terça-feira, 5 de novembro de 2019

“BEATO PADRE DONIZETTI TAVARES DE LIMA – O APÓSTOLO DA ACOLHIDA”



Em nossa Província Eclesiástica de Ribeirão Preto, SP, no dia 23 de novembro, em Tambaú, SP, às 9h00, será beatificado o Padre Donizetti Tavares de Lima, em missa campal, presidida pelo Cardeal Prefeito da Sagrada Congregação para a Causa dos Santos, Angelo Becciu, delegado do Santo Padre o Papa Francisco para este evento de fé.

Padre Donizetti nasceu em Cássia, Minas Gerais, em 03 de janeiro de 1882, filho do casal Sr. Tristão Tavares de Lima e Sra. Francisca Cândida Tavares de Lima, teve oito irmãos. Aos quatro anos, mudou-se com a família para Franca, SP, onde estudou o primário e teve iniciação musical. Aos 15 anos foi para o curso preparatório do Seminário Episcopal de São Paulo; e aos 18 anos, estudou em Sorocaba, voltando em 1900 para o Seminário. Em 12 de julho de 1908 foi ordenado sacerdote em Pouso Alegre, Minas Gerais.

Como sacerdote, trabalhou nas seguintes paróquias: São Caetano, em Pouso Alegre; Santa Mãe de Deus, em Jaguariúna; Aguaí; Sant’Ana, em Vargem Grande do Sul; e a partir de 12 de junho de 1926, foi pároco em Tambaú, por 35 anos, sob os auspícios de Santo Antônio.

Padre Donizetti viveu ocupado com os empobrecidos: para as crianças, criou a Casa da Criança; para os operários, fundou o Círculo Operário; e para os idosos, fez o Asilo. Acolhia a todos os que peregrinavam a Tambaú para implorar uma bênção ou um conselho, ninguém voltava de coração vazio para casa, sem ter recebido uma bênção, um olhar, um abraço, uma palavra, uma oração ou uma esmola.

Nossa Senhora Aparecida tinha no Padre Donizetti um coração devoto. Em Tambaú, ele entronizou na igreja de Santo Antônio uma imagem dela. Em 1929, um incêndio, de grandes proporções, destruiu tudo o que havia nesse templo, mas o fogo não consumiu a pequenina imagem da Rainha e Padroeira do Brasil.

Era o dia 16 de junho de 1961, quando o relógio marcava 11h15, a hora do seu encontro final com Nosso Senhor Jesus Cristo, quando se encontrava sentado em uma cadeira na entrada da residência paroquial. E desde então, até hoje, são incessantes os relatos de graças e curas alcançadas pela sua intercessão. 

Em 1997, foi instaurado o Tribunal para levar adiante o processo de beatificação do Padre Donizetti, iniciado em 1992, pela Diocese de São João da Boa Vista. A partir de 2008, ele é considerado “Servo de Deus”. Em 2009, chega a Santa Sé, em Roma, na Itália, todos os dados necessários para seguir adiante, agora em segunda fase, o processo canônico, encerrando a fase diocesana.

Em 10 de outubro de 2017, a Sagrada Congregação para a Causa dos Santos, declara o Servo de Deus Padre Donizetti “Venerável”, reconhecendo que ele exercitou de modo heroico as virtudes da fé, da esperança e da caridade, e viveu de forma exemplar a vida sacerdotal, distinguindo-se no serviço aos empobrecidos, marginalizados e enfermos. 

O Papa Francisco, em 06 de abril de 2019, reconheceu a veracidade do milagre ocorrido pela intercessão do Padre Donizetti, o que permitiu a sua beatificação. O milagre foi realizado no garoto Bruno Henrique que, desde o nascimento, tinha um pé torto, que não foi resolvido com várias cirurgias. Seus pais, Sr. Adriano e Dona Margarete, pediram a intercessão do Padre Donizetti, e foram prontamente atendidos: no dia seguinte, o menino pisava corretamente.

