sexta-feira, 19 de agosto de 2011

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA


Na liturgia que celebramos neste domingo, 21 de agosto, sentimos que o mistério da encarnação de Jesus Cristo está intima e profundamente unido ao mistério da glorificação de Nossa Senhora: se na encarnação o tempo contém o eterno, a divindade assume a humanidade, na Assunção o mortal é revestido de imortalidade glorificada, o humano é revestido da divindade.
Em Jesus Cristo, Deus conosco, Nossa Senhora, filha e mãe do Povo de Deus, acolhe por antecipação o que aguardamos na fé e na esperança, enquanto vivemos na caridade. Para nós, ainda em caminho neste vale de lágrimas, ela é consolo e esperança.
A glorificação do Povo de Deus é uma necessidade, pois Jesus Cristo, ressuscitado dos mortos como primícias, é a Cabeça da Igreja, seu Corpo Místico.
Seremos também nós, ao nosso tempo, glorificados como Ele, por Ele, com Ele e n’Ele. Como Ele, pois a sua glória será a nossa; por Ele, pois sua oferta na Cruz é acolhida pelo Pai na sua ressurreição, como salvação para todos: para a pessoa humana, o mundo e a história; com Ele, pois é impensável que somente na Cabeça resplandeça a glória de Deus, devendo esta estender-se também aos membros, que somos nós, o seu corpo, pois entre a Cabeça e os membros circula a mesma vida regeneradora do Espírito Santo; n’Ele, pois a nossa humanidade é a sua, assumida no seio de Maria, e a sua glória será então também a nossa, já recebida por Maria, por antecipação.
Na história da salvação, Nossa Senhora ocupa um lugar singular: Imaculada, não experimentou em si o pecado e suas conseqüências, não podendo então viver a morte como sofrimento e corrupção.
Agraciada pelo poder do seu Filho, Jesus Cristo, a quem acolheu como Salvador, como ouvimo-la exultar no Evangelho, “Meu espírito exulta em Deus meu Salvador”, Nossa Senhora é elevada aos céus, em corpo e alma, como definiu o Papa Pio XII, no ano de 1950: “Definimos ser dogma divinamente revelado: que a mãe de Deus, sempre virgem Maria, cumprindo o curso de sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.
Então, o Papa Pio XII respondia ao clamor da Igreja que bradava já de longa data, referindo-se ao fim de Maria como dormição e não como morte. O termo Assunção será usado somente a partir do século VIII, embora a festa já fosse celebrada na Igreja do Oriente no século VI, já no dia 15 de agosto, e a pedido do imperador Maurício é celebrada em Roma no século VII.
“Maria não precisou esperar o fim dos tempos para receber um corpo glorificado. Depois de sua vida terrena, ela já está junto de Deus com o corpo transformado, cheio de graça e de luz. Deus antecipou nela o que vai dar a todas as pessoas de bem, no final dos tempos”.
Olhando para Nossa Senhora Assunta ao céu, aplicamos-lhe as palavras que São Paulo dirigiu aos Coríntios: “A morte foi absorvida na vitória. O ser corruptível foi revestido de incorruptibilidade. O ser mortal foi revestido de imortalidade” (1 Cor 15, 54).

+ Tomé Ferreira da Silva.
Bispo Auxiliar de São Paulo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário