quarta-feira, 28 de setembro de 2011

URGÊNCIA MISSIONÁRIA E JUVENTUDE


Deus é Pai e deseja salvar a todos e a tudo, através de Jesus Cristo, evento salvífico para a humanidade. Jesus Cristo é a Palavra definitiva de Deus que estabelece morada entre nós. Presente em nós, através do Espírito Santo, o Pai deseja, por nosso intermédio, chegar a todas as pessoas, em todos os lugares e em todos os momentos da história.
Vivemos o último tempo, chamado de tempo escatológico, clamamos a vinda final de Jesus Cristo, glorificado pela cruz e ressurreição. Não podemos perder tempo, há uma urgência na missão de tornar Jesus Cristo conhecido, amado e seguido por todas as pessoas, cumprindo o seu desejo expresso no momento de sua ascensão: “Foi me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos”(Mt 28, 18-20).
Fazemos a experiência do mal em nossa vida, no mundo e na história. A raiz e fonte do mal é o pecado, o querer ser senhor de sua própria vida, não reconhecendo sua condição de criatura, buscando uma autonomia absoluta fundada em uma inexata ou limitada compreensão da liberdade, entendida como um poder fazer tudo, de qualquer modo e a qualquer preço.
Seja no mundo, na história, na sociedade ou na singularidade da pessoa, chamamos as manifestações do mal de pecado, que em sua primeira e fundante manifestação foi vencido por Jesus Cristo através de sua encarnação, vida, morte e ressurreição. Os frutos do pecado, no entanto, se manifestam ainda, renascendo sempre, qual erva daninha, no coração humano e, a partir dele, introduzindo a desordem na vida pessoal e social, bem como no mundo e na história. Para falar da ação regeneradora de Jesus Cristo usamos os verbos santificar, salvar, redimir, resgatar e libertar.
Encontramos pessoas que conhecem, amam e seguem Jesus Cristo, partilhando esta experiência como Povo de Deus, em comunidade. Outros conhecem, amam e seguem Jesus Cristo, mas dispensam a Igreja, não se sentindo membros efetivos e ativos nela.
Muitos, uma em cada três pessoas no mundo, ignoram Jesus Cristo, por vontade própria ou porque não foram ainda atingidos pelo anúncio querigmático, isto é, que Jesus Cristo é Deus, Salvador, que nasceu, viveu, morreu e ressuscitou para nos salvar. Assim, estes não podem amá-lo, segui-lo e fazer parte do Povo de Deus, da Igreja.
Alguns conhecem Jesus Cristo, mas se recusam a amá-lo e, consequentemente, a seguí-lo e viver como membro de sua Igreja. Ainda outros ouviram falar de Jesus Cristo, no plano cultural, como informação, mas rechaçam a vida após a morte, não aceitam a transcendência, o céu, e não acreditam na existência da alma, fonte de vida para a corporeidade e que permite o desenvolvimento da dimensão intelectual e espiritual da pessoa.
A realidade delineada acima mostra a urgência da missão, não como conjunto de atividades esporádicas da Igreja ou de algum grupo de fiéis, mas como um modo de vida. É premente que os fiéis católicos vivam missionariamente, redescobrindo a dimensão missionária da sua vida cristã e da Igreja, que é natural e essencialmente missionária.
Uma atenção especial deve ser dada aos jovens, pois precisamos de uma ação missionária jovem, com os jovens e para os jovens, onde os mesmos sejam protagonistas, isto é, sejam eles mesmos os missionários de outros jovens e das novas gerações de adolescentes e crianças.
É preciso propor ou repropor a pessoa de Jesus Cristo aos jovens, não como um personagem passado da história, um entre tantos outros cuja memória é guardada nos livros, nem somente através de informações bíblicas ou culturais ou com meros estudos acadêmicos ou especulações filosófico-teológicas.
Jesus Cristo precisa ser apresentado ao jovem de modo existencial, isto é, como Filho de Deus que veio ao seu encontro para revelar-lhe e possibilitar-lhe experimentar em sua vida o amor de Deus Pai.
Jesus Cristo é Deus, e como tal deve ser sentido, amado e seguido pelo jovem que, por sua vez, deve deixa-lo ser Deus em sua vida. Isso implica uma interpelação para que o jovem faça a experiência de uma amizade singular com Jesus Cristo, fazendo-se, paulatinamente, seu discípulo, por atração, e seu missionário, como resposta a uma necessidade interna e irreprimível de partilhar com os outros a libertação que experimenta.
Caro jovem, convido-o a aproximar-se de Jesus Cristo, a estabelecer com Ele uma relação pessoal de amizade, que seja fonte de santificação para sua vida, deixando-se iluminar por suas palavras codificadas nos quatro evangelhos, tal como são compreendidas pela Igreja.
Jovem, aceite Jesus Cristo em sua vida, torne-se seu discípulo, acolha-o como seu Senhor e Salvador. Assim, o Reino de Deus marcará presença também em sua vida, o que contribuirá para um mundo melhor onde vigore o amor, a fraternidade, a solidariedade e a justiça.
+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário