui nos encontramos na aprazível “Paróquia Mãe de Deus e dos Órfãos”, neste bairro Vila Rica, na simpática e promissora cidade e diocese de Santo André, para rezarmos a Eucaristia Dominical, no Dia do Senhor, e nela realizar a Ordenação Diaconal de nosso Irmão Vicente, religioso da Congregação dos Clérigos Somascos.

Deus seja louvado!

EVANGELHO
A página do Evangelho de São Marcos que ouvimos apresenta Jesus Cristo Ressuscitado no momento que antecede a sua ascensão ao céu. Nesta oportunidade, Ele confia aos discípulos o mandato missionário “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa  Nova a toda criatura”(Mc 16, 15).

Falando com os discípulos, Jesus Cristo aponta o batismo e a fé como fontes de salvação. Ao mesmo tempo, explicita os sinais que acompanharão a atividade dos missionários: expulsarão demônios, falarão novas línguas, serão protegidos  dos animais e de venenos, curarão os doentes.

Ao mesmo tempo, o evangelista, encerrando o seu Evangelho, afirma: “Então os discípulos foram anunciar a Boa Nova por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra pelos sinais que a acompanhavam”(Mc 16, 20).

No relato do Evangelho que ouvimos há uma clara comprovação da eficácia da Palavra de Deus, Ela realiza o que enuncia.


PRIMEIRA LEITURA
O texto da Primeira Leitura apresenta-nos a vocação do Profeta Jeremias, destacando três elementos: a ação de Deus que chama e envia o profeta, uma história com início antes de seu próprio nascimento; a reação do profeta que recorda a sua juventude e a sua falta de fluência no falar; a promessa da assistência de Deus que virá em socorro da fragilidade do profeta.


SEGUNDA LEITURA
Os versículos lidos na segunda leitura, da Primeira Carta de Pedro, falam da vigilância, da oração, da caridade e do perdão dos pecados, da hospitalidade, da necessidade de colocar a serviço dos outros os dons recebidos de Deus.


O FUNDADOR: SÃO JERÔNIMO EMILIANO.
O Fundador dos Padres Somascos, São Jerônimo Emiliano(1486-1537), patrono dos órfãos e da infância abandonada, viveu um tempo de desafios para a Igreja, era tempo de reconstruir, de realizar a Reforma Católica. Militar, convertido na prisão, ajudado pela proteção de Nossa Senhora, torna-se um seu servidor, na assistência aos enfermos, aos jovens abandonados e às mulheres convertidas.


REFLEXÃO.
Pelo batismo, a graça maior, somos Filhos de Deus, amigos de Jesus Cristo, seus discípulos e missionários do século XXI. A missão outrora confiada aos discípulos, de ir ao mundo inteiro anunciar a Boa Nova a todas as pessoas, é minha, é sua, é nossa.

Embora nos sintamos como Jeremias, despreparados para a Missão, Jesus Cristo nos garante a assistência do Espírito Santo. É por Ele que temos assegurado o êxito do empenho que nos é solicitado. Não estou sozinho, Deus está comigo, Ele me assiste na realização de sua Vontade.

Os dons com os quais Deus nos cumula são para o bem do seu povo, da Igreja. Nada do que somos e temos nos pertence, somos apenas administradores das riquezas que Deus coloca em nossa vida.

Como São Jerônimo Emiliano, que não se ateve a dizer o que os outros deviam fazer, mas fez, devemos ser fiéis de ação, pragmáticos, com menos palavras e teorias, com mais obras que demonstrem a presença do Reino de Deus no mundo e na história.


PALAVRA AO CANDIDATO A DIÁCONO.
Irmão Vicente, hoje a Igreja, confiando na palavra de sua congregação, dos Padres Somascos, e na formação que ela lhe ofereceu, chama-o para o sacramento da ordem, no grau do diaconato.

A vocação ao ministério ordenado é sempre um mistério. Viveremos cinqüenta, sessenta anos de ministério e ainda não teremos 100% de clareza da graça de Deus que nos envolve. Tudo é graça, tudo é mistério, seja na vida do diácono, do padre ou do bispo.

Agora, como um fiel diácono, o Senhor deverá viver a missão outrora confiada por Jesus Cristo aos discípulos, antes de sua ascensão ao céu: ir a todos os lugares do mundo para levar a salvação de Deus. E São Jerônimo assinala-lhe que, entre todas as pessoas destinatárias desta salvação, você deverá dar uma atenção singular para os doentes, as crianças, os jovens abandonados e aos convertidos.

A Igreja no mundo, hoje, vive em estado de missão, basta recordar os resultados da Vª Conferência Geral dos Bispos da América Latina e Caribe acontecida em Aparecida. Nossos ministérios ordenados, dos quais somos apenas administradores, e não donos, só serão plenificados se formos missionários, não de palavra, mas como São Jerônimo, agindo, indo ao encontro dos que Deus coloca ao longo do nosso caminho.

Como Diácono, no serviço do Altar, na administração dos Sacramentos, no exercício da Caridade, na pregação da Palavra, o Senhor possa inspirar-se na vida dos Diáconos São Lourenço e Santo Efrém, figuras ímpares que fazem o diaconato transluzir na Igreja.

No seguimento a Jesus Cristo, casto, pobre e obediente, o celibato vivido na fé, o empobrecimento voluntário e a obediência ao bispo e aos seus superiores, se constituirão em caminho de santidade e a melhor preparação possível para ser padre, se para esta graça a Igreja chama-lo daqui a algum tempo, e é o que esperamos em nosso coração.


CONCLUSÃO
Em nossos dias, em qualquer lugar que estivermos, não faltam pessoas sedentas da Palavra de Deus que precisam e esperam para serem missionadas; não faltam empobrecidos e enfermos a serem amados; crianças e jovens abandonados a serem assistidos e conduzidos ao conhecimento, ao amor e seguimento de Jesus Cristo. Não há maior caridade possível para com nossas crianças e jovens do que dar-lhes Jesus Cristo; ou, se preferirmos, conduzi-los a Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.

Muitos, muitíssimos destes jovens e crianças esperam agora pela vida e ação do Diácono Vicente. Deus não o quer, e a Igreja não o faz diácono, para que fique alguns meses esperando para ser ordenado padre, na comodidade da sacristia, da igreja, da meia dúzia de pessoas que nos cercam ordinariamente. Você é enviado ao mundo, às pessoas, para mostrar a todos o amor e a misericórdia de Deus, que transbordam para nós na pessoa de Jesus Cristo. E como Ele, você também não é feito diácono hoje para ser servido, mas para servir.

São especialmente para você o último versículo da segunda leitura: “Se alguém tem o dom de falar, fale como se fossem palavras de Deus. Se alguém tem o dom do serviço, exerça-o como capacidade proporcionada por Deus, a fim de que, em todas as coisas, Deus seja glorificado, por Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém”(1Pe 4, 11).

Que Nossa Senhora, Mãe de Deus e dos Órfãos, e São Jerônimo Emiliano, estejam ao seu lado na vivência do ministério diaconal que hoje lhe é confiado pela Igreja. Um dia o Senhor poderá ser padre, mas a mística do diaconato não deverá desaparecer. Caso isto venha a ocorrer, correr-se-á o risco de uma vida sacerdotal sem unção.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

Nomeações e alterações no trabalho dos padres na Região Episcopal Ipiranga


1. Padre Alexandre Ferreira dos Santos, transferido para a Região Episcopal Belém;
2. Padre Pedro Luiz Amorim Pereira, Pároco da Paróquia Santa Paulina, Assistente Espiritual do Mundo da Comunicação e Secretário da Comissão de Presbíteros-REI;
3. Padre José Lino Mota Freire, Vigário Paroquial da Paróquia Santa Paulina, Capelão do Hospital Heliópolis e Asssistente da Pastoral Vocacional;
4. Padre Anísio Hilário, Pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Labatut, e Vigário Geral na REI;
5. Padre Éverton Fernandes Moraes, Pároco da Paróquia Santa Ângela e São Serapião, Assistente Espiritual do Setor Juventude e Responsável pelo Departamento de Arquivos da REI;
6. Padre Tiago Gurgel do Vale, Vigário Paroquial da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Labatut, Capelão do Hospital do Servidor Público, Assistente Espiritual da FUNSAI e Vice-Assistente Espiritual do Mundo da Família;
7. Padre Marcos Giarola, Assistente Espiritual do Mundo da Família;
8. Padre Fábio Evaristo Resende Silva, cssr, Responsável pela Área Pastoral São Paulo e Comunidade Santa Ãngela
9. Padre Orlando Knapp, auxiliar na Paróquia Santo Afonso Maria de Ligório.

+ Tomé Ferreira da Silva
Vigário Episcopal

Posse Canônica do Padre Ramires Henriques de Andrade, nds

Na noite do dia 19 de fevereiro, a Paróquia São José, no Ipiranga, acolheu o Revmo. Sr. Pe. Ramires Henriques de Andrade, nds, como seu novo pároco, em uma Celebração Eucarística de rara beleza. Estavam presentes o Pe. Donizete, Geral da Congregação de Sion, Pe. Béo, Mestre de Noviços dos Padres de Sion, Pe. Manuel, Pe. José Maria e Padre Gilson, membros do Conselho Geral da Congregação, Pe. Antônio, Vigário Paroquial, Pe. Jorge Bernardes, Coordenador do Setor Pastoral Ipiranga, religiosas, religiosos, seminaristas e centenas de fiéis. A celebração foi presidida pelo Vigário Episcopal, Dom Tomé Ferreira da Silva. Estava presente também toda a família do novo pároco, vinda do Sul das Gerais, de Tocos do Mogi.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O melhor da festa é esperar por ela



De cinco a oito de abril de 2012 celebraremos o Solene Tríduo Pascal, o Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a maior entre todas as celebrações litúrgicas cristãs, sobretudo da Igreja Católica Apostólica Romana, que se prepara para ela com o tempo da quaresma, que iremos começar no dia vinte e dois de fevereiro, quarta-feira de cinzas.

A quaresma é um tempo penitencial, de conversão, marcado por três obras que ajudam a responder ao dom da santidade e da perfeição da vida cristã: a oração, o jejum e a caridade. É um tempo de recolhimento, de silêncio, de sobriedade no viver, uma pausa restauradora.

Olhando para a natureza, verificamos que ela vive ciclicamente através das estações: primavera, verão, outono e inverno, cada fase com características próprias, apesar das mudanças climáticas e das sempre possíveis intervenções humanas. Também o dia alterna-se com a noite. A vida humana, embora em outros ritmos, também se organiza em “ciclos”.

De algum modo, conservando as distâncias de toda analogia, o que é o inverno para a natureza, é a quaresma para a vida cristã. Os simbolismos próprios da vida litúrgica sinalizam para o que deve ocorrer na vida cotidiana: a ausência das flores, o toque grave e espaçado dos sinos, o uso da cor roxa nos paramentos litúrgicos, a supressão do canto do aleluia e da oração do “Glória” nas missas e o silêncio dos instrumentos musicais, apontam para um tempo de silêncio e reflexão.

Convido-o para preparar-se para o Tríduo Pascal, a celebração do Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, durante a quaresma, fazendo destes quarenta dias um tempo de silêncio, que possa facilitar a sua  reflexão e conseqüente resposta positiva ao dom da conversão, auxiliado pela prática da oração, do jejum e da caridade.

A prática do silêncio que propomos não acontece facilmente, mas implica nossa força de vontade e nossa disciplina. É um silêncio abrangente que pressupõe muitos elementos como: calar-se, externa e internamente; ouvir mais e falar menos; modéstia no olhar, quem sabe suprimindo temporariamente alguns programas em vídeo, televisivos, do cinema, do teatro, ou sendo mais criterioso na escolha dos mesmos; moderação no comer, até mesmo privando-se de algo que gosta, para transformar o seu fruto em caridade, por exemplo, deixar de consumir bebida alcoólica, drogas, doces; vestir-se com modéstia e moderação no uso dos cosméticos; abster-se de festas, folguedos, bailes e saraus.

As práticas mencionadas poderão ajudar no silêncio interior, que facilitará a reflexão e  conduzirá a uma mais intensa consciência de nossa filiação divina e da resposta amorosa que Deus, nosso Pai, espera de nós, a conversão, a mudança de vida, a santidade e a perfeição da vida cristã.

Para o dia vinte e dois de fevereiro, quarta-feira de cinzas, somos convocados à prática do jejum e da penitência: “Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiveram completado catorze anos de idade; estão obrigados à lei do jejum todos os maiores de idade ( quem completou 18 anos ) até os sessenta anos começados.”

“No Brasil, toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis nesse dia se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade”.

“A Quarta-feira de cinzas e a Sexta-feira santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia”. 


