segunda-feira, 3 de outubro de 2011


Jubileu Áureo de Ordenação Sacerdotal de Dom Aloísio Roque Oppermann, scj
No dia 28 de setembro, em Varginha, MG, na Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, Dom Aloísio Roque Oppermann, scj, DD. Arcebispo de Uberaba, celebrou a Eucaristia com Padres, aproximadamente em número de 30, religiosas, e leigos, centenas deles, da Diocese da Campanha, recordando os 50 anos de sua ordenação sacerdotal. Ele foi Pároco desta paróquia, depois Bispo desta diocese, antes de tornar-se Arcebispo de Uberaba. Nesta oportunidade Dom Tomé, convidado por Dom Diamantino Prata de Carvalho, ofm, DD. Bispo Diocesano da Campanha, pronunciou a homilia, cujo texto segue abaixo.




Homilia na íntegra
“Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”, nesta noite de 28 de setembro, à sombra do Divino Espírito Santo, nesta Igreja edificada no coração de Varginha, a maior entre as cidades desta Diocese da Campanha, centenária senhora que prodigamente semeia entre os colos das montanhas, ao sul e leste, e nos campos, no centro e norte , a presença de Deus, que habitando nesta terra não economizou em generosidade nas belezas naturais, na fecundidade do solo, na bondade de sua gente e na pureza e autenticidade da fé de seus filhos e filhas.
Celebramos nesta noite, no Mistério de Nosso Senhor Jesus Cristo, morto e ressuscitado para a nossa salvação, a ação de graças pelos fecundos 50 anos da ordenação sacerdotal de Dom Aloísio Roque Oppermann, scj, DD. Arcebispo de Uberaba, que aqui foi pároco e bispo inesquecível desta Igreja Particular da Campanha.
“Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como guardiães, como pastores da Igreja de Deus que ele adquiriu com o seu sangue”(At 20, 28). Este é o conselho de São Paulo, em Mileto, aos presbíteros da Igreja de Éfeso.
A Igreja é de Deus, adquirida por ele ao preço do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para e nesta Igreja, que é sua, Deus suscita pastores, guardiães de seus filhos e filhas, instruídos a agir sob a orientação do Espírito Santo. O cuidado do rebanho, que é do Senhor, não está desvinculado do cuidado que o pastor deve ter sobre si mesmo: cuidando de si, cuida do rebanho; cuidando do rebanho, cuida de si. Antes de ser pastor, é fiel com os fiéis, devendo viver como tal, pressuposto para acolher, desenvolver e viver o ministério que lhe é conferido na Igreja, pela Igreja e para a Igreja.
Escrevendo a Timóteo, seu colaborador desde jovem e tido carinhosamente como filho, São Paulo faz uma série de recomendações, entre as quais encontramos algumas que não podem faltar na pessoa do bispo: irrepreensibilidade e sobriedade, ponderação e educação, hospitalidade e capacidade de ensinar, não dado à bebida, mas moderado, não cultivador da cobiça e da soberba, ser maduro na fé, capaz de administrar e gozar de boa estima também fora da Igreja. São virtudes habituais, necessárias a todos os fiéis, por isso também aos bispos, que devemos vivê-las mais intensamente, em decorrência do ministério que de graça recebemos.
Querido Dom Roque Oppermann, nesta noite amena de setembro, quando a terra está sedenta das chuvas que tardam a chegar, e os cafezais as esperam para florir e espalhar o seu perfume, que encantando e inebriando-nos serão sinais de futura colheita farta no ano vindouro; nesta terra, no passado carinhosamente chamada de “Princesa do Sul”, o primeiro sentimento que brota em nosso coração é de gratidão a Deus que lhe ofereceu o dom da vida, da existência cristã e da vocação sacerdotal; reconhecimento à Igreja, Mãe e Mestra, que o acolheu como filho, educa-o na fé, ofereceu-lhe a graça da formação teológico-filosófica e o chamou ao sacramento da Ordem, como diácono, sacerdote e bispo; gratidão à congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus que modelou o seu coração de religioso, que um dia enviou-o em missão ao Sul das Gerais, ocasião em que o conhecemos, convivemos e começamos a admirá-lo como fiel, religioso, sacerdote e bispo.
Jesus Cristo, glorificado pela cruz e ressurreição, em conversa com o apóstolo Pedro, na aparição aos discípulos junto ao lago de Tiberíades, confia-lhe o pastoreio do Povo que ele conquistou com o seu sangue. Neste diálogo dois verbos chamam a atenção: amar e cuidar. Amar a Jesus Cristo e cuidar das ovelhas. Jesus Cristo estabelece uma relação dialética entre o amor que Pedro lhe deve e a missão que Ele lhe confia: amar a Jesus Cristo para cuidar das ovelhas, cuidar das ovelhas para amar a Jesus Cristo. O amor a Deus leva ao cuidado dos seus, o cuidado com os fiéis leva ao amor a Deus. Amar e cuidar, dois verbos que expressam uma única ação insubstituível na vida cristã, em decorrência do batismo, pelo qual somos pastores, e na vida ministerial, para nós sacerdotes e bispos, pois quando configurados com Jesus Cristo Cabeça devemos ser para o seu Corpo ícones d’Ele mesmo, o Bom Pastor.
Olhando para o Senhor, nesta noite, Dom Aloísio Roque Oppermann, testemunhamos como a Palavra de Deus se transformou em vida na sua vida: como bom filho e discípulo vive na Igreja reconhecendo-a como propriedade de Deus, não fazendo dela sua propriedade pessoal e não agindo sobre ela movido pelo seu bem querer, mas respeitando as moções do Espírito Santo; cuidando de sua fé, cuida do rebanho que lhe é confiado; cultiva as virtudes, não só as humanas, mas as teologais, estas acolhidas em seu coração como “tesouros em vasos de argila”; como ministro de Deus na Igreja, vive virtuosamente, em intensidade singular, como convém a um apóstolo de Jesus Cristo; no exercício do ministério sacerdotal, e agora episcopal, concilia como um mestre o amor a Jesus Cristo e o cuidado aos fiéis, consciente de que “quem ama, cuida e, quem cuida, ama”.
Caros fiéis e queridos padres, permitam-me expressar algumas impressões pessoais que guardo na alma, e que poderá não agradar ao nosso áureo jubilando, por sua discrição evangélica, que são fruto de minha convivência com ele, como colaborador no seu episcopado nesta diocese da Campanha.
Uma pessoa simples, simplicidade própria dos que vivem a fé em profundidade, cultivada com esmero, dia após dia, silenciosamente, apenas para agradar a Deus Pai, fazendo-se simples como simples foi nosso Senhor Jesus Cristo, sobretudo em sua vida oculta em Nazaré; simplicidade que floresceu em humildade, nem sempre entendida entre nós, reproduzida em uma vida sóbria e despojada como convém aos que vivem como Nossa Senhora, a Serva do Senhor.
Como bispo sabe cultivar a virtude da paciência, não como indecisão, mas como o agricultor que oferece nova chance à figueira para que produza fruto até a próxima estação, como o Pai que faz chover sobre bons e maus, aguardando que estes últimos retornem à sua casa, como o filho pródigo, que arrependido torna-se pródigo filho. Como bispo entre nós, nunca o vi elevar a voz com qualquer fiel ou sacerdote, nem mesmo expressar descontentamento ou fadiga diante de nossas limitações.
Pastor solícito, pragmático, vive o tempo como escatológico, sem tempo a perder, pois é o último, tendo consciência de que é preciso chegar a todos, para que ninguém fique privado dos mistérios de Deus; por esta razão, não se fez refém da residência episcopal São José, da solenidade ímpar de nossa Igreja Catedral ou deixou-se fazer prisioneiro da burocracia curial, mas tornou-se um bispo em contínuo movimento, sobre rodas, a percorrer as paróquias, as capelas, casas religiosas, obras sociais, famílias, de modo incansável, sendo consumido de zelo pelas coisas do Senhor. Um bispo presença, presente.
A sua ação pastoral é eivada de sabedoria, continuamente buscada na Palavra de Deus e no Magistério da Igreja. Um bispo da Igreja, com a Igreja, para a Igreja, cônscio de ser parte do Colégio Episcopal unido ao Papa. Sabedoria alimentada pela sã teologia, sempre atualizado nas leituras teológico-espirituais. Perspicaz no discernimento dos sinais dos tempos, um homem do seu tempo. Características contempladas em suas homilias, artigos, nas suas orientações pastorais e em suas sempre oportunas e ponderadas intervenções nas assembléias gerais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Querido Dom Roque Oppermann, sinto-me honrado em poder rezar com V. Excia. esta Eucaristia, nesta promissora cidade de Varginha, nesta Diocese da Campanha, que trago no coração e da qual sou filho. Olhando-o hoje, neste altar, tento compreender o segredo da fecundidade e operosidade de sua vida sacerdotal e episcopal. Diante de tantas interpretações possíveis, uma certeza é clara: o Senhor é o que é, faz o que faz, porque é um padre, um bispo, do Coração de Jesus, e assim deseja sê-lo para nós seus amigos e para seu povo, como Arcebispo em Uberaba.
Assegurando-lhe nossa graciosa amizade e humildes preces, o recomendamos à preciosa, terna e materna proteção de Nossa Senhora do Carmo, assim invocada nestas terras diocesanas da Campanha da Princesa. Que Nhá Chica e Pe. Victor, que receberam seu empenho pessoal para organizar e agilizar os seus processos de beatificação, ainda em andamento, sejam seus intercessores junto a Jesus Cristo, que este seja o Pastor Bom também para o Senhor, angariando-lhe de junto de Deus Pai as melhores bênçãos celestes, sobretudo aquelas que mais desejam o seu coração neste momento. Obrigado pela sua fidelidade amorosa, amorosa fidelidade, àquele que lhe concedeu o dom da vida, da vida cristã e da vocação. Deus lhe pague!

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo



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