sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Uma jovem senhora cidade


A cidade de São Paulo celebra em 25 de janeiro, dia da Conversão do Apóstolo São Paulo, o aniversário de sua fundação. São 458 anos de fecunda existência que enobrece o Brasil e enriquece o mundo com seu dinamismo no universo da cultura e das artes, economia e administração, arquitetura e engenharia, indústria e comércio, medicina e política, da fé e do trabalho social, com destaque pela presença da Igreja Católica e sua ação que, desde os primórdios, faz parte da vida desta metrópole.

Exuberante e virtuosa,  São Paulo não é perfeita, talvez por causa de sua complexidade, com muitos desafios que vão sendo continuamente vencidos pelos seus tenazes habitantes e governantes. É uma “cidade-mutirão”, feita com muitas inteligências e mãos, onde nenhuma contribuição é menosprezada. É uma cidade capaz de integrar não só as pessoas, mas também o que elas trazem em sua bagagem, sobretudo a sua vontade de trabalho e de vencer na vida.

Nos últimos dias de dezembro, o centro da cidade de São Paulo viveu a terrível experiência do incêndio em um velho prédio na favela do Moinho, espalhando medo entre seus moradores. Há três anos, num início de noite, quando fui celebrar a Missa nesta favela, acompanhando os missionários leigos da Aliança de Misericórdia, pediram-me para ir ao encontro de um doente que se encontrava neste prédio, agora destruído, o que fiz de boa vontade.

Chegando ao prédio, depois de muita procura, não encontramos o doente, pois a pessoa havia sido levada para um hospital. Se triste e deprimente é a condição de vida dos moradores dos barracos e das ruas, pior ainda era a situação vivida pelos que se encontravam neste imóvel, algo indescritível, pois as palavras não são suficientes para exprimir a realidade ali encontrada, expressão da mais dura miséria que pode assolar a pessoa humana.

Na Região Episcopal Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, que engloba três subprefeituras, Ipiranga, Vila Mariana e Jabaquara, encontramos diversos bolsões de pobreza, com favelas e cortiços, por exemplo: ao lado da Avenida Tancredo Neves, na Vila Livieiro, nos domínios paroquiais do Santuário São Judas Tadeu, nas proximidades das Juntas Provisórias, no Parque Bristol e em alguns espaços de Heliópolis, entre outros. Já tive a oportunidade de visitar seus moradores diversas vezes e acompanho-os no que é possível. Nossa Igreja Católica está presente em todos estes lugares.

Menciono os fatos acima para afirmar que um dos grandes desafios a serem vencidos em  São Paulo é a questão habitacional. Faltam casas, muitas casas, para que as pessoas vivam com dignidade. Neste contexto, o acordo assinado entre o Governador Geraldo Alckmin e a Presidente Dilma Rousseff, sob os olhares do Prefeito Gilberto Kassab, no dia 12 de janeiro deste ano, na ordem de R$ 8,4 bilhões para a construção de moradias populares no Estado de São Paulo é uma “gota de água no oceano”, mas não deixa de ser um bom sinal.

Parabéns São Paulo! Muitos anos de boa vida aos seus habitantes! Deus nos abençoe!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

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