segunda-feira, 8 de agosto de 2011




No segundo domingo de agosto celebramos o dia dos pais. Em tempos conturbados para a família, que sofre o impacto do relativismo dos valores e a desintegração da cultura cristã, provocando o surgimento de uma nova tipologia da família, é preciso recuperar a beleza da paternidade, dom e tarefa que Deus concede à pessoa humana como possibilidade de participação na sua própria paternidade: “Não chameis a ninguém na terra de ‘pai’, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus” (Mt 23, 9). A paternidade humana tem como paradigma a revelação de Deus como Pai, criador, educador e salvador.

Pai é aquele que, à semelhança de Deus Pai, cria, educa e contribui para a salvação dos seus filhos educando-os na fé em Jesus Cristo. A experiência da paternidade não é exclusivamente cultural, criação humana, mas faz parte do projeto de Deus para a humanidade: “Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: ‘Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a’ ”( Gn 1, 27-28 ).

Experimentamos uma crescente resistência cultural para a geração de filhos. As motivações alegadas são quase sempre de ordem social e econômica: o alto custo do conforto e do lazer, o ônus resultante do vestuário, da alimentação, da escola paga, do plano de saúde e a previsível dificuldade de integração no mercado de trabalho. Outras razões de ordem social também são lembradas: o risco de ver os filhos envolvidos com o mundo das drogas e da violência, a incerteza diante da sexualidade a ser vivida, e também uma razoável dose de comodismo que deseja eliminar todo tipo de preocupação e sofrimento.

No Brasil, muitas das razões apontadas para a diminuição da natalidade são consequências das políticas públicas que não oferecem condições de trabalho condigno, salário justo, acesso a moradia adequada, sistema de saúde de qualidade e educação pública que prepare o jovem para o mercado de trabalho. O próprio Estado dissemina amplos meios de controle de natalidade. Por outro lado, a sociedade estimula uma cultura do bem estar desmedido, de caráter consumista, que busca o insaciável prazer, gerando um modo de vida individualista e pragmatista que busca a supressão de toda forma de sacrifício e abnegação.

Não é suficiente apontar os homens como únicos responsáveis pela baixa fecundidade. A supressão dos entraves sociais e a implementação de uma nova cultura fundada em valores cristãos são desafios a serem assumidos por todos através de uma cidadania mais exigente com o Estado, buscando estabelecer um modo de vida marcado pela sobriedade, responsabilidade e solidariedade.

Ser pai não é um ônus, mas um bem, uma graça de Deus que faz o homem experimentar a felicidade. Buscar a paternidade responsável é a proposta para os homens! Minha saudação, oração, votos de todo bem e amplexo aos pais.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Auxiliar de São Paulo.

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