A fama de santidade do Padre Donizetti, mesmo antes de sua morte, se espalhou, sobretudo pelos estados de São Paulo e Minas Gerais. Muitas pessoas foram batizadas com o nome de Donizete, para recordar a gratidão pelo Padre que viveu santamente.

Oração pela canonização do Padre Donizetti: “Ó Deus, ornastes o Beato Padre Donizetti Tavares de Lima de dons especiais. Fizestes dele sacerdote admirável na pregação, pastor incansável, defensor dos pobres e grande devoto de Nossa Senhora Aparecida. Concedei-nos, por sua intercessão, a graça que tanto precisamos ( fazer o pedido ). Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!”.

A Diocese de São José do Rio Preto, parte da Província Eclesiástica de Ribeirão Preto, agradece a Deus o dom da santidade do Beato Padre Donizetti Tavares de Lima. Nos alegramos e estamos unidos à oração de ação de graças dos fiéis da Diocese de São João da Boa Vista, SP.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Terceiro encontro em preparação para a Festa de São Judas foi presidido por Dom Tomé

NOVENA DE SÃO JUDAS TADEU
 
O terceiro encontro da preparação para a Festa do "Santo dos Casos Desesperados" foi presidido pelo bispo de São José do Rio Preto, dom Tomé Ferreira da Silva. Agradecendo pela chuva que caiu em São José do Rio Preto, o Epíscopo falou da importância de se viver com sobriedade; em atitudes que se distanciem da avareza e do gasto excessivo.

Em sua fala, dom Tomé também sublinhou a vivência do Dia Nacional de Valorização da Família naquela oportunidade. Diálogo, compreensão e perdão foram as práticas apontadas para uma maior harmonia familiar. "Que São Judas nos ajude e nos inspire a também sermos missionários de Jesus Cristo", indicou dom Tomé antes da bênção dos objetos de devoção.

 
 

TEXTO/FOTOS
André Botelho

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

“A ESPERANÇA DOS POBRES JAMAIS SE FRUSTRARÁ” (Sl 9,19)

