quarta-feira, 5 de outubro de 2011

FESTA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

PARÓQUIA SÃO FRANCISCO DE ASSIS –70 ANOS DE CRIAÇÃO

No contexto das primeiras chuvas da primavera, tardias sem dúvida, celebramos a memória de São Francisco de Assis, padroeiro desta Paróquia, com sede neste bairro da Vila Clementino, criada a setenta anos, situada entre prédios residenciais e de escritórios, entre hospitais e casas de saúde, os mais diversos possíveis: do Hospital do Servidor Público ao Hospital São Paulo, do Amparo Maternal à Cruz Verde, entre outros.
Jesus Cristo, antes ainda da morte de São João Batista, enfrentou vários questionamentos sobre a sua obra e missão. Não eram só pessoas que individualmente o rejeitavam, mas cidades inteiras, como Corazim, Betsaida e Cafarnaum, que receberam seus milagres, mas não aderiram a Ele na fé, não o acolheram como o Filho de Deus, o Salvador, não se arrependeram de seus pecados e não buscaram a conversão.
É neste contexto de rejeição que Jesus Cristo pronuncia as palavras ouvidas no Evangelho hoje proclamado, mostrando que os pequeninos e humildes estão mais predispostos à salvação do que os considerados sábios e entendidos, como os anciãos e os sacerdotes. Ele, Jesus Cristo, reconhecendo esta predileção do Pai, louva-O com esta bela e singela oração: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado”.
Na segunda parte da oração de Jesus Cristo há a manifestação de um segredo da relação entre Ele e o Pai, a vida de comunhão: “Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.
O que Jesus Cristo é e faz, Filho de Deus e Salvador, lhe é entregue por Deus Pai; n’Ele, no Pai, está a fonte e razão de ser da missão de Jesus Cristo: o amor do Pai à pessoa humana, chamada desde sempre a ser seu filho e filha, através da obra salvadora do Filho, Jesus Cristo.
A pessoa e a missão de Jesus Cristo, contestada e rejeitada por muitos dos seus patrícios e contemporâneos, são conhecidos por Deus Pai, pois Ele é um com o Pai, veio entre nós para fazer a Vontade do Pai.
Ao mesmo tempo, Jesus Cristo conhece o Pai, pois é um com Ele; d’Ele recebeu a missão de salvar a humanidade, santificando o mundo e a história com a sua encarnação, morte e ressurreição. O conhecimento do Pai e a comunhão com Ele não são realidades exclusivas de Jesus Cristo, mas Ele compartilha este conhecimento e comunhão com aqueles que Lhe são dados pelo Pai. Jesus Cristo oferece a São Francisco de Assis este conhecimento e comunhão com Deus Pai.
A revelação de parte do mistério Trinitário, contida na passagem do Evangelho de hoje, de modo sucinto e objetivo, Jesus Cristo desenvolverá na sua Oração Sacerdotal, antes de sua agonia, e que encontramos no capítulo dezessete do Evangelista São João.
Diante da autossuficiência dos que o rejeitam, Jesus Cristo dirige um apelo aos pequeninos e humildes: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós. Pois meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.
São Francisco de Assis acolhe em sua vida o apelo de Jesus Cristo feito no Evangelho de hoje, fazendo-se ele mesmo pequenino e humilde, colocando em Jesus Cristo o fardo de sua vida mundana e aventureira que experimentara na primeira juventude e que agora não mais o satisfaz, tornando-se para ele um ônus. Encontrando no coração de Jesus Cristo o descanso, a mansidão e a suavidade, torna-se ele mesmo manso e suave, faz-se seu discípulo, ainda que para isto experimente intensamente em sua vida o mistério da cruz.
Como São Paulo, no texto que ouvimos de sua carta aos Gálatas, São Francisco de Assis vai fazendo paulatinamente em sua vida a experiência do mistério da Cruz de Jesus Cristo, tornando-se participante dela: em Jesus Cristo, com Jesus Cristo, por Jesus Cristo, ele se faz crucificado para o mundo, para que o mundo seja crucificado para ele. Nesta dinâmica de morte, nasce a vida para ele, ele torna-se nova criatura, com relações renovadas com as pessoas, o mundo e a história.
O fruto desta experiência de São Francisco de Assis, de morrer para o mundo e de deixar o mundo morrer para ele, oferece-lhe uma profunda liberdade interior, que o torna livre também diante de tudo e de todos, doravante preso somente pelo amor de Deus Pai que Jesus Cristo lhe dera conhecer e saborear. Uma experiência tão singular que faz com que traga, por graça, em seu próprio corpo, as marcas de Jesus Cristo, expressão de sua participação existencial no mistério da Cruz do Divino Salvador.
A oração da coleta da missa de hoje reza: “ Ó Deus, que fizestes São Francisco de Assis assemelhar-se ao Cristo por uma vida de humildade e pobreza...”. Sim, São Francisco vive uma proximidade tal com Jesus Cristo que assemelha-se a Ele, no coração e na vida, interior e exteriormente: na mansidão de Jesus Cristo, faz-se manso; na humildade de Jesus Cristo, faz-se humilde; do mestre Jesus Cristo, faz-se discípulo; da paz de Jesus Cristo, faz-se arauto; faz suas a paixão e a cruz de Jesus Cristo; na obediência de Jesus Cristo à Vontade do Pai, faz-se obediente à Igreja; como Jesus Cristo que despojou-se de sua divindade, até a morte e morte de cruz, São Francisco de Assis despoja-se não só do que lhe pertence, mas despoja-se de si mesmo, esvazia-se radicalmente, para fazer de sua vida uma oferenda agradável a Deus, no serviço a todas as criaturas, vivendo oblativa e sacerdotalmente, tornando-se imagem viva de Jesus Cristo.
Vivemos na Igreja o mês das missões. No Brasil, neste ano, somos chamados, ainda à luz da Campanha da Fraternidade, a experimentar a missão através da preservação e promoção da vida no planeta. Sem dúvida, também aqui, São Francisco é grande inspirador, convocando-nos a uma vida de sobriedade e recato, preservando para as futuras gerações as belezas naturais e as condições necessárias para uma vida digna e decente em tempos vindouros, sem degenerar e esgotar os recursos naturais e sem levar à exaustão o nosso planeta.
Ao procurar um gesto concreto para agradecer a São Francisco de Assis a proteção que ele nos oferece, não esqueçamos que, nestes dias, alguns povos da África como os que habitam a Etiópia, Eritréia, Somália, Sudão e Sudão do Sul, entre outros, clamam por nossa ajuda para matarem a fome que agora os mata. Nossa ajuda, sempre em dinheiro, pode ser encaminhada através de depósito bancário em nome da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, CNPJ 62021308/0001-70, Banco Itaú, agência 7657, conta corrente 10834-1. Outras informações podem ser adquiridas no escritório desta ou de outra paróquia de nossa Arquidiocese de São Paulo. “Milhões de pessoas padecem pela fome.Solidariedade com a África. O amor não tem fronteiras.”
Agradecemos a Deus os setenta fecundos anos de existência desta simpática Paróquia de São Francisco de Assis, na Vila Clementino, um centro irradiador da presença de Deus nesta cidade de São Paulo. A Arquidiocese de São Paulo, através de Dom Odilo Pedro Cardeal Scherer, juntamente com seus Bispos Auxiliares, Dom Joaquim Justino Carreira, Dom Tarcísio Scaramussa, Dom Milton Kenan Júnior, Dom Edmar Perón, Dom Júlio Endi Akamine, com nossos Arcebispos Eméritos Dom Paulo Evaristo Arns, ofm, e Dom Cláudio Hummes, ofm, é imensamente grata à Ordem dos Frades Menores pela presença e trabalho dos seus Frades nesta Paróquia, fato que enriquece esta Igreja Particular e contribui efusivamente para a santificação do povo desta cidade de São Paulo. Deus lhes pague! Uma gratidão singular, na pessoa de Frei Djalmo Fuck ofm, aos Frades que hoje estão à frente dos trabalhos pastorais.
Uma recordação especial aos Frades e Leigos que trabalharam aqui ao longo deste setenta anos, que com seu zelo pastoral deram a vida para a vida desta Paróquia. Uma recordação dos Frades e Leigos falecidos, na pessoa do Frei Felisberto, Operário da Primeira Hora, o primeiro a plantar a semente da árvore frondosa de cujos frutos hoje usufruímos.
+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo












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