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Reunião Geral dos Padres presentes na Região Episcopal Ipiranga

Na manhã do dia 14 de fevereiro, os padres que trabalham na Região Episcopal Ipiranga estiveram reunidos para um momento de reflexão e informação. A reflexão foi conduzida pelo Revmo. Sr. Pe. Cícero Alves de França, DD. Reitor do Seminário de Teologia Bom Pastor, da Arquidiocese de São Paulo, a partir da "Carta Apostólica sob Forma de Motu Proprio Porta Fidei", do Sumo Pontífice Bento XVI, com a qual se proclama o Ano da Fé. O momento de informação foi realizado pelo Revmo. Sr. Pe. Marcelo Maróstica Quadro, DD. Secretário Executivo do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, mostrando as grandes linhas do ano pastoral na Arquidiocese de São Paulo.
Crédito das fotos: Pe. Pedro Luiz

Encontro Arquidiocesano da Pastoral Vocacional

Na tarde do dia 14 de fevereiro reuni-me com a Equipe Arquidiocesana de Pastoral Vocacional. Com a presença do Pe. Messias de Moraes Ferreira, o coordenador, e dos Padres Reginaldo/Belém, Domingos/Sé, Adriano/Brasilândia, José Lino/Ipiranga e Claudemir/Santana. Foi um momento para rever a programação do ano de 2012 e distribuir responsabilidades.

Posse Canônica de Dom José Francisco na Arquidiocese de Niterói

Foi uma alegria participar da Santa Missa durante a qual Dom José Francisco Rezende Dias assumiu a Arquidiocese de Niterói, no Rio de Janeiro, nomeado para este ofício pelo Santo Padre o Papa Bento XVI. Surpreendeu-me não só a beleza da liturgia, mas o grande número de fiéis presentes, entre leigos, religiosas, seminaristas, diáconos, padres e bispos. Foi emocionante o carinho demonstrado pelos presentes a Dom Alano Maria Pena, agora bispo emérito.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Dia Mundial do Enfermo



No dia onze de fevereiro celebramos o Dia Mundial do Enfermo, na memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, invocação a Nossa Senhora muito usada pelos doentes, invocando-a, segundo reza a ladainha, como Saúde dos Enfermos. O Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França, é local de peregrinação que acolhe fiéis de todo o mundo, e muitos deles estão fragilizados pelos limites da vida humana.

O Papa Bento XVI escreveu uma mensagem para este Dia Mundial do Enfermo, convidando-nos a vivê-lo na perspectiva do Ano da Fé, que começa em outubro, e como preparação para o solene Dia Mundial do Enfermo a ser celebrado na Alemanha em onze de fevereiro de 2013, que terá como inspiração a figura bíblica do Bom Samaritano (Lc 10,29-37).

A mensagem para este ano de 2011 é inspirada no Evangelho de São Lucas, da narrativa do encontro de Jesus com os dez leprosos (Lc 17, 11-19). O lema proposto é: “Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”(Lc 17,19). Faz uma exortação para que redescubramos e valorizemos os sacramentos da cura, a Confissão e a Unção dos Enfermos, que conduzem o fiel à Eucaristia.

Jesus Cristo “inclinou-se sobre os sofrimentos materiais e espirituais do homem para curá-lo”. N’Ele Deus “não nos abandona em nossas angústias e sofrimentos, mas nos é próximo, nos ajuda a levá-los e deseja curar no profundo o nosso coração.”

A fé do leproso curado que retorna a Jesus Cristo mostra que “a saúde reconquistada é sinal de algo mais precioso que a simples cura física, é sinal da salvação que Deus nos doa através de Cristo. (...) A cura física, expressão da salvação mais profunda, revela assim a importância que o homem na sua integralidade de alma e corpo representa para o Senhor”.

O sacramento da Confissão “consiste no restituir-nos à graça de Deus unindo-nos a Ele em íntima e grande amizade”. “No remédio da Confissão, a experiência do pecado não degenera em desespero, mas encontra o Amor que perdoa e transforma.”

No sacramento da Unção dos Enfermos, “toda a Igreja  recomenda os enfermos ao Senhor sofredor e glorificado, a fim que alivie suas penas e os salve, e ainda os exorta a unirem-se espiritualmente à paixão e à morte de Cristo, para contribuir ao bem do Povo de Deus”.

“Na Unção dos Enfermos, a matéria sacramental do óleo nos vem oferecida, por assim dizer, como remédio de Deus, que agora nos torna certos da sua bondade, nos deve reforçar e consolar, mas que, ao mesmo tempo, além do momento da doença, nos traz a cura definitiva, a ressurreição”.

Comentando o Salmo 102, Santo Agostinho afirma: “Deus cura todas as suas enfermidades. Não temais portanto: todas as suas enfermidades serão curadas. Tu deves somente permitir que Ele te cure e não deves rejeitar as suas mãos.”

A Eucaristia recebida no momento da doença “associa quem se nutre do Corpo e do Sangue de Jesus à oferta que Ele fez de Si mesmo ao Pai para a salvação de todos (...) A Igreja deve assegurar a proximidade com freqüência da comunhão sacramental àqueles que, por motivos de saúde e de idade, não podem chegar aos locais de culto.” Segundo Santo Inácio de Antioquia, a Eucaristia, como viático, “é remédio de imortalidade, antídoto contra a morte, sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo ao Pai, que a todos espera na Jerusalém celeste”.

Que Nossa Senhora de Lourdes, Mãe da Misericórdia e Saúde dos Enfermos, “acompanhe e sustente a fé e a esperança de cada pessoa doente e sofrida no caminho da cura das feridas do corpo e do Espírito”.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo


Aprovação de Milagre

Convidamos a todos/as para acolher com reconhecimento profundo e júbilo a maravilhosa notícia da aprovação, por parte da Congregação das Causas dos Santos, no dia de hoje, do  milagre através de “Madre Assunta Marchetti”, a co-fundadora da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, Scalabrinianas, Província Nossa Senhora Aparecida e Tia de Dom Vicente José Marchetti Zioni, elevando também o nosso “Deo Gratias” e nosso louvor Àquele que realiza grandes coisas para aqueles que, como Assunta Marchetti, souberam sempre ser dóceis nas mãos do Pai. Aleluia! Agora é esperar a aprovação do mesmo pelos Teólogos e Cardeais, como últimos passos antes da proclamação da beatificação.

Saiba mais sobre a Madre Assunta

Madre Assunta faleceu em 01 de julho de 1948, no Orfanato Cristóvão Colombo, em Vila Prudente, São Paulo, onde dedicou totalmente sua vida a serviço dos órfãos e migrantes mais pobres e necessitados, por longos anos. Depois de 115 anos de seu nascimento, seu testemunho continua ecoando em nosso meio como a mãe dos órfãos e dos migrantes. Em sua homenagem, o abrigo existente no bairro de Vila Prudente, em São Paulo, hoje é chamado “Casa Madre Assunta Marchetti”, espaço onde as irmãs scalabrinianas continuam atendendo a crianças e adolescentes órfãos e de famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Missa de Domingo na Catedral

A pedido do Revmo. Sr. Cônego Walter Caldeira, DD. Cura da Catedral Metropolitana de São Paulo, Dom Tomé presidiu a Santa Missa das onze horas na Catedral da Sé, em São Paulo. Foi grande a participação dos fiéis, entre os quais pessoas de Rondonia, Roraima e Santa Catarina; também fiéis vindos da Nicarágua, Honduras, Costa Rica e Argentina.
Crédito das fotos: Helena Ueno

Posse Canônica de Padre Pietro Plona em Santana

Dom Tomé, na noite do dia quatro de fevereiro, respondendo à solicitação de Dom Odilo Pedro Scherer, presidiu a Santa Missa na Paróquia Nossa Senhora da Penha, no Jardim Peri, Região Episcopal Santana, dando posse canônica ao Pároco Padre Pietro Plona, membro do Instituto Missões Consolata. Muitos fiéis estavam presentes, diversas religiosas das congregaçoes da Consolata, Irmãs da Caridade e Casa de Maria. Do Instituto Missões Consolata estava o Superior Provincial, Pe. Élio Rama, os formadores Pe. Luís Emmer e Pe. Francisco Paco, o Vigário Paroquial Pe. Anthony e diversos seminaristas. Da Região Episcopal Santana estava o Pe. Jeremias, que é o atual Vigário Episcopal, o Pe. Geraldo da Paróquia Santa Cruz do Horto e o seminarista Luís. Logo postaremos fotos dessa celebração.