Ao término do Jubileu Extraordinário da Misericórdia (2015-2016), o Papa Francisco criou o “Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado no penúltimo domingo do tempo comum do calendário litúrgico. Neste ano de 2019, será no dia 17 de novembro, precedido por uma jornada que deve ser iniciada no dia 10 do mesmo mês. O tema proposto pelo Santo Padre o Papa é: “A esperança dos pobres jamais se frustrará”, retirado da Bíblia, Salmo 9, versículo 19.
O fenômeno do empobrecimento de amplos setores da população mundial é um fato, que se espalha pela maioria dos países, em todos os continentes, apesar do progresso, do desenvolvimento científico e tecnológico, e do crescimento da acessibilidade a melhores condições de vida. Mais do que nunca, verificamos a veracidade da palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Os pobres sempre tendes convosco, mas a mim não tereis sempre” (Mt 26,11).
Segundo dados do IBGE e IPEA, citados no instrumento de trabalho para a III Jornada Mundial dos Pobres, pelo Padre Francisco de Aquino Júnior, da Diocese de Limoeiro do Norte, CE, Professor da Faculdade Católica de Fortaleza e da Universidade Católica de Pernambuco, no Brasil, “de 2016 para 2017 o número de pobres que vivem com até 406 reais por mês passou de 52,8 milhões para 54,8 milhões (2 milhões a mais) e o número de pessoas que vivem na extrema pobreza com até 140 reais por mês passou de 13,5 para 15, 2 milhões de pessoas (quase 2 milhões a mais); percentual de pobreza por regiões: nordeste (44,8 %), sudeste (17,4 %), sul (12,8 %); quase metade da população das regiões norte e nordeste tem rendimento mensal de até meio salário mínimo; entre 2014 e 2017 o número de pessoas sem ocupação passou de 6,9% para 12,5% da população (6,2 milhões de pessoas a mais!); 40,88% da população vive de trabalho  informal; os brancos ganham, em média, 72,5% mais que pretos e pardos e os homens 29,7% mais que as mulheres; estudos parciais de 2015 estimavam mais de 100 mil pessoas vivendo em situação de rua no Brasil.”
Segundo Dom Joel Portela Amado, Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na apresentação do subsídio para o dia mundial do pobre, a III Jornada Mundial dos Pobres, “é um convite a todas as comunidades cristãs e a todas as pessoas de boa vontade, para que levem esperança e conforto aos pobres, e a colaborarem para que ninguém se sinta privado da proximidade e da solidariedade humana.”
O Papa Francisco, na sua mensagem para à III Jornada Mundial dos Pobres, ao falar do Salmo 9, fonte do lema para este evento, explica: “O contexto descrito pelo salmo tinge-se de tristeza, devido à injustiça, ao sofrimento e à amargura que fere os pobres. Apesar disso, ele fornece uma bela definição do pobre: é aquele que ‘confia no Senhor’( Sl 9, 11), pois tem a certeza de que nunca será abandonado. Na Escritura, o pobre é o homem da confiança! E o autor sagrado indica também o motivo dessa confiança: ele ‘conhece o seu Senhor’ (Sl 9, 11). Na linguagem bíblica, esse ‘conhecer’ indica uma relação pessoal de afeto e de amor. O Deus que Jesus quis revelar é este: um Pai generoso, misericordioso, inexaurível na sua bondade e graça, que dá esperança sobretudo aos que estão desiludidos e privados de futuro.”
Ninguém tem inscrito na sua natureza a pobreza; nenhuma pessoa, ao ser concebida e nascida, é pobre, mas é gradualmente empobrecida. A pobreza é um fato prevalentemente social, produto de relações humanas marcadas pela injustiça e pela falta de oportunidades iguais para todos, sobretudo de acesso à educação, trabalho e moradia digna. Os empobrecidos são vítimas da sociedade, mas são também esperança de transformação, podem se tornar agentes de uma sociedade mais igualitária.
Nós católicos, iluminados pela fé, vemos no empobrecido a pessoa mesma de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Todas as vezes que fizestes isso a um desses mínimos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes! ” (Mt 25, 40). O que realizamos para o bem do empobrecido, é a Nosso Senhor Jesus Cristo que fazemos ( Mt 25, 34-46). A satisfação das necessidades imediatas e a criação de novas oportunidades para os empobrecidos é um dever que nasce da caridade, faz parte da identidade católica: “Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns para com os outros”(Jo 13, 35).

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

terça-feira, 24 de setembro de 2019

MISSIONARIEDADE

 
“Diante de Deus e do Cristo Jesus que vai julgar os vivos e os mortos, eu te peço com insistência, pela manifestação de Cristo e por seu reinado: PROCLAMA A PALAVRA, INSISTE OPORTUNA E INOPORTUNAMENTE, CONVENCE, REPREENDE, EXORTA, COM TODA A LONGANIMIDADE E ENSINAMENTO. De fato, vai chegar um tempo em que muitos não suportarão a sã doutrina e se cercarão de mestres conforme seus desejos, quando sentem coceira no ouvido e, desviando o ouvido da verdade, voltam para as fábulas. Tu, porém, vigia em tudo, suporta as provações, faze a obra de um evangelizador, desempenha bem o teu ministério” (2Tm 4, 1-5).

 A missão é a continuidade da obra de Nosso Senhor Jesus Cristo, realizada na força do Divino Espírito Santo: “Recebereis a força do Espírito Santo que virá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, até os confins da terra” (At 1, 8).

 As missões são modos concretos de realizar a missão: “Foi me dada toda a autoridade no céu e na terra. Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-os a observar tudo o que vos mandei. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 16-20).

 A missão é a mesma para toda a Igreja, anúncio testemunhal e presencialização do Reino de Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo. As missões se diversificam em cada cultura e espaço, com logística diferenciada. Não se pode dissociar uma da outra, uma vez que as missões são modos concretos operacionalizados pelas igrejas para realizarem a missão que o Missionário de Deus Pai nos deixou, e para tanto nos presenteou com o Divino Espírito Santo.

 Desde que me recordo por gente, aos sete anos, tenho ouvido falar de missão e de missões. Ao longo destes 51 anos, o aumento da frequência desta fala parece ser proporcional à diminuição dos fiéis e do ânimo missionário nas nossas igrejas. Em muitas ocasiões, é uma fala cansativa, repetitiva no conteúdo e na forma, modorrenta, sem eco e com pouco retorno.

 O discurso da missão e das missões se apresenta como obrigatório e formal, não parece feito e nem ouvido com paixão; realizado sem ânimo, torna-se incapaz de animar. Venho sentindo, hoje, que a narrativa da missão e das missões é realizada num movimento de fora para dentro, como resposta a uma obediência e urgência pastoral. E essa palavra que parece não brotar do coração, não chega aos corações. A questão da missão e das missões, ao que tudo indica, não está na pauta do coração e da vida dos católicos romanos, salvo raras exceções. Por que isto acontece? Não sei e gostaria de saber a resposta.

 Há um medo, um receio, talvez em nome do “politicamente correto”, dos católicos romanos, em viverem missionariamente a sua fé, o que, consequentemente, compromete a realização da missão e das missões. Essa situação pode estar sendo determinada pela pluralidade religiosa, o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, mas também pela crise da identidade católica, e, sobretudo, porque não queremos abordar, provocar e interferir na vida das pessoas que vivem na ignorância total ou parcial de Nosso Senhor Jesus Cristo e do seu evangelho de salvação.

 E não queremos interferir, seria por comodismo? Por falsa modéstia? Por não acreditar na eficácia da Palavra de Deus? Por não termos sido missionados? Por que a nossa fé se resume a atos de piedade? Por que nossa fé não é convicta, fruto de decisão e escolha? Acredito que o modo de acolher e viver a fé, entre nós católicos, está afetando a nossa disposição, confiança e ânimo na missão e nas missões. A missionariedade está vinculada ao modo como assumimos e vivemos a fé. Quanto mais pura e madura a fé, maior será a consciência e a participação na missão e nas missões.

 O empenho missionário pressupõe a vida de fé. A superação da dificuldade da missão e das missões requer trabalhar a vida de fé do fiel, começando por mim mesmo. Assim, o discurso da missão e das missões será de dentro para fora e poderá surtir os efeitos esperados, não serão palavras ao vento. O problema não está na missão e nas missões, mas na nossa vida de fé.


+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

NÃO ANDAR A ESMO, O ESPÍRITO SANTO CONDUZ A IGREJA



  A Diocese de São José do Rio Preto constrói o seu oitavo Plano Diocesano de Pastoral, à luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023. É um processo de revisão, de escuta e de prospecção, realizado sob a iluminação do Divino Espírito Santo e em unidade com a Igreja presente no Brasil.

  A imagem da casa, como lar, coloca diante dos nossos olhos a questão do amor, da paternidade e maternidade, e da fraternidade. A casa é a residência do amor, onde sendo amados, aprendemos a amar. É o espaço do aprendizado, proteção, segurança e encorajamento.

  A Igreja é também compreendida como casa, construção de Deus: “Nós somos cooperadores de Deus; e vós lavoura de Deus; construção de Deus” (1Cor 3,9). De certa forma, a casa de Deus é a Igreja, nós, o seu povo: “Quero que saibas como proceder na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e fundamento da verdade”(1Tm 3, 15). A Igreja como casa é espaço do encontro, lugar da ternura, da família, chamada a estar de portas sempre abertas.

  A Igreja como casa se estrutura sobre quatro pilares: Palavra, Pão, Caridade e Missão. Eles são imprescindíveis para que a Igreja seja sustentável. Se falta um, ou mais pilares, ocorre o desequilíbrio interno e compromete a sua presença e ação no mundo.

  “A Palavra de Deus é viva, eficaz e mais penetrante que qualquer espada de dois gumes. Penetra até dividir alma e espírito, articulações e medulas. Julga os pensamentos e as intenções do coração” (Hb 4, 12-13).  A Igreja nasce e vive da Palavra e para a Palavra. Não é uma palavra qualquer, ou uma palavra entre outras, mas a Palavra de Deus. Deus que fala pela natureza, pela história, pelos sinais dos tempos, pela tradição e pela Sagrada Escritura. 

  “Tal como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam antes de irrigar a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, produzindo semente para quem semeia e pão para quem come, assim acontece com a minha palavra, que sai da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará tudo aquilo que decidi, realizando a missão para a qual a enviei”( Is 55, 10-11). Como extensão à acolhida da Palavra de Deus nos sacramentos e sacramentais, a Leitura Orante da Bíblia e os encontros bíblicos da Rede de Comunidades são instrumentos importantes que ajudam na escuta e discernimento da Vontade de Deus. 

  “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11,1). A Igreja nasce, vive e se desenvolve em torno do Pão, isto é, dos sacramentos, dos sacramentais, dos atos de piedade e da piedade popular, da vida de oração que brota da vida e da Palavra de Deus. Não basta celebrar os sacramentos e sacramentais, é preciso rezá-los. Não existe Igreja sem os sacramentos, pois eles são os canais ordinários, através dos quais a graça salvadora e santificadora de Deus, em Nosso Senhor Jesus Cristo, chega até nós. É preciso construir constantemente a dimensão orante da Igreja: “É preciso superar a ideia de que o agir já é uma forma de oração. Quando confundimos agir com rezar, chegamos a abreviar ou dispensar os tempos de oração e de contemplação” (DGAEIB 97). O grande mestre da oração, nunca esqueçamos, é o Divino Espírito Santo, sem Ele não rezamos bem, como devemos fazer para que ela seja agradável ao Pai (cf Gl 4,6). 

  A caridade pastoral no Povo de Deus é visualização do amor misericordioso de Deus. Ela dá consistência à nossa vida de fé, torna-a consolidada, legitima-a e confere-lhe autenticidade. A sociedade está repleta de empobrecidos física, psíquica e espiritualmente. Eles se encontram em todos os lugares. É preciso encontrá-los, vê-los, senti-los, estar com eles e dispensar-lhes o amor de Deus, no modo e na intensidade que precisam deste divino amor. O empobrecimento, fruto da injustiça e da falta de solidariedade, vai construindo novos areópagos, repletos de carentes de todo tipo, que clamam para serem vistos, ouvidos e ajudados no amor. “Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes amor uns para com os outros”(Jo 13, 34-35). 

  “Ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criatura! ” (Mc 16, 15). A missionariedade é inerente à vida de fé. “Deus é missão: a missão vem de Deus porque Deus é amor, diz respeito ao que Deus é e não, primeiramente, ao que Deus faz”(Guia do Mês Missionário Extraordinário – 2). Da missionariedade de Deus, nasce a missão da Igreja e as missões dos fiéis. A vivência da Palavra e a vida sacramental são nascedouro da missão e, ao mesmo tempo, alimentam e sustentam as missões.

  Um Plano Diocesano de Pastoral aponta objetivo e caminhos para alcança-lo. É um elemento que pode assegurar a unidade pastoral da Igreja Particular. Ele é elaborado na comunhão com a Igreja presente no Brasil, através das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, fruto do trabalho da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que é reelaborada a cada quatro anos.
À luz do Plano Diocesano de Pastoral, cada Paróquia é convidada a elaborar a sua programação anual. Ele também é referência para as pastorais, movimentos, associações religiosas e novas comunidades. Ninguém, e nenhum organismo eclesial pode subtrair-se de colocar-se dentro do contexto do Plano Diocesano de Pastoral.

  Que o Imaculado Coração da Bem Aventurada Virgem Maria nos ajude na fidelidade amorosa, e a um amor fiel, a seu filho e nosso irmão Nosso Senhor Jesus Cristo. Que São José de Botas, padroeiro de nossa Catedral, nos inspire a calçarmos os tênis e os bonés da missão e das missões.

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP