quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

{ PALAVRA DO BISPO } VIGIAI!


O verbo “vigiar” exprime a exigência de observar atentamente, espreitar com acuidade, estar ligado, antenado, concentrado, focado. Ontem e hoje, no mundo bíblico e no nosso, vigiar é uma tarefa empenhativa, que exige predisposição física, psicológica e intelectual. Em nome da vigilância, nas suas mais diversas formas, o mundo contemporâneo desenvolve uma ampla gama de tecnologia, uma verdadeira indústria, que movimenta anualmente “bilhões de dólares”.

O profeta Isaías fala da precariedade da vida humana usando estas palavras: “Todos nós nos tornamos imundície e todas as nossas boas obras são como um pano sujo; murchamos todos como folhas e nossas maldades empurram-nos como o vento” (Is 64,5). Ao mesmo tempo, o profeta abre uma perspectiva de esperança: “Assim mesmo, Senhor, tu és nosso pai, nós somos barro; tu, nosso oleiro, e nós todos, obra de tuas mãos” (Is 64,7).

No entanto, mesmo sendo precários, fomos salvos em Nosso Senhor Jesus Cristo, aguardamos a sua manifestação plena: “Assim, não tendes falta de nenhum dom, vós que aguardais a revelação do Senhor nosso, Jesus Cristo” (1Cor 1,7). Embora aqui e agora, olhamos para o alto e o futuro, a manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, no fim dos tempos: sabemos com certeza que Ele virá, mas não sabemos quando e nem como. E seremos semelhantes a ele, pois a sua será também a nossa ressurreição.

A exortação à vigilância é feita por Nosso Senhor Jesus Cristo: “Cuidado! Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento. (...) Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: vigiai” (Mc 13,33.36-37). Diante da manifestação gloriosa dele no fim dos tempos, vigiar é uma necessidade. Vigiamos através da oração, que nasce da leitura orante da Sagrada Escritura, da frequência aos sacramentos, sobretudo a confissão e a eucaristia, experimentando a dimensão comunitária da fé e aplicando-nos no exercício contínuo da caridade.

A vivência da vigilância também nos prepara para o ato de falecer, pois também não sabemos quando e como partiremos do mundo e da história. Neste tempo pandêmico, diante da possibilidade real de um óbito iminente, em grande escala, somos confrontados com a finitude. As imagens e as narrativas dos sepultamentos invadiram o nosso cotidiano sem pedir licença, mesmo assim, nem todos foram tomados pelo justo temor e continuam a viver sem as precauções necessárias, colocando em risco a vida de muitas pessoas.

Diante da beleza e bondade do mundo e da história, dos prazeres mundanos e históricos, apesar de tantas realidades de morte, uma grande parte da humanidade vive como se estivesse inebriada. A insensibilidade diante da morte manifesta-se também na indiferença diante da manifestação gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo, fruto do desconhecimento, ateísmo e secularismo que assola as sociedades. Este fenômeno explica porque não conseguimos experimentar a realidade da primeira parte do tempo do advento, que quer elevar nossa vida, olhar e coração ao mistério da Parusia de Nosso Senhor Jesus Cristo. A redução do tempo do advento a uma compreensão hedonista e consumista do Natal, não acessível a todos, tem explicação não só sociológica, mas também antropológica, que solapa a teologia, a pastoral e a liturgia. Mais do que nunca, a exortação de Nosso Senhor Jesus Cristo é necessária, ao menos para nós, uma pequena minoria: VIGIAI!

 

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

SEMINARISTAS SÃO INSTITUÍDOS NO LEITORADO

Texto: Redação - Diocese de São José do Rio Preto
Fotos: Celso Moscon


No dia 27 de dezembro, às 9h, Dom Tomé presidiu a Santa Missa na memória de Nossa Senhora das Graças (ou da Medalha Milagrosa) no Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus. A celebração eucarística marcou o encerramento do ano formativo no Seminário e das atividades acadêmicas no Centro de Estudos Superiores Sagrado Coração de Jesus.

