quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Celebração em Aparecida - Homilia na Íntegra

Na manhã do dia 22 de Novembro, Dom Tomé presidiu a Santa Missa por ocasião do 250° Anos de fundação da primeira escola das Irmãs da Providência de GAP. Confira algumas fotos e a Homilia na Íntegra.


HOMILIA NA CELEBRAÇÃO DOS 250 ANOS DE FUNDAÇÃO DA PRIMEIRA ESCOLA DAS IRMÃS DA PROVIDÊNCIA DE GAP.

APARECIDA, 22 DE NOVEMBRO DE 2011.

MEMÓRIA DE SANTA CECÍLIA.

INTRODUÇÃO:
Caro filho, querida filha! Como é bom nos encontrarmos no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, Mãe de Deus e nossa. Ela nos acolhe terna e maternalmente, permitindo-nos experimentar no seu amor o cuidado de Deus, sensível para nós na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, que “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).

Recordamos hoje a memória litúrgica de Santa Cecília, cuja virgindade foi consagrada pelo martírio, que viveu nos primeiros séculos do cristianismo. É a padroeira dos músicos.

Acolhendo cada peregrino e romaria que se encontra no Santuário, acolhemos a Congregação das Irmãs da Providência de Gap, que celebra os 250 anos do envio da primeira irmã, chamada Margarida Lecomte, pelo fundador, Beato João Martinho Moye, a iniciar a missão da Congregação, então nascente, no ano de 1762, indo para Vigy, na França, para viver unicamente confiada na Providência de Deus e educar as crianças empobrecidas. São 250 anos da fundação da primeira escola. 

1ª LEITURA
A leitura que ouvimos da Profecia de Daniel é uma palavra de ânimo ao Povo de Deus  que se encontrava em tempo de perseguição e sofrimento. Ela deseja suscitar a esperança em tempos melhores.

A sucessão e a destruição dos reinos que dominam sobre o Povo de Deus, o babilônico, o medo-persa, o de Alexandre e o dos Selêucidas de Antioquia, mostra que Deus é o único Senhor e Juiz da história. Os reinos serão absorvidos pelo Reino de Deus, que não será destruído.

EVANGELHO
No evangelho Nosso Senhor Jesus Cristo fala de um tempo exigente para os cristãos  marcado pela destruição do templo de Jerusalém, pelo aparecimento de falsos profetas, pela ocorrência de guerras sangrentas e grandes tragédias naturais.

MEDITAÇÃO
O Reino que será instaurado por Deus, segundo o profeta Daniel, e que invocamos quando rezamos o Pai Nosso, “Venha a nós o Vosso Reino”, nós o encontramos em Nosso Senhor Jesus Cristo, a pedra rejeitada, mas que se tornou a pedra fundamental sobre a qual se ergue o edifício da Igreja, sinal do Reino de Deus no mundo e na história. “A pedra que os construtores rejeitaram, esta é que se tornou a pedra angular. Isto foi feito pelo Senhor, e é admirável aos nossos olhos” ( Mt 21, 42 ).

O hino da oração da manhã, deste domingo passado, dirigindo-se a Nosso Senhor Jesus Cristo dizia assim: “Da raça humana cabeça, sois duma Virgem a flor, pedra que, vindo do monte, a terra inteira ocupou”.

Nossa realidade não se distancia muito daquela descrita pelo Profeta Daniel e por Jesus Cristo, no evangelho de hoje: são muitos os governos marcados pela tirania e que provocam sofrimento para o povo que continuamente são substituídos; lugares sagrados são destruídos ou vendidos; as guerras e guerrilhas parecem não ter fim; as convulsões da natureza ainda trazem destruição; os falsos profetas são abundantes e operosos.

Analisando a situação do mundo hoje, as vezes temos a impressão da prevalência do mal sobre o bem. Este é o nosso tempo, o tempo da Igreja, que devemos viver na fé em Jesus Cristo, na esperança da vinda plena do Reino de Deus, no amor a Deus e ao próximo.

Não esqueçamos que o joio cresce com o trigo, como explica Nosso Senhor Jesus Cristo na parábola: “ Deixai crescer o joio e o trigo até a colheita. No momento da colheita, direi aos que cortam o trigo: retirai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! O trigo, porém, guardai-o no meu celeiro” ( Mt 13, 30 ). Por isso, “Quanto mais obscuro e incerto for o hoje, tanto mais a fé nos faz voltar a Deus, que guia a história”.

Igualmente, não percamos de vista que o templo de Deus é, em primeira instância, o coração do Filho Nosso Senhor Jesus Cristo. “E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que recebe do seu Pai como filho único, cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 14).

A partir da obra redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo o templo verdadeiro é o coração de cada fiel que acolhe a Deus e se deixa guiar por Ele: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos  e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23).   

CONCLUSÃO
Rendemos graças a Deus pela Congregação das Irmãs da Providência de Gap, presentes no Brasil, com duas províncias, com sedes em Itajubá, MG, e São Paulo, na capital. Elas constituem um dos bons frutos, entre muitos outros, surgidos pela obra incansável do Beato João Martinho Moye e, de certo modo, de Irmã Margarida Lecomte, operária da primeira hora.

Os 53 anos vividos por Irmã Margarida Lecomte em Vigy, e as peregrinações missionárias do Beato João Martinho Moye pela França, China e Alemanha, são um convite para que as suas filhas, continuadoras do carisma, saibam hoje aliar a dimensão missionária da fé e da congregação à estabilidade do amor fiel capaz de transformar as pessoas e a sociedade. Que o legado deixado por eles possa ser primorosamente cultivado e passado para outras gerações, para o bem do Povo de Deus.

Na expectativa do advento que se aproxima, que Nossa Senhora Aparecida, Santa Cecília, e o Beato João Martinho Moye nos ajudem a viver os próximos dias com o coração voltado para o alto, clamando “Maranathá! Vem Senhor Jesus!”.

Enquanto isso, louvamos e exaltamos o Senhor rezando: “Vós, todas as obras do Senhor, bendizei o Senhor: anjos do Senhor, bendizei o Senhor. Ó céus, bendizei o Senhor: E vós, todas as águas acima dos céus, bendizei o Senhor. Vós, todas as potências, bendizei o Senhor” (Dn 3, 57-61).


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo

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