quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A MÃE DE DEUS, A PAZ E A FRATERNIDADE UNIVERSAL

Há um visível e incômodo descompasso entre o ano civil e o religioso, para nós que pertencemos à Igreja Católica Apostólica Romana. Enquanto para muitas culturas o primeiro de janeiro é festa de ano novo, comemorado de múltiplos modos, para nós é o dia da Solenidade de Santa Maria, a Mãe de Deus. Este mesmo dia é considerado como “dia da confraternização universal”, ou ainda, “dia da paz”. Na liturgia de nossa Igreja, não é impossível celebrar em um só dia todos estes eventos, mas não é fácil conciliá-los.

Gosto muito do título dado à solenidade de primeiro de janeiro: Santa Maria, Mãe de Deus. Não é comum, na liturgia ou na piedade popular, chamar Nossa Senhora de Santa Maria. Lembrar a santidade de Nossa Senhora através de seu nome, Maria, é de uma singularidade ímpar, recorda-me a sua humanidade santificada, como ocorre com os outros santos em nossa Igreja. Faz-me voltar à singeleza, silêncio, sobriedade e vida de trabalho em Nazaré. Neste contexto, a santidade de Maria e a santidade de José são expressões da santificação do ordinário vivido à luz da extraordinariedade da graça santificante de Deus que irrompe para nós na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O nome da Santa Mãe de Deus, Maria, é muito presente na designação das pessoas em nossas famílias. É incontável o número de mulheres que recebem o nome de Maria, ou alguma flexão dele. É também usado como segundo nome em alguns homens. O mesmo nome, ou com algumas variações, é usado para designar algumas cidades. São inúmeras as músicas sacras e profanas compostas a partir da pessoa de Santa Maria, ou dedicadas a ela. O nome da Santa Mãe de Deus, Maria, está presente na vida das pessoas e da sociedade,  não só na vida da Igreja enquanto instituição.  

A Maternidade Divina de Maria é um dogma de fé. “O título de Mãe de Deus exprime a missão de Maria na história da salvação, que está na base do culto e da devoção do povo cristão, uma vez que Maria não recebeu o dom de Deus só para si, mas para levá-lo ao mundo (...) Nós honramos Maria sempre Virgem, solenemente proclamada santíssima Mãe de Deus pelo Concílio de Éfeso, para que Cristo fosse reconhecido, em sentido verdadeiro e próprio, Filho de Deus e Filho do Homem”. Não é sem razão que as duas primeiras invocações da Ladainha de Nossa Senhora recordam Nossa Senhora invocando-a como Santa Maria e Santa Mãe de Deus.

“É em nome de Maria, mãe de Deus e mãe dos homens, que se celebra no mundo inteiro o ‘dia da paz’; aquela paz que Maria, uma de nós, encontrou no abraço infinito do amor divino; aquela paz que Jesus veio trazer aos homens que creram no amor. Em sentido bíblico, a paz é o dom messiânico por excelência, é a salvação trazida por Jesus, é a nossa reconciliação e pacificação com Deus. É também um valor humano a ser realizado no plano social e político, mas lança raízes no mistério de Cristo”.

No desejo da confraternização universal, devemos lembrar as palavras do Papa Paulo VI em seu discurso à ONU, em 04 de outubro de 1965: “ A paz, a paz deve guiar o destino dos povos e da humanidade toda! Se quereis ser irmãos, deixai cair as armas de vossas mãos. Não se pode amar com armas ofensivas em punho”. Não devemos esquecer as palavras de John Kennedy: “ A humanidade deve pôr fim à guerra, ou a guerra porá fim à humanidade”.

Desejo-lhe, sob a proteção de Santa Maria, Mãe de Deus, um ano abençoado. Que seja um tempo de paz e fraternidade para você e para os que são destinatários do seu amor.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

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