Durante a celebração, os seminaristas Fernando Renato Salzillo Pereira e Paulo Henrique de Castro, ambos do 3º ano de Teologia, foram instituídos no ministério de leitor. Como tal, como bem deixou claro o Bispo ao final de sua reflexão, devem dedicar-se não só à proclamação da Palavra nas celebrações litúrgicas, mas também ao seu estudo, meditação e oração para se tornar Palavra vivida. "Nós não seremos moldados pela Sagrada Escritura se não colocarmos em prática o método da lectio divina, isto é, a leitura orante da Palavra de Deus", enfatizou Dom Tomé.

Os novos leitores cursarão no ano que vem a última etapa da teologia e devem receber em breve o ministério do acolitado para o serviço do altar. Junto com os demais seminaristas das dioceses de São José do Rio Preto, Barretos e Votuporanga, que moram e estudam no Seminário Diocesano, eles deram início ao período de férias e retornam para o Seminário em fevereiro de 2021.























quinta-feira, 26 de novembro de 2020

ADMISSÃO ÀS ORDENS SACRAS

Cinco seminaristas da Diocese de São José do  Rio Preto foram admitidos entre os candidatos às Ordens Sacras no dia 26 de dezembro, Dia Mundial de Ação de Graças.

O Bispo diocesano Dom Tomé esteve no Seminário Maior Sagrado Coração de Jesus para presidir a Eucaristia às 18h e fazer a admissão dos seminaristas Marivaldo Antônio Dugnani Bezerra Junior, Pedro Henrique Sant'Ana Machado, Rodrigo Cardoso, Vitor Teixeira da Silva Santos e Wagner Pascoal Gonçalves que deram um passo significativo na caminhada rumo ao ministério ordenado. 

Ao final de sua homilia, dirigindo-se aos candidatos, o Bispo salientou que, à altura da admissão como candidato às Ordens sagradas, eles já não devem mais ter dúvidas em relação à vocação e à resposta que deve dar cotidianamente ao chamado que receberam.

Os seminaristas que admitidos concluíram o 2º ano de Teologia. Nas próximas etapas da formação, deveram receber os ministérios de leitor e acólito.



















segunda-feira, 16 de novembro de 2020

{ PALAVRA DO BISPO } COLETA DO BEM

 Caros fiéis da Diocese de São José do Rio Preto,

 

“DEUS AMA QUEM DÁ COM ALEGRIA” (2Cor 9,7)




A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, em plena pandemia, provocada pela covid-19, nos convoca a cuidar da evangelização, participando da “Coleta do Bem” nos dias 21 e 22 de novembro, respondendo às necessidades econômicas da Igreja no Brasil.

Como batizados e fiéis, somos corresponsáveis pela vida e ação da Igreja Católica, de modo singular neste tempo de crise humanitária, social, política, econômica e religiosa, que atinge boa parte da população brasileira. Para levar adiante a missão que lhe foi confiada por Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja Católica precisa de sua doação. 

“Que cada um dê conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento, pois ‘Deus ama quem dá com alegria’. Deus é poderoso para vos cumular de toda sorte de graças, para que, em tudo, tenhais sempre o necessário e ainda tenhais de sobra para empregar em alguma boa obra (...)” (2 Cor 9, 6-8).

 

Transcrevo as orientações que recebemos da CNBB:

“A Coleta do Bem integra em uma só oferta à Igreja no Brasil, a Coleta da Solidariedade (Campanha da Fraternidade), que seria realizada no Domingo de Ramos, durante a Quaresma, e a Coleta da Campanha para a Evangelização, sempre realizada no terceiro domingo do Advento. Do total arrecadado, 50% serão destinados aos projetos solidários da Igreja e 50% às ações de evangelização, incluindo a manutenção dos regionais e da própria CNBB.”

“Os cristãos católicos poderão doar de duas maneiras para a Coleta do Bem. Em suas comunidades e paróquias nas celebrações do fim de semana que a Igreja celebra a solenidade de Cristo Rei, dias 21 e 22 de novembro. E poderão também fazer a sua oferta por meio da doação em um site https://doe.cnbb.org.br, especialmente criado para a campanha.”

“Caso achem mais simples, os fiéis também poderão fazer a sua oferta por meio de depósito bancário: Banco Bradesco – Agência nº 0484-7 – Conta Corrente nº 4188-2, favorecido Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNPJ 33.685.686/0001-50.”

 

Caminhando juntos, vamos mais longe, construindo a unidade na solidariedade, respondendo ao apelo dos Bispos que coordenam e presidem as atividades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Façamos a nossa parte, de modo consciente e responsável. “Há mais felicidade em dar do que em receber” (At 20,35).

Com minha saudação, amplexo e todo bem!

 

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

{ PALAVRA DO BISPO } IV JORNADA MUNDIAL DOS POBRES

“ESTENDE A TUA MÃO AO POBRE, 
PARA QUE A TUA PROPICIAÇÃO E TUA BÊNÇÃO SEJAM PERFEITAS” (Eclo 7,36)

 

Verdadeira a palavra de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Os pobres sempre tendes convosco e podeis fazer-lhes o bem quando quiserdes. Mas a mim não tereis sempre”(Mc 14,7). Encontramos no mundo uma profusão incontável de empobrecidos, em todos os lugares e de todos os tipos. A complexificação do mundo gera uma complexidade de pessoas empobrecidas. Ninguém é naturalmente pobre, mas somos empobrecidos historicamente, somos frutos da sociedade que criamos e alimentamos.

Em outra ocasião, Nosso Senhor Jesus Cristo afirma: “Pois eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa;  estava nu e me vestistes; doente e cuidastes de mim; na prisão, e fostes visitar-me. (...) Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (Mt 35-36.40). Estender a mão ao pobre, de qualquer tipo, é estender a mão a Nosso Senhor Jesus Cristo.




Nos ambientes acadêmicos, a pobreza é objeto de estudo, nas suas causas e consequências, mas a universidade está longe dos empobrecidos e é inacessível a eles. Os governos, em todas as esferas, encaram o empobrecido como um problema, desenvolvem ações sociais para atende-lo, possuímos até secretarias de ação social, mas não surtem os efeitos necessários. Há uma globalização da pobreza, mas ninguém quer os empobrecidos, que são obrigados a migrações internas e externas. Há mais narrativas sobre os empobrecidos do que oportunidades concretas para emergirem da pobreza.

A pobreza pode ser um problema, de natureza econômica e social, fruto de históricas  exclusões e marginalizações, de múltiplas matizes, mas o empobrecido é uma pessoa, única, singular, irrepetível. Se para as narrativas o tempo pode passar devagar, para os empobrecidos há uma urgência, imediata, que determina o viver e o morrer. O empobrecido, nas suas necessidades básicas, não pode esperar, para ele só existe o hoje, mais do que isso, o agora. O descuido com o empobrecido, fruto da indiferença, do escondimento e negação social, alimenta o grupo dos miseráveis, que são desfigurados e despojados, como se perdessem a humanidade, o que não é possível, pois são sempre pessoas.

Estamos em período eleitoral, municipal, onde a “vida” acontece mais próxima a nós. Seria bom verificar onde estão os empobrecidos e miseráveis nos programas de governo de cada candidato ao executivo, e nas propostas para o legislativo, em cada aspirante às câmaras municipais. Se fazemos isso, estamos advogando a causa mesma de Nosso Senhor Jesus Cristo. E seria um ótimo meio de viver o IV Dia Mundial do Empobrecido, conclamado pelo Papa Francisco, para o dia 15 de novembro deste ano de 2020.

 

+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto, SP