sexta-feira, 28 de outubro de 2011

“EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA”(Jo 11, 25)


A lembrança dos falecidos. A recordação dos mortos com uma celebração especial é um costume humano amplamente difundido nas diversas culturas, um dado antropológico. No dia 02 de novembro a Igreja Católica Apostólica Romana realiza a comemoração de todos os fiéis defuntos, práxis que teve origem no mosteiro beneditino de Cluny, com o Abade Santo Odilon, no ano de 998, muito embora já no século II já houvesse testemunhos da lembrança dos mortos através de orações. No entanto, a prática de dedicar um dia aos mortos aparece pela primeira vez com o bispo Isidoro de Sevilha, falecido em 636.
A morte como mistério. A Constituição Pastoral Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, no número 18, fala da morte como mistério: “Diante da morte, o enigma da condição humana atinge seu ponto alto. O homem não se aflige somente com a dor e a progressiva dissolução do corpo, mas também, e muito mais, com o temor da destruição perpétua. Mas é por uma inspiração acertada do seu coração que afasta com horror e repele a ruína total e a morte definitiva de sua pessoa. A semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria, insurge-se contra a morte.”
A morte como experiência humana. A experiência da morte faz parte da vida, e a vida só pode ser compreendida levando-se em conta o mistério da morte. Santo Ambrósio, na obra que escreve comentando a morte de seu irmão Satiro afirma: “Tenhamos o costume quotidiano e a disposição interior de morrer, a fim de que, por meio dessa separação, nossa alma aprenda a separar-se dos desejos do corpo; e, como que situada no alto, aonde as paixões terrenas não possam chegar e prendê-la estritamente, acolha a imagem da morte para não incorrer na pena da morte.”
A recordação dos falecidos no Mistério Pascal de Jesus Cristo. A Constituição Pastoral Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, no número 81, exorta para que os ritos exequiais exprimam a índole pascal da morte cristã, se constituindo num ato de fé na morte e ressurreição de Jesus Cristo, suplicando a Deus Pai que conceda aos mortos participar deste mistério. Uma antífona da liturgia de finados reza assim: “Como Jesus morreu e ressuscitou, Deus ressuscitará os que nele morreram. E como todos morrem em Adão, todos em Cristo terão a vida”.
As palavras de Jesus Cristo. Por ocasião da morte de Lázaro, quando Jesus chega em Betânia, Marta, uma das irmãs do falecido, lamenta com Jesus Cristo a sua ausência no momento da morte de seu irmão. Ele, no entanto, afirma-lhe: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais” ( Jo 11, 25-26). A fé na ressurreição de Jesus Cristo, primícia dos que morreram (cf 1Cor 15,20) dá sentido novo a nossa vida, morte e possibilidade de ressurreição.
As indulgências. “Aos que visitarem o cemitério e rezarem, mesmo só mentalmente, pelos defuntos, concede-se uma indulgência plenária, só aplicável aos defuntos: diariamente, do dia 1° ao dia 8 de novembro, nas condições costumeiras, isto é: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice; nos restantes dias do ano, Indulgência Parcial.” “Ainda neste dia, 02 de novembro, em todas as igrejas, oratórios públicos e semi-públicos, igualmente lucra-se uma Indulgência Plenária, só aplicável aos defuntos: a obra que se prescreve é a piedosa visitação à igreja, durante a qual se deve rezar a Oração dominical e o Símbolo (Pai Nosso e Creio), confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice (que pode ser um Pai Nosso e Ave Maria, ou qualquer outra oração conforme inspirar a piedade e devoção)”.
A Missa pelos Mortos. No dia de finados, procure a igreja mais perto de sua casa para participar da Santa Missa, pois esta é a melhor oração que podemos oferecer a Deus nas intenções de nossos mortos, é também o meio mais propício para conservar no coração a memória dos que amamos, de quem sentimos vivas saudades e por quem ainda derramamos uma lágrima.
+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário